Greve de caminhão-tanque ameaça combustível no ES

Paralisação dos motoristas pode afetar o abastecimento de combustíveis no Espírito Santo em poucos dias.
Redação NC News
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Motoristas de caminhão-tanque do Espírito Santo prometem paralisar as atividades a partir da próxima segunda-feira, 13. A greve, anunciada após cinco rodadas de negociação fracassadas com o setor patronal, já acende o alerta para falta de combustíveis nos postos do estado.

Alerta para o dia 13 e risco imediato de desabastecimento

No vídeo que circula nas redes sociais, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Espírito Santo (Sindirodoviários-ES), Marcos Alexandre da Silva, o Marquinhos Jiló, fala em tom de urgência. Ele recomenda que motoristas capixabas abasteçam os veículos antes da noite de domingo, 12, véspera da paralisação.

A preocupação não é retórica. Os caminhões-tanque são o elo que liga bases de distribuição e terminais portuários aos postos de combustíveis. Sem eles nas estradas, gasolina, diesel e etanol deixam de circular. Com estoques médios para apenas 2 a 3 dias, parte da rede varejista pode sentir os efeitos ainda na virada de 12 para 13.

A possibilidade de filas e bombas secas volta ao centro do debate econômico local. O Espírito Santo depende majoritariamente do transporte rodoviário para atender o consumo diário de combustíveis. Uma paralisação de alguns dias basta para pressionar preços e alterar rotinas de trabalho, transporte coletivo e serviços essenciais.

Negociações travam após cinco rodadas

A decisão de cruzar os braços nasce de uma mesa de negociações que não avança. Segundo o Sindirodoviários-ES, foram cinco rodadas com os empresários, representados pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas Líquidas, Inflamáveis e Químicas (Sindliqes) e pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas & Logística (Transcares).

Os motoristas pedem reajustes salariais e melhorias em benefícios, em linha com a inflação e com o risco da atividade de transportar cargas inflamáveis. As contrapropostas patronais são consideradas insuficientes. A categoria afirma que os números oferecidos ficam abaixo da correção inflacionária e não compensam jornadas longas em estradas cada vez mais violentas.

“O Sindirodoviários sempre buscou o diálogo e melhoria de condições para esses trabalhadores, mas infelizmente não conseguimos avançar”, afirma Marquinhos Jiló, no vídeo divulgado. A fala sintetiza o desgaste acumulado desde o início das conversas, em cenário de pressão também vinda de Brasília.

No plano nacional, motoristas defendem a aprovação da Medida Provisória 1343/2026, que propõe um piso salarial fixo de R$ 5.000,00 para condutores de cargas de longa distância. O texto ainda circula no Congresso e funciona como pano de fundo para as reivindicações no Espírito Santo. Para a base capixaba, a falta de um piso nacional agrava o descompasso entre responsabilidade e remuneração.

Setor de combustíveis já vinha sob pressão

A greve de caminhão-tanque chega a um mercado que não opera com folga. Semanas antes do anúncio, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Espírito Santo (Sindipostos-ES) já alertava para riscos de falta de produtos por problemas logísticos fora do controle dos postos.

Atrasos de navios petroleiros e limitações operacionais em estados vizinhos vinham pressionando a reposição de estoques nas bases que atendem o Espírito Santo. A infraestrutura local de armazenamento, segundo o Sindipostos-ES, trabalha próxima do limite de capacidade, sem grandes tanques de segurança.

Na prática, a maioria dos postos depende de entregas diárias ou, no máximo, a cada 48 horas. Qualquer interrupção no fluxo de caminhões-tanque se reflete rapidamente nas bombas. A paralisação anunciada, portanto, funciona como um acelerador de uma engrenagem já tensionada.

Empresas de transporte urbano, frotas de caminhões de carga geral, cooperativas de táxi e motoristas por aplicativo se veem em posição delicada. Uma corrida antecipada aos postos pode esgotar estoques em horas, antes mesmo de a greve se consolidar. A imagem de filas longas e consumidores racionando viagens volta ao horizonte.

Quem perde, quem pressiona e o que pode mudar

A paralisação dos tanqueiros afeta primeiro o consumidor comum, que depende do carro ou da moto para trabalhar. Em seguida, atinge o coração da logística capixaba: caminhões de alimentos, insumos industriais e serviços que precisam de combustível para rodar.

Empresas de transporte e comércio sentem o impacto em cascata. Qualquer atraso de entregas gera custos extras, perda de vendas e dificuldades para cumprir contratos. A economia local, que usa o transporte rodoviário como base, fica mais vulnerável a choques de oferta de combustíveis.

Do lado patronal, Sindliqes e Transcares ainda não fazem manifestações públicas sobre o anúncio de greve. A pressão, porém, tende a crescer conforme o desabastecimento se aproxima. O próprio Sindipostos-ES, que representa os varejistas de derivados de petróleo, já chama atenção para a gravidade do cenário.

Se as bombas secarem, o desgaste recai sobre empresas de transporte, governo estadual e categoria de motoristas. Em momentos assim, a conta política costuma aparecer rápido, com cobranças por intervenção do poder público, mediação de conflitos e planos de contingência para serviços essenciais.

No discurso aos trabalhadores, o Sindirodoviários-ES tenta equilibrar firmeza e disposição para negociar. “O Sindirodoviários vai ficar atento caso o patronal chame a gente pra sentar, dialogar de novo e resolver a situação desses trabalhadores. Estaremos à disposição, porque aqui é compromisso com quem move o Espírito Santo”, afirma Marquinhos Jiló.

Pressão local, reflexo nacional

A greve dos caminhoneiros-tanque no Espírito Santo se insere em um clima mais amplo de insatisfação no transporte rodoviário de cargas. O debate em torno da Medida Provisória 1343/2026, que fixa piso de R$ 5.000,00 para motoristas de longa distância, tende a ganhar força com a paralisação.

Caso o movimento se prolongue, a tendência é de aumento de preços na bomba, ainda que pontual, e de busca por priorização do abastecimento de serviços considerados essenciais, como ambulâncias, transporte coletivo e segurança pública. O risco de que a paralisação inspire categorias em outros estados não está descartado.

As próximas horas serão decisivas para medir o alcance da greve. Se houver retomada de negociações entre Sindirodoviários-ES, Sindliqes e Transcares antes ou nos primeiros dias da paralisação, parte dos impactos pode ser contida. Se o impasse permanecer, o Espírito Santo entra em uma crise logística com reflexos imediatos no cotidiano da população e argumentos extras na arena política em Brasília.

 

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