Galarza, do relógio do juiz ao protagonismo no Paraguai

Meia de 24 anos supera expectativas e brilha no Mundial após trajetória modesta em clubes brasileiros e argentinos.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Matías Alejandro Galarza, 24, viveu em junho de 2026 a virada mais importante da carreira. Reserva na estreia do Paraguai no Mundial de Seleções, o meia assumiu a vaga de titular, decidiu a vitória por 1 a 0 sobre a Turquia e volta a ser decisivo nas oitavas contra a Alemanha, em campanha que coloca a seleção nas quartas e muda o status do jogador do River Plate.

Da reserva ao centro do Mundial

O roteiro começou mal para o Paraguai e para Galarza. Na estreia, derrota por 4 a 1 para os Estados Unidos, com o meio-campista no banco de reservas. A equipe de Gustavo Alfaro sofre com erros de marcação e pouca criatividade. O treinador decide mexer na base do time e aposta no jovem que chega ao torneio sem o rótulo de estrela.

“Depois de começar o Mundial como reserva diante dos Estados Unidos, Galarza ganhou a vaga de titular na equipe comandada por Gustavo Alfaro”, registra o LANCE!. A mudança ganha contornos de ponto de virada. Na rodada seguinte, contra a Turquia, o meia se aproxima da área logo no início, aparece como elemento-surpresa e marca o gol da vitória por 1 a 0.

O resultado recoloca o Paraguai na disputa pela vaga, leva a seleção à terceira posição do Grupo D, com três pontos, e elimina os turcos. Também projeta o meio-campista ao centro da campanha. “Galarza foi craque do jogo e o autor do gol do Paraguai que venceu a partida por 1 a 0 e assumiu a 3ª colocação do grupo D”, descreve o ge.

O relógio no pulso e a nova regra em campo

O jogo contra a Turquia, disputado sob tensão, entra para a crônica do Mundial não apenas pelo placar. Nos acréscimos do primeiro tempo, uma discussão entre jogadores provoca tumulto generalizado. O relógio eletrônico do árbitro salvadorenho Iván Barton cai no gramado. Galarza vê o acessório, recolhe e transforma o caos em cena improvável.

“Galarza pegou o relógio do juiz salvadorenho Iván Barton, colocou-o no pulso e ficou com ele por um curto período”, relata o UOL. As câmeras mostram o meia caminhando com o dispositivo, antes de devolvê-lo. A confusão, no entanto, é tudo menos leve. “O incidente ocorreu durante a expulsão do paraguaio Almirón, punido pelo VAR após colocar a mão na boca ao discutir, violando nova regra da FIFA”, lembra o ge.

A norma, criada para coibir ofensas e manifestações discriminatórias encobertas, proíbe jogadores de taparem a boca em discussões. Miguel Almirón se torna um dos primeiros expulsos pela regra, após revisão do vídeo. Barton mostra o vermelho, e o Paraguai termina o jogo com um a menos, sob pressão turca.

O gesto de Galarza com o relógio vira meme, circula nas redes e rende comparações bem-humoradas. Entre analistas, porém, o episódio ilustra o novo ambiente do futebol de alto nível, em que tecnologia, protocolos e limites de comportamento reconfiguram a relação entre atletas e arbitragem.

A travessia pelos clubes e a aposta do River

O brilho no Mundial é construído aos poucos, longe dos holofotes. Revelado pelo Olimpia, Galarza deixa Assunção ainda jovem para um empréstimo ao Vasco da Gama. No Rio, se destaca nas categorias de base e integra a equipe campeã da Copa do Brasil Sub-20 em 2020. Ganha espaço no profissional, é adquirido em definitivo e soma 58 partidas, com cinco gols e quatro assistências.

O início promissor esbarra na oscilação vascaína em campo e fora dele. Sem conseguir se firmar como titular, o meio-campista vai para o Coritiba por empréstimo, tenta retomar minutos e sequência. Depois, cruza a fronteira para o Talleres, em Córdoba, onde enfim encontra estabilidade. A regularidade convence os argentinos a investir. Em 2025, o clube exerce a opção de compra.

O bom desempenho no futebol local chama atenção do River Plate, que o tira do Talleres por cerca de 1,3 milhão de euros, aproximadamente R$ 7 milhões na época. O valor é modesto para padrões europeus, mas significativo para um jogador ainda em consolidação. “Na última temporada, o paraguaio ainda atuou por empréstimo no Atlanta United, dos Estados Unidos, retornando ao River Plate antes da disputa da Copa do Mundo”, registra o LANCE!.

A vitrine agora é global. Perfis em plataformas como Matías Galarza Transfermarkt e Galarza Sofifa começam a atualizar números e potencial. No Brasil, torcedores que lembram do desempenho discreto em São Januário e no Couto Pereira reavaliam a passagem do meia. Termos como “Galarza Vasco” e “Galarza Talleres” voltam a aparecer em buscas, agora associados ao Mundial.

Assistência, pênalti e projeção internacional

Se o jogo contra a Turquia recoloca o Paraguai na competição, a partida contra a Alemanha redefine o tamanho de Galarza na seleção. Nas oitavas de final, diante de um adversário historicamente mais forte, o meio-campista se impõe. “Na partida contra a Alemanha, o meio-campista deu a assistência para o gol de Julio Enciso, teve participação importante durante toda a partida e ainda converteu sua cobrança na disputa por pênaltis”, relata o LANCE!.

O Paraguai resiste, leva o duelo para as penalidades e elimina os alemães, com Galarza frio na batida contra Manuel Neuer. O time avança às quartas de final, alimenta o sonho de uma campanha histórica e amplia a vitrine para o camisa do River. No mercado, executivos de clubes europeus acompanham com atenção. O investimento de 1,3 milhão de euros, hoje, parece barganha.

O movimento também expõe o contraste com o futebol brasileiro. Vasco e Coritiba, que tiveram o jogador em seu elenco, veem de longe a valorização de um ativo que não conseguiram reter nem rentabilizar em patamar mais alto. A ascensão do paraguaio reforça a crítica recorrente à dificuldade dos clubes do país em desenvolver e proteger talentos em fase de amadurecimento.

Impacto no Paraguai e próximos capítulos

O efeito imediato recai sobre a seleção de Gustavo Alfaro. Com um meio-campista mais completo, capaz de organizar, pressionar e aparecer na área, o Paraguai ganha novos caminhos ofensivos. A presença de Galarza ajusta a ligação entre defesa e ataque, alivia veteranos e oferece alternativa a um modelo frequentemente mais reativo.

A campanha no Mundial já projeta consequências práticas. O River se vê pressionado a segurar o jogador após o torneio, ao mesmo tempo em que observa seu valor subir a cada partida, em um equilíbrio delicado entre necessidade esportiva e oportunidade financeira. Para o atleta, o torneio abre portas para ligas mais ricas e consolida a imagem de protagonista, não mais de promessa itinerante.

O Paraguai volta a campo em 25 de junho, contra a Austrália, em jogo que pode consolidar uma das trajetórias mais surpreendentes do torneio. A atuação de Galarza, dentro e fora da bola, será observada com lupa. O relógio que ele colocou no pulso por alguns segundos agora parece correr a seu favor.

 

Carregar Comentários