Santa Catarina inicia a semana de 13, sob frio intenso, com mínimas próximas de 0°C e previsão de geada entre terça (14) e quarta-feira (15). Um alerta amarelo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), válido até a manhã desta segunda (13), indica queda de até 5°C e leve risco à saúde em todas as cidades do estado.
Massa de ar frio derruba temperaturas e acende alerta
A combinação de céu aberto, ar seco e ventos fracos cria o cenário clássico de noites geladas no estado. A Defesa Civil estadual resume o quadro: “Santa Catarina inicia a semana sob influência de uma massa de ar seco e frio, que traz tempo estável, temperaturas baixas, com mínimas entre 0°C e 2°C, além de chance de geada”.
O Inmet emite aviso de declínio de temperatura de até 5°C, que atinge não só Santa Catarina, mas também áreas do Norte do Rio Grande do Sul e parte do Paraná. “O alerta amarelo, válido até a manhã desta segunda, aponta leve risco à saúde por conta do declínio acentuado entre 3ºC e 5ºC em todas as cidades do estado”, informa o órgão.
Na prática, a queda rápida das temperaturas aumenta o desconforto térmico e pode agravar quadros de doenças cardíacas e respiratórias, além de elevar o risco de hipotermia, sobretudo entre idosos, crianças, pessoas em situação de rua e trabalhadores expostos ao relento nas primeiras horas da manhã.
Manhãs geladas, geada e neblina em diferentes regiões
O início da semana tem predomínio de sol em todo o estado, mas o amanhecer é gelado. No Planalto Sul, Meio-Oeste e Planalto Norte, as mínimas ficam próximas ou abaixo de 0°C. Nas demais áreas altas, os termômetros marcam entre 0°C e 2°C. No Oeste e no Litoral, variam de 3°C a 8°C.
Durante a tarde desta segunda, as máximas não passam de 14°C no Grande Oeste e Planalto Norte e chegam a cerca de 13°C no Planalto Sul. No Litoral, os valores sobem um pouco mais, para a faixa de 16°C a 19°C, ainda assim bem abaixo do padrão típico de inverno mais ameno em algumas faixas costeiras.
A massa de ar frio permanece atuando e garante tempo firme, com sol e variação de nuvens ao longo da semana. Nas madrugadas, o contraste entre noites muito frias e atmosfera seca favorece a formação de neblinas e nevoeiros no Planalto Sul, Litoral Sul e Grande Florianópolis, o que pode reduzir a visibilidade em rodovias nas primeiras horas do dia.
O ponto mais sensível do episódio ocorre na terça-feira (14). “Na terça-feira (14) haverá geada entre o Grande Oeste e Planaltos”, projeta Caroline Borges, do g1 SC. A previsão indica mínimas entre 0°C e 5°C nessas áreas, com possibilidade de valores negativos em pontos mais elevados da Serra Catarinense.
No Litoral e no Vale do Itajaí, as mínimas ficam entre 5°C e 10°C, com sensação térmica ainda mais baixa em locais com maior umidade e vento. À tarde, as temperaturas sobem um pouco e oscilam entre 17°C e 20°C, mas o frio segue predominando no início e no fim do dia.
Agricultura em alerta e turismo aquecido pelo frio
O avanço da geada preocupa especialmente produtores em áreas de baixada e encostas do Grande Oeste e dos Planaltos Sul, Norte e Meio-Oeste. Culturas sensíveis ao frio intenso, como hortaliças, frutas de ciclo curto e algumas variedades de feijão, podem sofrer danos se expostas a temperaturas próximas de 0°C por várias horas.
A tendência é de mobilização no campo. Agricultores costumam recorrer a medidas de mitigação, como coberturas plásticas, irrigação noturna para formar uma fina camada de gelo que protege as plantas do congelamento interno e o uso de aquecedores em estufas. Em pequenas propriedades, muitas vezes a proteção ainda se apoia em técnicas simples, como lonas e tecidos sobre canteiros.
Na outra ponta, o frio extremo e a perspectiva de geada reforçam o apelo turístico da Serra Catarinense. Cidades como São Joaquim, Urupema e Urubici, acostumadas a temperaturas negativas, tendem a registrar aumento na ocupação hoteleira e no movimento de restaurantes, cafés e pousadas. A geada forte, que tinge campos de branco nas primeiras horas da manhã, segue como uma espécie de atração natural de inverno, em uma região que vive há anos a expectativa, mais rara, de neve.
O desafio dos municípios serranos é equilibrar o ganho econômico com a garantia de abrigo e assistência para quem não tem estrutura para enfrentar o frio intenso, especialmente populações rurais isoladas e comunidades de baixa renda nas periferias urbanas.
Risco à saúde e recomendação das autoridades
Com temperaturas em declínio e máximas contidas entre 13°C e 20°C até a metade da semana, o sistema de saúde entra em estado de atenção. O alerta amarelo do Inmet classifica o risco como leve, mas a combinação de frio, ar seco e mudanças bruscas de temperatura costuma pressionar atendimentos por crises respiratórias, gripes, resfriados e complicações cardíacas.
A Defesa Civil de Santa Catarina recomenda atenção especial com idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e quem vive em condições precárias de moradia. Agasalhos em camadas, abrigo adequado durante a noite, hidratação e evitar exposição prolongada ao frio intenso são orientações básicas.
Equipes de assistência social em grandes cidades costumam reforçar rondas para oferecer abrigo temporário a pessoas em situação de rua e distribuir cobertores. Órgãos municipais e estaduais monitoram o avanço da massa de ar frio e podem ajustar ações conforme a persistência das baixas temperaturas.
Quando o frio começa a perder força
Entre quarta (15) e quinta-feira (16), o tempo segue firme, com dias ensolarados e manhãs ainda geladas em todas as regiões. O padrão de céu limpo mantém o contraste entre madrugada muito fria e tarde um pouco mais agradável.
A partir de quinta-feira, as temperaturas começam a subir gradualmente. As máximas podem alcançar de 26°C a 27°C em áreas do Oeste e do Litoral Sul, sinalizando o fim do episódio de frio mais intenso. Mesmo com a elevação, as primeiras horas do dia ainda devem registrar marcas baixas por alguns dias, sobretudo nas áreas mais altas.
O episódio reforça a importância do acompanhamento constante de boletins meteorológicos e da comunicação entre órgãos como Inmet, Defesa Civil, setor de saúde e produtores rurais. A expectativa de especialistas é que variações bruscas de temperatura e ondas de frio mais marcadas possam se repetir com maior frequência em invernos futuros, o que exige planejamento integrado para reduzir impactos na saúde, na agricultura e na infraestrutura das cidades.