França e Paraguai decidem neste sábado, 04, às 18h (horário de Brasília), na Filadélfia, uma vaga nas quartas de final do Mundial de Seleções. O duelo coloca uma das favoritas ao título diante de uma equipe em franca evolução, embalada pela eliminação da Alemanha nos pênaltis.
Favoritismo francês em teste na Filadélfia
A partida ganha peso extra para a França depois da lesão de Aurélien Tchouaméni, titular absoluto do meio-campo. O volante sente o músculo adutor e está fora justamente do primeiro mata-mata, no momento em que o torneio afunila.
O time de Didier Deschamps chega às oitavas com quatro vitórias em quatro jogos e sem sofrer abalos até aqui. Goleia a Suécia por 3 a 0 na segunda fase, controla a maior parte dos jogos e confirma em campo o rótulo de candidata ao título. A baixa de Tchouaméni, porém, mexe na espinha dorsal da equipe e abre uma brecha que o Paraguai tenta explorar.
Do outro lado, a seleção de Gustavo Alfaro vive um roteiro oposto. Estreia com derrota pesada, 4 a 1 para os Estados Unidos, e parece à beira da eliminação precoce. Reage com vitória por 1 a 0 sobre a Turquia, segura empates contra Austrália (0 a 0) e Alemanha (1 a 1) e elimina os tetracampeões nos pênaltis, por 4 a 3. Chega à Filadélfia com três jogos sem perder e a sensação de que pode ir além do esperado.
Lesão de Tchouaméni obriga Deschamps a reorganizar o meio
A ausência de Tchouaméni nasce no treino de sexta-feira (03/07), quando o jogador sente fortes dores no adutor. Exames iniciais já apontam problema relevante, e o jornal francês L’Équipe relata que “a gravidade da lesão pode ser ainda maior do que a avaliação inicial indicava”.
O cenário não preocupa apenas para as oitavas. A França sabe que, se avançar, volta a campo já em 09/07, às 17h, em Boston, contra Canadá ou Marrocos. Hoje, a estimativa mais cautelosa projeta retorno apenas em uma eventual semifinal, marcada para 14 de julho, em Dallas. Até lá, Deschamps precisa redesenhar o coração da equipe.
A opção escolhida é Manu Koné. O técnico confia no volante para repetir uma formação usada na fase de grupos, com Rabiot como parceiro na proteção à zaga. “O técnico Didier Deschamps deve escalar Manu Koné para compor a dupla de volantes ao lado de Adrien Rabiot”, informa o portal band.com.br, antecipando a tentativa de preservar a estrutura tática.
A provável França em campo tem Maignan; Koundé, Upamecano, Saliba e Digne; Manu Koné e Rabiot; Dembélé, Olise e Barcola; Mbappé. O desenho mantém o trio de ataque móvel, com Mbappé livre para se deslocar, Dembélé abrindo o campo e Olise circulando entre linhas.
Sem Tchouaméni, a seleção perde o jogador que equilibra as transições, encurta espaços à frente da área e inicia muitas saídas de bola. O risco é ver o time mais exposto a contra-ataques, principalmente se Koné demorar a ajustar o tempo de marcação. O Paraguai, acostumado a sofrer sem a bola e atacar em poucos toques, enxerga nesse vazio uma oportunidade.
Paraguai aposta em solidez, retorno de Diego Gómez e dúvida na zaga
O Paraguai de Alfaro se estrutura a partir da disciplina defensiva. A equipe cede pouco espaço entre as linhas, trabalha com linha de quatro protegida por volantes combativos e aceita ficar longos períodos sem a bola. A estratégia funciona diante da Alemanha, que para no bloqueio sul-americano e desaba nos pênaltis.
Para enfrentar a França, o técnico ganha o reforço do volante Diego Gómez, de volta após suspensão contra os alemães. Sua presença reequilibra o meio-campo e libera Galarza e Almirón para saírem mais ao jogo. Sem ele, o time perde intensidade e chegada à frente.
A grande incerteza está na zaga. Alderete, lesionado contra a Austrália, ainda é dúvida. Alfaro detalha a situação com cautela. “O zagueiro respondeu ao tratamento, mas um teste final antes do jogo definirá sua escalação”, afirma. Caso não atue, Canale, titular contra a Alemanha, assume a vaga ao lado de Gustavo Gómez.
Com isso, a provável formação paraguaia tem Orlando Gill; Cáceres; Gustavo Gómez, Canale (ou Alderete) e Junior Alonso; Diego Gómez, Cubas e Galarza; Almirón; Ávalos e Enciso. O ataque se apoia na presença física de Ávalos e na mobilidade de Enciso, que cai pelos lados e tenta explorar os espaços às costas dos laterais franceses.
O peso histórico também marca o encontro. França e Paraguai se enfrentam pela terceira vez em Mundial de Seleções, sempre com vitórias europeias. Em 1958 e 1998, os franceses avançam. A memória mais viva é a prorrogação dramática em 1998, quando o Paraguai cai com um gol de ouro em Saint-Denis. A geração atual tenta reescrever essa história.
Quartas em Boston e pressão ampliada para França e Paraguai
A vaga em disputa leva o vencedor a Boston, no dia 09/07, às 17h, para encarar Canadá ou Marrocos. O cruzamento interessa a quem sonha com um caminho menos pesado até a semifinal. O desempenho marroquino, porém, afasta qualquer ideia de facilidade.
A combinação de transmissão ao vivo pela CazéTV no YouTube e acompanhamento em tempo real pelo ge amplia a pressão. Cada decisão tática, cada falha individual, cada ajuste de Deschamps ou Alfaro ganha leitura imediata em redes sociais e programas esportivos. O árbitro uzbeque Ilgiz Tantashev e sua equipe também entram nesse ambiente de lupa permanente.
No campo, setores específicos tendem a definir o rumo da noite na Filadélfia. O meio-campo francês, redesenhado sem Tchouaméni, precisa provar que ainda controla ritmo e transição. A defesa paraguaia, com ou sem Alderete, terá de resistir a um ataque liderado por Mbappé, Dembélé e Olise, capaz de decidir em uma jogada isolada.
Se o plano francês funcionar, a equipe segue firme no roteiro previsto, ainda que com um buraco importante no centro do time. Se o Paraguai repetir a atuação sólida que derrubou a Alemanha, o Mundial pode ganhar mais uma surpresa sul-americana, capaz de redesenhar o mapa de favoritos.
Quando a bola rolar às 18h na Filadélfia, a França joga para manter o rumo e atravessar a turbulência causada por uma lesão que ameaça ir além das oitavas. O Paraguai entra em campo para alongar uma curva de crescimento que começa num 4 a 1 doloroso e chega a uma noite em que, pela primeira vez em 2026, uma vaga nas quartas parece ao alcance do braço.