Delação de empresário do caso INSS entra na fase final e pode revelar quem comandava o esquema

Maurício Camisotti já prestou ao menos dez depoimentos à Polícia Federal e entregou um organograma com nomes e funções de integrantes do grupo investigado
Redação NC News
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A investigação sobre a fraude bilionária no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entrou em uma nova etapa. O empresário Maurício Camisotti assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República e já prestou pelo menos dez depoimentos aos investigadores. Segundo informações da apuração, ele também entregou um organograma que detalha a estrutura e os participantes do esquema.

Agora, a colaboração está na fase final antes de ser encaminhada para homologação no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão caberá ao ministro André Mendonça.

O que Camisotti contou aos investigadores?

Apontado pela Polícia Federal como um dos operadores financeiros do esquema, Camisotti teria apresentado aos investigadores informações sobre como funcionava a estrutura das fraudes e quem ocupava diferentes posições dentro dela.

De acordo com a apuração, o empresário identificou nomes e funções no organograma entregue às autoridades. Ele também teria detalhado a atuação de pessoas envolvidas no esquema de descontos associativos realizados sobre aposentadorias e pensões.

As fraudes investigadas podem ter movimentado até R$ 6,5 bilhões ao longo de pelo menos seis anos.

Quem é o empresário?

Maurício Camisotti foi preso em dezembro do ano passado, na mesma operação que levou à prisão Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Segundo informações obtidas pela investigação, Camisotti é considerado um operador financeiro das fraudes. Investigadores avaliam que os depoimentos prestados por ele ajudaram a avançar o inquérito.

A defesa de Antunes afirmou que desconhece as acusações apresentadas contra ele.

Quanto dinheiro passou pelas empresas ligadas a Camisotti?

As informações também chamam atenção pelo volume de dinheiro movimentado. Segundo dados analisados pela CPMI do INSS, três entidades investigadas teriam realizado repasses que, somados, ultrapassam R$ 800 milhões.

Desse total, aproximadamente R$ 350 milhões teriam chegado diretamente a empresas ligadas a Camisotti.

O empresário, porém, não foi incluído na lista de 54 pessoas indiciadas pela Polícia Federal nos relatórios mais recentes da investigação. Segundo a apuração, ele passou a colaborar com as autoridades, o que ajuda a explicar a situação jurídica diferenciada dentro do caso.

“Careca do INSS” aparece como peça central

Um dos pontos mais relevantes da delação é a indicação de Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, como um dos principais articuladores do esquema.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, Camisotti teria apontado Antunes como um “orquestrador” da estrutura investigada. Os dois foram presos no mesmo dia, durante a Operação Sem Desconto, em dezembro de 2025.

A acusação, entretanto, ainda integra o conjunto de informações que precisa ser analisado e confrontado com outras provas.

PF já indiciou 54 pessoas

A colaboração acontece enquanto a investigação da Polícia Federal avança em outras frentes. Dois relatórios foram concluídos neste mês, com o indiciamento de 54 pessoas consideradas integrantes do chamado “núcleo operacional”.

Entre os nomes estão o próprio “Careca do INSS”, o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira, além de integrantes da antiga cúpula do instituto e dirigentes de associações de aposentados.

É importante separar as etapas: indiciamento não significa condenação. A investigação ainda precisa avançar, e eventuais responsabilidades serão definidas pela Justiça.

O que acontece agora?

A delação de Camisotti ainda precisa passar por uma etapa decisiva: a homologação pelo STF.

Na prática, o ministro André Mendonça terá que avaliar se o acordo atende aos requisitos legais para produzir efeitos e permitir eventual concessão de benefícios ao colaborador.

Enquanto isso, Camisotti permanece custodiado em uma unidade da Polícia Federal em São Paulo. A permanência dele na PF foi determinada por Mendonça justamente em razão das negociações e dos depoimentos relacionados à colaboração.

Entenda o contexto

O caso envolve suspeitas de descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A investigação busca identificar como o dinheiro era retirado dos beneficiários e distribuído entre entidades, empresas e operadores.

A PF estima que o esquema tenha movimentado até R$ 6,5 bilhões durante pelo menos seis anos. A nova delação pode ser importante justamente porque Camisotti é apontado como um operador financeiro e, segundo a apuração, teria apresentado aos investigadores uma visão detalhada da estrutura do grupo.

Agora, o ponto central é saber quais informações serão confirmadas por outras provas e quais consequências elas poderão trazer para os demais investigados.

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