O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, direcionou mais emendas parlamentares do que 99,8% dos deputados federais em 2024, segundo levantamento publicado neste sábado (11) pelo jornal Folha de S. Paulo. De acordo com os dados, apenas o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), registrou um volume maior de indicações no período.
Conforme o levantamento, Valdemar destinou R$ 111,8 milhões em emendas de comissão ao longo do ano, mesmo sem exercer mandato eletivo desde 2013. Arthur Lira aparece no topo da lista, com R$ 255,3 milhões indicados.
Investigação da PF
Os valores atribuídos ao presidente do PL fazem parte da investigação conduzida pela Polícia Federal, que apura a atuação de uma suposta estrutura paralela na Câmara dos Deputados para administrar recursos do chamado “orçamento secreto”. Segundo a corporação, o esquema teria funcionado entre junho de 2024 e março deste ano.
A investigação aponta que Valdemar Costa Neto teria exercido influência sobre a definição das emendas, mesmo sem ocupar cargo parlamentar. Três servidores da Câmara são citados como responsáveis por operacionalizar o esquema. Entre eles está Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, apontada pela PF como encarregada de organizar e encaminhar as indicações.
Decisão do STF
As conclusões da Polícia Federal embasaram a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de mais de R$ 119,2 milhões em bens e ativos financeiros de Valdemar Costa Neto.
Até o momento, a direção nacional do PL não comentou sobre o levantamento divulgado pela Folha de S. Paulo. A defesa do presidente da legenda, no entanto, contestou a decisão de Flávio Dino. Os advogados afirmam que a medida se apoia em “premissas frágeis”, sustenta uma interpretação equivocada da atividade político-partidária e informam que adotarão as medidas judiciais cabíveis para contestar as acusações.