Mick Jagger, 83, acompanha nesta quarta-feira (15/07/2026) a semifinal do Mundial de Seleções entre Inglaterra e Argentina em Atlanta, ao lado do filho Lucas Jagger. O vocalista dos Rolling Stones volta ao centro das atenções, entre câmeras, superstição e uma história que cruza sete décadas de futebol.
Rock, arquibancada e um camarote em Atlanta
O cantor inglês surge em um dos camarotes do estádio, de boné e camisa escura, filmado enquanto canta e vibra com Lucas, nascido em Nova York e criado no Brasil. “O astro da banda Rolling Stones foi visto em um dos camarotes do estádio ao lado do filho, o brasileiro Lucas Jagger”, registra o ge. A imagem reforça uma cena já comum: pai e filho dividindo arquibancadas pelo mundo, ora com a bandeira inglesa, ora com a brasileira.
Lucas é fruto do relacionamento de Mick com a apresentadora e modelo Luciana Gimenez. “Lucas Jagger tem dupla nacionalidade por ter sido criado no Brasil pela sua mãe, a apresentadora e modelo Luciana Gimenez”, lembra o ge. A presença do jovem, hoje influente nas redes sociais brasileiras, reforça o interesse do público do país por cada aparição do músico no torneio.
O duelo em Atlanta decide quem enfrenta a Espanha na final, domingo, em Miami. Em campo, a Inglaterra de Jude Bellingham, Harry Kane e do técnico Thomas Tuchel encara a Argentina de Lionel Scaloni em mais um capítulo de uma rivalidade que atravessa gerações.
Da virada contra a Noruega à maldição em xeque
Mick Jagger já tinha aparecido nas quartas de final, quando viu a Inglaterra virar sobre a Noruega por 2 a 1 e garantir vaga na semifinal. A vitória alimenta a ideia, entre torcedores ingleses, de que a fama de “pé frio” começa a enfraquecer. “A fama de ‘pé frio’ nas redes sociais caiu por terra depois da vitoriosa inglesa”, escreveu o ge sobre a virada com dois gols de Bellingham.
A superstição, porém, resiste. Em Atlanta, sites esportivos lembram episódios anteriores e falam em “maldição de Mick Jagger”. O Lance! recorda o rótulo e sublinha a presença do cantor no estádio: “O cantor inglês Mick Jagger está presente no Estádio de Atlanta, palco do duelo entre Inglaterra e Argentina pelas semifinais da Copa do Mundo”.
A lista de jogos “azarados” é extensa. Em 2010, na África do Sul, ele apoia os Estados Unidos nas oitavas de final e vê a eliminação para Gana por 2 a 1. Depois assiste à derrota da Inglaterra por 4 a 1 para a Alemanha. Em seguida declara apoio ao Brasil nas quartas contra a Holanda, em Durban, e acompanha do estádio a virada holandesa por 2 a 1 ao lado de Lucas.
Na mesma edição, elogia a Argentina em entrevista ao canal oficial do torneio, dizendo que a seleção o havia “mais impressionado”. Horas depois, os argentinos caem por 4 a 0 diante da Alemanha. Em 2014, a superstição explode de vez no Brasil, quando Mick se declara torcedor da seleção brasileira antes da semifinal com a Alemanha e vira alvo de memes após o 7 a 1 em Belo Horizonte.
Vinte Mundiais e um estúdio em Los Angeles
Nascido em 1943, Mick Jagger atravessa 20 edições do Mundial de Seleções como torcedor atento. “Nos anos 50 eu já lembro da Copa do Mundo, lembro de Pelé… Lá por 1958, ou algo assim”, conta em vídeo recente nas redes. A primeira lembrança consolidada é de 1950, quando o torneio volta após a Segunda Guerra.
A conquista inglesa de 1966 vira capítulo central da biografia afetiva do cantor com o futebol. “Depois a Inglaterra venceu a Copa, foi a única vez, lá em 1966. Eu estava gravando em um estúdio em Los Angeles. Naquela época a Copa nos Estados Unidos só era transmitida por um canal da Espanha. Consegue imaginar isso?”
No relato, ele destaca o contraste com hoje, em que cada lance vira clipe instantâneo no celular. “A Copa do Mundo não passava na televisão para a maior parte do país! Só passava no canal em espanhol, então eu cheguei a assistir um pouco. Essa deve ter sido a melhor de todas, quando a Inglaterra ganhou”, afirma.
O músico também revive frustrações, como o jogo eliminatório contra a Argentina, em 1998, quando David Beckham é expulso na França. “Teve um monte de Copas que foram ruins… Aquele jogo eliminatório contra a Argentina em que David Beckham foi expulso na França [em 1998]… eu estava lá na arquibancada”, lembra. Em seguida emenda um resumo de décadas de viagens: “Já estive em várias Copas, foram experiências fantásticas. Tenho lembranças da África do Sul [2010], da Alemanha [2006], Rússia [2018]… Então estou curtindo muito essa também.”
Brasil, família e a ponte cultural
O vínculo com o Brasil extrapola a imagem folclórica do “Anjo da Perdição” criada por torcedores após o 7 a 1. Ao longo dos anos, Mick Jagger constrói uma relação estável com o país, entre turnês lotadas, temporadas discretas e a vida de Lucas, criado em São Paulo ao lado de Luciana Gimenez.
A cena de Atlanta, com um astro britânico e um filho brasileiro torcendo pela Inglaterra em plena semifinal, condensa essa ponte cultural. Na prática, cada aparição do vocalista em estádios movimenta setores de entretenimento, redes sociais e publicidade. Marcas acionam a imagem do roqueiro, veículos reforçam a cobertura fora de campo e fãs de música são puxados para a conversa futebolística.
O Mundial também se beneficia do efeito colateral da celebridade. Quando Jagger chega ao estádio, as lentes se voltam para o camarote. Em torno dele circulam outros rostos conhecidos, como David Beckham, o rapper 2 Chainz e influenciadores que lotam os bastidores de Atlanta. O jogo ganha narrativa extra, além de tática, arbitragem e polêmicas em campo.
Entre ingleses e brasileiros, a reação oscila entre o deboche e o carinho. Se por um lado a piada do “pé frio” segue rendendo posts, por outro a figura do roqueiro octogenário que atravessa 20 edições do torneio, ainda cantando e viajando com o filho, alimenta um certo afeto intergeracional.
Um personagem que não sai de cena
Independentemente do resultado em Atlanta, Mick Jagger se consolida como personagem recorrente do Mundial de Seleções. Não é mais apenas o vocalista de uma das maiores bandas da história, dono de fortuna milionária e biografia de excessos. É o torcedor que viu Pelé, vibrou com 1966, amargou o 7 a 1 e hoje canta com o filho em um camarote nos Estados Unidos.
As próximas fases do torneio prometem novas aparições e novas leituras da tal maldição. Se a Inglaterra chegar ao título, a superstição perde força e Jagger ganha um fim de arco improvável, 60 anos depois da última taça. Se a seleção cair, o folclore se recicla para mais uma geração.
Enquanto isso, o roqueiro parece confortável nesse papel híbrido, entre ícone pop e mascote involuntário do futebol. A relação entre celebridades e Mundial tende a se intensificar, com mais artistas ocupando camarotes, linhas do tempo e campanhas publicitárias. No centro desse cruzamento entre cultura pop e bola, Mick Jagger segue, literalmente, tocando em frente.
Qual é a maldição de Mick Jagger relacionada à Copa do Mundo?
A chamada “maldição de Mick Jagger” é a crença de que as seleções que ele apoia em jogos do Mundial tendem a ser eliminadas, por coincidências como 2010 e o 7 a 1 em 2014.
Como foi a participação de Mick Jagger na semifinal da Copa do Mundo torcendo pela Inglaterra?
Ele assiste a Inglaterra x Argentina em um camarote no estádio de Atlanta, ao lado do filho Lucas Jagger, torcendo abertamente pela seleção inglesa e sendo filmado cantando.
O que Mick Jagger falou sobre onde estava em 1966, quando a Inglaterra venceu a Copa do Mundo?
Ele disse que em 1966 estava gravando em um estúdio em Los Angeles e viu a final por um canal de TV em espanhol, único a transmitir o torneio nos EUA na época.