Em Washington, Flávio Bolsonaro discursa contra tarifas e critica ausência do governo federal em audiência

O senador e pré-candidato à Presidência utilizou suas redes sociais para divulgar o pronunciamento feito no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), atacando a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva e sinalizando palanque eleitoral no exterior.
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou um vídeo em suas redes sociais nesta terça-feira (7), direto de Washington, D.C., logo após realizar seu pronunciamento na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O parlamentar viajou à capital americana para tentar conter a aplicação das novas propostas de sobretaxas alfandegárias de até 37,5% que ameaçam mais de 4 mil produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

No vídeo, gravado em tom de relatório político e eleitoral, o senador detalhou a estratégia adotada diante do comitê econômico da gestão de Donald Trump e centrou fogo na atual condução diplomática brasileira.

Defesa técnica, palanque político e acusações ao Planalto

De acordo com Flávio Bolsonaro, a exposição de seus cinco minutos de fala mesclou argumentos técnicos de mercado com uma forte narrativa de oposição ao Palácio do Planalto. O senador acusou o presidente Lula de agir de forma deliberada para atrair as punições comerciais americanas de olho em supostos dividendos eleitorais internos.

“Fizemos aqui uma defesa técnica, mas também política, explicando que o único que quer essa tarifa no Brasil é o Lula, achando que isso pode ter algum benefício eleitoral para ele”, declarou o parlamentar no vídeo.

O senador também destacou o ambiente da audiência — o Painel 8, focado na investigação da Seção 301 —, apontando que o local estava tomado por representantes do setor produtivo privado, juristas e defensores das marcas nacionais, mas criticou duramente a ausência de interlocutores ministeriais do atual governo federal na bancada de oradores.

“É impressionante como é que tinha todo mundo lá, os defensores das empresas, dos produtos brasileiros, advogados, empresários, mas não tinha ninguém, nenhumzinho do governo Lula escalado para fazer a defesa nessa espécie de tribunal”, alfinetou Flávio, lembrando que o relatório do USTR servirá de subsídio para a canetada e decisão política final do presidente Donald Trump, prevista para ocorrer até o dia 15 de julho.

Discurso mira eleições e adota slogan em inglês

Demonstrando forte otimismo com os desdobramentos de sua participação na audiência de Washington (onde também discursaram os representantes da CNI, Roberto Azevêdo, e da Abicalçados, Letícia Sperb Masselli), Flávio Bolsonaro aproveitou a gravação para reforçar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto para o próximo ciclo de votações.

O senador ironizou a sigla do Partido dos Trabalhadores, criando um trocadilho em língua inglesa para classificar a política fiscal da atual gestão econômica. “E aí, gente, vocês sabem, o PT é o partido das taxas, e a gente, em inglês, tax party. Esse é o PT que a gente tem hoje, que está pensando em disputa de poder ao invés de pensar em defender o povo brasileiro”, afirmou.

O parlamentar encerrou a gravação de um minuto adotando uma linha de discurso incisiva e polarizada, conectando a geopolítica de sanções dos EUA ao cenário de segurança pública brasileiro: “Sigo defendendo os brasileiros, enquanto o Lula segue defendendo os bandidos brasileiros”.

A viagem e a desenvoltura do senador em Washington ocorrem em meio a um momento de forte turbulência em sua base no Rio de Janeiro, com o avanço da Operação Unha e Carne da Polícia Federal sobre seu aliado Márcio Canella, e o tensionamento público na dinâmica familiar após os recentes vídeos publicados por sua madrasta, Michelle Bolsonaro.

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