Candomblecista denuncia intolerância religiosa após proprietário cancelar aluguel de imóvel na Bahia

Jovem afirma que negociação foi interrompida depois que dono da casa descobriu que ele seguia uma religião de matriz africana; caso foi registrado na polícia e levado à Justiça.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Um jovem praticante do candomblé denunciou ter sido vítima de intolerância religiosa após ser impedido de alugar um imóvel em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, na Bahia. Segundo o relato, o proprietário desistiu da negociação depois de descobrir sua religião por meio da foto de perfil em um aplicativo de mensagens.

O caso foi registrado na Delegacia de Itinga, em Lauro de Freitas. Além da denúncia criminal, a vítima também ingressou com uma ação na esfera cível pedindo indenização pelos danos sofridos.

VEJA TAMBÉM:

Liderança do Comando Vermelho na Bahia é presa ao tentar deixar o Rio

Entenda o que aconteceu

De acordo com Everton Nunes, ele visitou o imóvel acompanhado da irmã e chegou a pagar R$ 200 como sinal para garantir a locação da casa. Durante a visita presencial, segundo ele, não houve qualquer questionamento sobre sua religião.

A situação mudou após uma conversa com o proprietário por aplicativo de mensagens. Na foto de perfil de Everton, ele aparecia utilizando adereços ligados às religiões de matriz africana, como contas e búzios.

Segundo o jovem, foi nesse momento que o dono do imóvel informou que a locação poderia não ser concretizada devido à sua crença religiosa.

“Ele viu minha foto de perfil com adereços religiosos e mandou mensagem dizendo que haveria um problema por causa da minha religião”, contou.

Mensagens indicam motivo da desistência

Em uma das mensagens apresentadas por Everton, o proprietário afirma que a maioria dos moradores do local é evangélica e que a diferença religiosa poderia gerar conflitos.

Na conversa, o homem informou que preferia devolver o valor pago como sinal para evitar possíveis problemas futuros entre moradores do imóvel.

Everton respondeu afirmando que a religião é uma questão pessoal e que não deveria influenciar na possibilidade de uma pessoa alugar uma residência. Para ele, impedir a locação por causa da fé representa uma forma de discriminação.

Caso foi levado à polícia e à Justiça

Além do registro da ocorrência na Delegacia de Itinga, o jovem procurou a Justiça para buscar reparação pelo episódio.

Segundo o advogado Gustavo Azevedo, as mensagens trocadas entre as partes seriam suficientes para demonstrar a materialidade da suposta prática de intolerância religiosa.

A defesa de Everton sustenta que a negativa do aluguel ocorreu exclusivamente em razão de sua religião, o que pode configurar discriminação prevista na legislação brasileira.

27ª Delegacia Territorial de Itinga — Foto: Divulgação/Polícia Civil

LEIA TAMBÉM:

PSOL lança “bancada da macumba” para eleger representantes de religiões de matriz africana

Proprietário alegou experiências anteriores

Nas mensagens divulgadas pelo denunciante, o proprietário também afirmou que já havia enfrentado problemas com uma antiga locatária que seguia religião de matriz africana e que essa experiência influenciou sua decisão.

O homem ainda pediu desculpas pela situação. Até a publicação do caso pela imprensa, ele não havia se manifestado publicamente sobre a denúncia.

Entenda o contexto

A intolerância religiosa é considerada crime no Brasil. A legislação garante a liberdade de crença e protege o livre exercício de cultos religiosos, independentemente da religião praticada.

Nos últimos anos, entidades de defesa dos direitos humanos têm alertado para o aumento de denúncias envolvendo discriminação contra adeptos de religiões de matriz africana, como candomblé e umbanda. Especialistas destacam que impedir o acesso a serviços, oportunidades ou direitos em razão da religião pode configurar violação da legislação brasileira.

AS MAIS LIDAS DO NC NEWS:

Quaest: Lula tem 36% e Flávio Bolsonaro, 29%, a menos de um mês do 1º turno

Mulher de PM é encontrada morta com tiro em casa, e polícia investiga caso em SP

 

Flávio Bolsonaro mobiliza direita na Paulista em ato contra Lula e Moraes

Carregar Comentários