O júri popular de Jeander Vinícius da Silva Braga, um dos acusados de participar do assassinato do ator Jeff Machado, teve início às 11h desta quarta-feira (8), no I Tribunal do Júri, no centro do Rio de Janeiro. O julgamento marca um capítulo decisivo na busca por justiça para um crime marcado por extrema crueldade, manipulação familiar e tentativa de ocultação perfeita.
O apelo da mãe e a viagem por justiça
A mãe do ator, a pedagoga Maria das Dores Machado, viajou de Santa Catarina ao Rio de Janeiro acompanhada de um dos filhos e de um advogado para acompanhar o julgamento de perto. Convocada também para depor, ela resumiu a dor e a expectativa de três anos de espera.
- Busca por respostas: “É uma ansiedade muito grande, algo que a gente desejou por três anos. Desde que eles foram presos estamos esperando. Pedimos a pena máxima. Nada vai trazer meu filho de volta, mas que eles sejam julgados corretamente.”
- O peso da ganância: Maria das Dores classificou o assassinato como um crime “maquiavélico” e planejado. “Eles acharam que tinham cometido o crime perfeito. Eles trocaram a vida de um jovem por um carro, por dinheiro”, desabafou.
A cronologia de um “crime perfeito”
O assassinato de Jeff Machado expôs a vulnerabilidade de profissionais do meio artístico diante de falsos atravessadores e promessas de carreira. A investigação revelou detalhes macabros do plano executado pelos criminosos:
- O Golpe e o Assassinato (Janeiro de 2023): Jeff foi drogado e estrangulado com um fio de telefone dentro de sua própria casa, em Vargem Grande, zona oeste do Rio. A motivação apontada pela polícia foi financeira: o produtor Bruno de Souza Rodrigues, mentor do crime, teria aplicado um golpe de R$ 18 mil no ator sob a falsa promessa de papéis na TV. A morte foi a saída encontrada para não ser desmascarado.
- A Farsa: Durante os quatro meses em que o corpo esteve desaparecido, Bruno se apropriou do celular da vítima. Ele enviava mensagens se passando por Jeff, alimentando na família a ilusão de que o ator estava vivo e viajando.
- A Descoberta (Maio de 2023): O corpo do artista foi encontrado concretado dentro de um baú, enterrado em um imóvel alugado por Bruno em Guaratiba.
Acusações, desmembramento e o que está em jogo
O processo foi desmembrado pela Justiça. Bruno de Souza Rodrigues, apontado como o mentor, optou pelo silêncio durante as oitivas e tem seu júri previsto para o dia 10 de dezembro.
No julgamento desta quarta-feira, o conselho de sentença — formado por sete jurados — decide o futuro apenas de Jeander Vinícius. Ele responde pelos seguintes crimes:
- Homicídio qualificado.
- Ocultação de cadáver.
- Maus-tratos a animais: A denúncia inclui o abandono dos oito cães da vítima, deixados à própria sorte após o assassinato do tutor, fato que mobilizou fortemente os defensores da causa animal.
A defesa de Jeander deve insistir na tese de que ele não teve participação direta na execução do homicídio. Para a acusação e para a família, a condenação severa de Jeander é fundamental não apenas para dar uma resposta ao caso, mas também para balizar o nível de rigor que será aplicado no futuro julgamento do mentor do crime.
Detalhes sobre o caso
Jeff Machado foi morto em janeiro de 2023, dentro de sua própria casa, após ser drogado e estrangulado. Seu corpo só foi encontrado quatro meses depois, concretado dentro de um baú enterrado em um imóvel na zona oeste do Rio.
O produtor artístico Bruno de Souza Rodrigues é apontado pelo Ministério Público como o mentor do crime. Jeander Vinícius da Silva Braga, que está sendo julgado agora, é acusado de participação no homicídio e na ocultação do cadáver.
A motivação apontada pelas investigações é financeira. Bruno teria aplicado um golpe de R$ 18 mil em Jeff, prometendo facilitação para trabalhos e papéis na televisão, e decidiu matá-lo para evitar ser descoberto.
Além do homicídio e da ocultação de cadáver, os acusados respondem por maus-tratos a animais porque abandonaram os oito cães que pertenciam ao ator, deixando-os sem água, comida e cuidados após o crime.