PF aponta atuação de rede internacional de lavagem de dinheiro em sete países; empresário investigado é considerado foragido

Operação mira organização suspeita de movimentar bilhões de reais para ocultar recursos do tráfico internacional de drogas. Investigação identifica empresas de fachada, criptomoedas e atuação em diversos países.
Redação NC News
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A Polícia Federal ampliou as investigações sobre uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas e apontou que um empresário investigado atuava como doleiro em pelo menos sete países. A operação, batizada de Exchange, foi deflagrada na sexta-feira (3) e cumpriu mandados de prisão e de busca em cidades do estado de São Paulo.

Segundo os investigadores, o grupo utilizava dezenas de empresas, movimentações financeiras complexas e operações com criptomoedas para esconder a origem do dinheiro. O principal alvo da investigação permanece foragido e também foi incluído recentemente em uma lista de sanções econômicas do governo dos Estados Unidos.

O que aconteceu?

A Operação Exchange foi deflagrada para desarticular uma rede investigada por lavagem de dinheiro ligada ao tráfico internacional de drogas.

Ao todo, foram expedidos mandados de prisão e de busca contra investigados suspeitos de integrar um sofisticado esquema financeiro que teria movimentado valores bilionários ao longo dos últimos anos.

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de bens, contas bancárias e criptoativos dos investigados, em valores que podem chegar a R$ 10,4 bilhões.

Como funcionava o esquema investigado?

De acordo com a investigação, a organização utilizava uma estrutura financeira considerada altamente sofisticada.

Segundo a Polícia Federal, o grupo recorria a:

  • empresas de fachada;
  • transferências nacionais e internacionais;
  • operações em criptomoedas;
  • movimentações entre pessoas físicas e jurídicas;
  • mecanismos típicos do mercado clandestino de câmbio.

Os investigadores afirmam que o objetivo era dificultar o rastreamento da origem dos recursos e permitir que valores provenientes do tráfico internacional fossem reinseridos na economia formal.

Em quais países o grupo atuava?

Segundo a Polícia Federal, o empresário investigado mantinha uma estrutura operacional em pelo menos sete países.

A atuação internacional permitia movimentar recursos entre diferentes jurisdições, utilizando empresas registradas fora do Brasil e operações financeiras em moedas distintas.

Essa característica levou os investigadores a classificar a organização como uma rede transnacional de lavagem de dinheiro.

Quem é o principal investigado?

O principal alvo da operação é o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada.

Segundo a Polícia Federal, ele é apontado como responsável por coordenar a estrutura financeira utilizada para movimentar recursos ilícitos.

As investigações indicam que ele utilizava mais de 70 empresas para realizar operações financeiras suspeitas.

Até a publicação desta reportagem, ele permanecia foragido.

O que dizem os investigadores?

Os investigadores afirmam que o grupo operava como uma espécie de “banco paralelo” para organizações criminosas.

Segundo a Polícia Federal, havia utilização de tecnologia financeira, contas empresariais, criptomoedas e empresas registradas em diferentes países para ocultar o caminho percorrido pelo dinheiro.

A investigação também aponta que parte das movimentações tinha relação com organizações ligadas ao tráfico internacional de drogas.

O que diz a defesa?

A defesa de Victor Shimada informou que ainda analisava o conteúdo das decisões judiciais quando teve conhecimento da operação.

Em manifestações anteriores, os advogados negaram qualquer participação do empresário em organização criminosa ou em esquema de lavagem de dinheiro e afirmaram confiar que os fatos serão esclarecidos durante o processo judicial.

Qual o impacto da investigação?

Especialistas apontam que operações dessa natureza buscam atingir a estrutura financeira das organizações criminosas.

Ao bloquear contas, empresas e patrimônios, as autoridades procuram interromper o fluxo de recursos utilizado para financiar atividades ilícitas.

A cooperação internacional também é considerada fundamental porque parte das movimentações financeiras ocorre fora do Brasil, exigindo troca de informações entre diferentes países.

O que acontece agora?

A Polícia Federal continuará analisando documentos, aparelhos eletrônicos, registros bancários e movimentações internacionais apreendidas durante a operação.

Os investigados poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e outros delitos que vierem a ser confirmados durante as apurações.

As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas.

Entenda o contexto

A lavagem de dinheiro é uma das principais ferramentas utilizadas por organizações criminosas para esconder a origem de recursos obtidos ilegalmente. Segundo as autoridades, grupos envolvidos em tráfico internacional costumam utilizar empresas de fachada, contas de terceiros, investimentos e ativos digitais para dificultar o rastreamento do dinheiro.

A Operação Exchange busca desarticular justamente essa estrutura financeira. Embora as investigações apontem indícios de atuação internacional, os fatos ainda estão sendo apurados e os investigados têm direito à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.

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