O Flamengo confirmou a venda do zagueiro Da Mata, de 20 anos, para o Konyaspor, da primeira divisão da Turquia, em negociação de 300 mil dólares. A despedida tem participação direta de Léo Pereira, referência da zaga rubro-negra, que envia mensagem de apoio ao jovem antes do embarque para a Europa.
Negócio enxuto e escolha por cautela
A operação rende cerca de R$ 1,5 milhão pela venda de 70% dos direitos econômicos de Da Mata, mas o Flamengo fica com apenas uma fatia desse montante. O clube detém 25% dos direitos do jogador; os outros 75% pertencem ao Grêmio, formador do zagueiro antes da chegada ao Rio.
Quando contratou Da Mata em 2024, o Flamengo garantiu em contrato a opção de comprar mais 50% da parte gremista por 1 milhão de euros, algo em torno de R$ 5,3 milhões. A diretoria decide não acionar essa cláusula e prefere negociar o atleta com participação minoritária. A escolha indica uma postura financeira mais conservadora, em meio ao discurso público de ajuste da folha salarial e reformulação do elenco.
Nos bastidores, a leitura é simples: para apostar pesado em um zagueiro ainda em formação, o clube teria de imobilizar um valor alto em euros num cenário de câmbio desfavorável. A direção opta por reduzir exposição e manter espaço para investir em nomes mais prontos ou em posições consideradas prioritárias.
Da base ao voo para a Europa
Da Mata vive ascensão rápida na base rubro-negra. Pelo sub-20, acumula 80 partidas, oito gols e duas assistências, números raros para um defensor na categoria. Em uma das contagens internas da temporada, chega a figurar entre os artilheiros do time, com seis gols, e ajuda a conquistar o título mundial da categoria.
O desempenho abre caminho para a estreia no profissional em 2025, em jogo contra o Bangu pelo Campeonato Carioca. A passagem pelo time principal é curta, mas suficiente para colocá-lo no radar de olheiros estrangeiros e de clubes em busca de jovens defensores com boa estatura e saída de bola.
Com o acordo fechado, o zagueiro embarca para a Europa para realizar exames médicos e assinar contrato definitivo com o Konyaspor. Antes da viagem, recebe o carinho do elenco. “Antes do embarque, o jovem recebeu mensagens de despedida dos companheiros, incluindo o experiente Léo Pereira”, registra o Diário do Comércio. A cena simboliza uma transição silenciosa na zaga: o veterano se mantém como pilar, enquanto o novato tenta consolidar carreira em outro continente.
Impacto em Flamengo, Grêmio e Konyaspor
Para o Flamengo, a saída de Da Mata é menos técnica e mais estratégica. A direção reforça o discurso de que precisa “enxugar” a folha e recalibrar o elenco para o restante da temporada. A venda abre espaço no grupo profissional e na base, permitindo promoção de outros zagueiros ou futura chegada de um defensor mais experiente.
O Grêmio, que preserva 75% dos direitos econômicos, surge como um dos principais beneficiados no longo prazo. Se Da Mata se valoriza na Turquia e muda de clube novamente, o time gaúcho fica com a maior parcela de uma eventual transferência mais robusta. A decisão do Flamengo de não comprar os 50% adicionais reforça esse peso gremista sobre o futuro financeiro do atleta.
O Konyaspor aposta em um perfil que vira tendência em clubes médios da Europa: jovens sul-americanos em início de trajetória profissional, com rodagem forte na base e custo acessível. Os 300 mil dólares investidos são relativamente baixos diante do potencial de revenda. Se o zagueiro se adapta bem à liga turca, a valorização pode ser rápida, com impacto direto na receita do clube.
Léo Pereira como elo de gerações
Léo Pereira, hoje um dos jogadores mais experientes da defesa rubro-negra, assume papel de ponte entre gerações no episódio. A despedida de Da Mata escancara o lugar do zagueiro no vestiário: referência técnica, mas também figura de suporte para quem sobe das categorias de base.
A trajetória do titular, a nacionalidade brasileira e a convivência com diferentes treinadores transformam o defensor em modelo para os mais jovens. A mensagem de apoio antes da viagem para a Turquia ajuda a reforçar a ideia de que o Flamengo tenta combinar competitividade imediata com a formação de ativos negociáveis, mesmo quando decide vender cedo.
O caso alimenta, ainda, o debate interno sobre o melhor momento para negociar promessas. Se por um lado o clube evita grande desembolso em euros, por outro abre mão de controlar uma fatia maior de um jogador que pode se valorizar no exterior. A participação reduzida na transferência atual mostra o custo de não ter assumido risco maior na compra dos direitos.
Amistoso em Brasília e próximos movimentos
Enquanto Da Mata inicia a primeira experiência internacional, o Flamengo volta o foco para a preparação em campo. O clube agenda amistoso contra o Olimpia, do Paraguai, em 17 de julho de 2025, em Brasília, como último teste antes da retomada do Campeonato Brasileiro.
A partida tende a ser o primeiro recorte do elenco pós-negociação, já sem o jovem zagueiro e possivelmente com novas peças. A diretoria trabalha para que o time chegue ao segundo semestre com grupo mais enxuto, folha salarial sob controle e margem para ajustes pontuais na janela de transferências.
O desfecho da operação com o Konyaspor antecipa um movimento que deve se repetir nos próximos meses: o Flamengo disposto a negociar jovens com mercado no exterior para ganhar fôlego financeiro e mirar reforços de impacto imediato. A resposta virá no gramado, na capacidade de o clube equilibrar caixa, competitividade e formação em um calendário cada vez mais exigente.