Quem é Mariângela Fialek, a servidora apontada como “operadora” do orçamento secreto para Eduardo Cunha

Conhecida como "Tuca", a advogada é investigada por supostamente materializar decisões orçamentárias tomadas fora do rito parlamentar regular. O Supremo Tribunal Federal (STF) bloqueou R$ 6,1 milhões do ex-deputado federal Eduardo Cunha, que nega irregularidades e o suposto exercício clandestino de mandato.
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O ministro Flávio Dino, do STF, determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG) sob a suspeita de desvio de emendas parlamentares. A decisão, que se tornou pública neste domingo (12), coloca em evidência o nome da servidora pública Mariângela Fialek. Apelidada de “Tuca”, ela é apontada pelas investigações como a “consultora, facilitadora e implementadora” das demandas que teriam sido repassadas por Cunha.

De acordo com o documento que autorizou a operação, Fialek possuía amplo domínio sobre os “procedimentos, sistemas e fluxos administrativos essenciais ao fracionamento, remanejamento e justificativa formal das emendas”. Segundo a decisão, essa expertise técnica conferia a ela a capacidade concreta de efetivar alocações orçamentárias que eram decididas fora do processo parlamentar legal.

Perfil técnico e histórico em governos

Mariângela Fialek, de 51 anos, nasceu em União da Vitória (PR). É advogada formada pela PUC/RS e mestra em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo (USP). Ela trabalha na Câmara dos Deputados há cerca de seis anos, desempenhando funções na organização técnica do orçamento.

Sua trajetória profissional em Brasília é extensa e abrange diferentes governos:

No Poder Executivo, atuou por quase uma década, ocupando inclusive o cargo na Assessoria na Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil no governo Lula, em 2003. Ocupou a Subchefia de Assuntos Parlamentares durante o Governo Temer. Trabalhou como assessora parlamentar do Ministério de Desenvolvimento Regional durante a gestão de Jair Bolsonaro.
No Senado Federal, prestou assessoria jurídica à Liderança dos Governos Lula e Dilma ao longo de 10 anos.

Alvo de múltiplas investigações

A servidora não é alvo apenas no caso envolvendo Eduardo Cunha. O nome de Mariângela figura em outras duas frentes de investigação sobre o chamado “orçamento secreto”:

  • Ela é investigada em uma apuração deflagrada nesta semana, que mira o envolvimento de Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL).
  • Também é alvo de uma ação executada pela Polícia Federal (PF) em dezembro de 2025, no escopo da Operação Transparência, que focou no deputado Arthur Lira (PP-AL).
  • Fialek é ex-assessora de Lira.

Em dezembro de 2025, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na residência e no local de trabalho da servidora, ocasião em que seu aparelho celular foi periciado. A nova decisão do STF aponta que o material examinado apresenta indícios robustos da prática de “peculato-desvio”. O documento afirma que a servidora, valendo-se do domínio da etapa interna de alocação de emendas, atuou em conjunto com um terceiro sem cargo público, que teria utilizado influência partidária para induzir os repasses.

Defesa de Mariângela Fialek

Em nota,  a defesa de Mariângela Fialek afirmou que a atuação da servidora sempre foi “estritamente técnica, apartidária e impessoal”. Os advogados destacaram que não é atribuída a ela “a prática de nenhuma irregularidade funcional ou criminal”.

Defesa de Eduardo Cunha

A equipe jurídica do ex-deputado divulgou nota afirmando que ele desconhece qualquer irregularidade na tramitação das referidas emendas. Os defensores argumentaram que, por não exercer mandato, Cunha não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das indicações orçamentárias citadas. O texto repudia a tentativa de “equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar”.

A defesa ressaltou que os R$ 6,15 milhões bloqueados correspondem ao valor global das emendas destinadas aos municípios e órgãos públicos, e que a decisão judicial não imputa a Eduardo Cunha o recebimento de vantagem indevida.Os advogados frisaram ainda que a Procuradoria-Geral da República (PGR) considerou como prematuro o bloqueio das contas do político. Por fim, prometeram buscar acesso integral aos autos da investigação para exercer o contraditório.

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