Escritório de ministra do STM recebeu R$ 700 mil de empresa citada em investigação; sócio formal diz ser “laranja”

Pagamento ocorreu antes da posse de Verônica Sterman no Superior Tribunal Militar; ministra afirma que valor foi por serviços jurídicos e nega relação com empresário investigado
Redação NC News
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O escritório de advocacia da atual ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Abdalla Sterman, recebeu R$ 700 mil de uma empresa que aparece em investigações ligadas ao chamado “Careca do INSS”.  O pagamento ocorreu no fim de 2024, período em que Sterman ainda atuava na advocacia privada.

O caso voltou a ganhar repercussão após o sócio formal da empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia afirmar à Polícia Civil de São Paulo que seria apenas um “laranja” e que vendeu seus dados pessoais por R$ 5 mil para a abertura do CNPJ. A investigação segue em andamento e, até o momento, não há acusação formal contra a ministra.

O pagamento de R$ 700 mil ao escritório de Verônica Sterman consta em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) elaborado pelo Coaf e enviado à CPMI do INSS. Segundo documentos citados nas investigações, a transferência foi feita pela ACX ITC Serviços de Tecnologia em parcela única, antes de Sterman assumir uma cadeira no STM.

O tema passou a chamar mais atenção após o depoimento do homem registrado como proprietário da empresa.

Quem são os envolvidos?
Os principais nomes ligados ao caso até agora são:

  • Verônica Abdalla Sterman, ministra do STM;
  • Antônio Carlos Camilo Antunes, empresário conhecido como “Careca do INSS”;
  • Ericsson de Azevedo, registrado como sócio formal da ACX ITC;
  • A empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia, citada em investigações financeiras.

Segundo documentos da CPMI do INSS, a ACX ITC faria parte de uma rede com mais de 40 empresas apontadas como suspeitas de movimentar recursos financeiros dentro de uma estrutura investigada por lavagem de dinheiro. O relatório cita movimentações de cerca de R$ 39 bilhões.

Qual a relação política de Verônica Sterman com nomes ligados ao PT?

Outro ponto que passou a chamar atenção após a repercussão do caso envolve a trajetória profissional e a aproximação política atribuída à ministra Verônica Sterman.

Sterman foi indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar uma cadeira no Superior Tribunal Militar em 2025. Antes de assumir o cargo, ela atuava na advocacia e teve entre seus clientes nomes conhecidos da política nacional, incluindo a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o ex-ministro Paulo Bernardo.

Posse da ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Abdalla Sterman, no dia 30 de novembro de 2025, em Brasília.

Durante sua posse, Verônica Sterman fez agradecimentos públicos a pessoas que fizeram parte de sua trajetória profissional, incluindo ex-clientes. O episódio gerou repercussão política e alimentou críticas de adversários do governo, que questionam critérios adotados nas indicações para tribunais superiores.

Especialistas em direito e política costumam lembrar, porém, que a atuação prévia como advogada de figuras públicas não configura irregularidade e, por si só, não representa impedimento automático para nomeações em cortes superiores.

Lula ao lado de Verônica Sterman, indicada ao STM, a primeira-dama Janja (à esquerda) e a ministra Gleisi Hoffmann (à direita) — Foto: Reprodução/Assessoria/PR

No atual estágio das informações conhecidas, não há indicação pública de que a nomeação da ministra esteja relacionada às investigações envolvendo empresas citadas no caso. As discussões existentes até o momento ocorrem principalmente no campo político e da repercussão pública.

Como surgiu a suspeita sobre a empresa?

As investigações ganharam novos elementos após o depoimento prestado pelo sócio formal da ACX ITC à Polícia Civil. De acordo com o relato, Ericsson afirmou ter enfrentado dificuldades financeiras e disse ter recebido R$ 5 mil para permitir o uso de seus dados pessoais na abertura do CNPJ.

Ele também declarou que recebia valores em dinheiro quando precisava assinar documentos relacionados à empresa e afirmou não controlar efetivamente as operações da companhia.

O que diz a ministra Verônica Sterman?

A ministra afirma que o pagamento recebido não teve relação com qualquer irregularidade.

Segundo manifestação atribuída à defesa e à assessoria da magistrada, os R$ 700 mil corresponderiam ao pagamento por três pareceres jurídicos na área criminal elaborados quando ela ainda atuava como advogada. Sterman também declarou desconhecer qualquer vínculo entre a empresa e o empresário conhecido como Careca do INSS.

O que dizem as investigações?

Até agora, os documentos públicos apontam suspeitas sobre movimentações financeiras e sobre a estrutura empresarial investigada.

É importante destacar que relatórios financeiros e investigações servem para identificar operações consideradas atípicas, mas não representam automaticamente prova de crime.

Também não há, até o momento, informação pública indicando que a ministra seja investigada ou acusada formalmente pelas autoridades.

O que acontece agora?

Os próximos passos devem incluir a continuidade das análises sobre movimentações financeiras, estrutura societária das empresas citadas e eventuais conexões identificadas pelas autoridades. Novos depoimentos, perícias e análises bancárias podem ampliar ou afastar suspeitas levantadas até aqui.

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