Gustavo Gómez vira símbolo de resistência em Mundial de 2026

Capitão paraguaio se destaca no Mundial de 2026 mesmo com derrota para a França.
Redação NC News
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Capitão do Paraguai e zagueiro do Palmeiras, Gustavo Gómez encerra neste 4 de julho de 2026 uma campanha de afirmação no Mundial de Seleções. A derrota por 1 a 0 para a França, em Filadélfia, elimina a equipe nas oitavas de final, mas consolida o defensor como símbolo de resistência e liderança dentro e fora de campo.

Paraguai cai de pé contra potência francesa

O único gol da noite nasce de um detalhe. Aos 25 minutos do segundo tempo, Desiré Doué sofre pênalti dentro da área. Kylian Mbappé converte, define o placar e leva a França às quartas. O time europeu, campeão em 2018 e vice em 2022, celebra com alívio. A sensação, no estádio e nas redes, é de que o Paraguai leva o duelo ao limite.

A seleção sul-americana mantém a mesma estratégia que eliminou a Alemanha nos pênaltis na fase anterior. Linha defensiva compacta, meio-campo agressivo e um capitão que comanda cada movimento a gritos. Gómez orienta cobertura, corrige posicionamento, trava divididas decisivas. Mbappé, que chega ao jogo com 6 gols em 4 partidas neste Mundial e 18 em 18 jogos na história do torneio, encontra pouco espaço.

O técnico Gustavo Alfaro resume o sentimento da delegação ao deixar o gramado. “Hoje, se não fosse por esse pênalti, não teriam marcado. Por isso os franceses festejaram como festejaram no fim, e terminaram o jogo ganhando tempo”, diz, ao jornal paraguaio ABC. O meia Matías Galarza, ex-Vasco e Coritiba, ecoa a leitura. “É a melhor seleção do mundo e terminaram o jogo fazendo cera. Estou orgulhoso do que fizemos.”

Liderança em campo, devoção nas arquibancadas

O Mundial marca o retorno do Paraguai à fase final do torneio após 16 anos de ausência. Nesse intervalo, o país assiste à ascensão de Gustavo Gómez no futebol de clubes, especialmente no Palmeiras, onde empilha títulos, gols importantes e se torna referência de vestiário. Em Filadélfia, essa autoridade se transfere para a seleção.

Contra a França, ele forma parede com o companheiro Omar Alderete. A dupla afasta cruzamentos, bloqueia finalizações e força o adversário a insistir em jogadas individuais. Mbappé sofre com a marcação dura e precisa de um lance isolado, a penalidade, para enfim decidir. A França passa, mas não passa por cima.

Nas redes paraguaias, o capitão vira personagem de culto imediato. “Eu te amo, Gustavo, meu capitão carajo, uma muralha todo o mundial, mundialazo você fez, nunca mais ninguém pode te dizer que você não é o que é no seu clube”, escreve um torcedor. Outro já projeta o futuro fora das quatro linhas: “Gustavo Gómez quando se aposentar tem que ser o técnico do Paraguai. Já deve estar esperando esse papel por ele.”

O tom é de gratidão, quase desabafo coletivo. “Gustavo Gómez, eu te amooooooo, você fez seus companheiros voltarem a sentir o que é amar a Albirroja, acho que o que mais merecia que isso aconteça, mas ainda há caminho pela frente”, diz outra mensagem. A fritadeira em que tantos ídolos paraguaios já caíram dá lugar a um raro consenso em torno do zagueiro.

Orgulho, mercado e o peso de um capitão

Gómez responde às manifestações com sobriedade, na zona mista do estádio. “Estou muito orgulhoso dos meus companheiros, do que fizemos neste Mundial. Nós entramos em campo para defender nossa seleção. Temos que seguir trabalhando para elevar o nível do futebol paraguaio”, afirma o defensor do Palmeiras, que também é um dos líderes mais influentes do elenco alviverde, ao lado de Weverton e de jovens em ascensão como Endrick.

A atuação no Mundial reforça a reputação construída em São Paulo desde sua chegada ao clube, em 2018, após passagem apagada pelo Milan. No Palmeiras, o paraguaio se afasta da pecha de zagueiro em má fase na Europa e se torna um dos estrangeiros mais vitoriosos da história recente do futebol brasileiro, conhecido não só pelos desarmes e gols em bolas paradas, mas também pela capacidade de segurar vestiários sob pressão.

O desempenho nos Estados Unidos devolve essa imagem ao cenário internacional. A leitura entre analistas é que o zagueiro, hoje com status consolidado, volta a atrair interesse de mercado europeu e sul-americano. A camisa 15 alviverde ganha ainda mais lastro quando os números e o contexto se cruzam: ele lidera uma defesa que segura a França até um pênalti discutido, após já ter participado da eliminação da tetracampeã Alemanha.

Para o futebol paraguaio, a campanha reabre uma porta que parecia trancada desde 2010, quando a geração de Roque Santa Cruz e companhia alcança as quartas no torneio. A atual seleção não vai tão longe, mas resgata identidade competitiva. No centro dessa reconstrução está um defensor que, ainda em atividade, já é tratado como futuro treinador da própria seleção.

Depois da eliminação, o que fica

Alfaro tenta enquadrar a campanha na realidade de um time que volta ao grande palco após quase duas décadas. “Nós voltamos à Copa após 16 anos e enfrentamos um rival que foi campeão na Rússia (2018) e vice no Catar (2022)”, lembra. A frase funciona como síntese do feito e do limite.

A derrota também preserva a narrativa em torno de Mbappé. O francês chega a 19 gols em Mundiais com o pênalti em Filadélfia e segue a perseguição a Lionel Messi, que soma 20. A disputa particular pela artilharia histórica ganha um capítulo dramático, com o atacante francês superando uma defesa que, por 70 minutos, parece intransponível.

No Paraguai, a discussão se volta menos ao resultado e mais ao que fazer com o capital simbólico construído. A federação local precisa transformar a campanha em projeto, investindo em formação e dando sequência a uma base que inclui nomes como Galarza e Alderete. A imagem de um time organizado e combativo interessa também à mídia esportiva e a clubes estrangeiros, que passam a olhar para o país além de um ou outro talento isolado.

Gustavo Gómez retorna ao Palmeiras ainda mais central. Leva na bagagem uma atuação que reforça sua autoridade junto a companheiros e torcedores, e que alimenta o imaginário de um futuro técnico da seleção. A próxima temporada, tanto em clube quanto na Albirroja, deve mostrar se o Mundial de 2026 foi ponto alto isolado ou início de um ciclo em que o Paraguai deixa de ser figurante e volta a disputar espaço entre as seleções mais competitivas do continente.

Qual foi a atuação de Gustavo Gómez contra a França na Copa?

Ele liderou a defesa paraguaia com firmeza, reduziu os espaços para Mbappé e comandou a linha defensiva que só foi vazada em um pênalti aos 25 do segundo tempo.

Por que Gustavo Gómez disse que sai da Copa orgulhoso da campanha do Paraguai?

Porque o Paraguai voltou ao Mundial após 16 anos, eliminou a Alemanha, enfrentou de igual para igual a França e, segundo ele, defendeu com honra a seleção.

Qual a importância de Gustavo Gómez na defesa do Paraguai contra a França?

Ele organizou o sistema defensivo, venceu duelos pelo alto e por baixo, deu segurança a Alderete e foi o principal responsável pela solidez da equipe.

Quantos gols Gustavo Gómez marcou na Copa do Mundo?

O texto não registra gol de Gustavo Gómez neste Mundial; a projeção em torno dele se deve ao desempenho defensivo e à liderança, não a bolas na rede.

Qual a trajetória de Gustavo Gómez antes de chegar ao Palmeiras?

Ele se destaca no futebol paraguaio, passa pelo Lanús na Argentina, é contratado pelo Milan, onde não se firma, e, em 2018, chega ao Palmeiras para se consolidar.


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