O narrador Rômulo Mendonça e o comentarista Ricardo Bulgarelli deixam a equipe do Prime Video Sports BR em meio a uma crise pública, em julho de 2026, após ataques irônicos à repórter Alana Ambrósio. A Amazon confirma o desligamento dos dois, que vinham participando da cobertura da NBA para a plataforma.
Podcast vira estopim de crise interna
O episódio que derruba a dupla nasce fora da quadra, em um estúdio de podcast. No “Jararacas”, apresentado pelos próprios Mendonça e Bulgarelli, os dois comentam um vídeo publicado por Alana Ambrósio nas redes sociais, no qual a jornalista relata sua trajetória pessoal e profissional até cobrir, presencialmente, as finais da NBA nos Estados Unidos.
Em vez de acolher o relato, Rômulo decide parodiá-lo. Reproduz trechos da história em tom de deboche, altera partes da narrativa e ironiza a emoção da colega ao falar de momentos difíceis da vida e da carreira. Em determinado momento, usa a expressão “jornalismo de cama de hotel” para desqualificar o formato do vídeo, gravado por Alana em um quarto durante a cobertura.
O clima de piada, que funcionou durante anos como marca do narrador, desta vez não encontra eco positivo. O recorte circula rapidamente nas redes, com acusações de machismo, desrespeito entre colegas e falta de profissionalismo. Internamente, o constrangimento se instala. A repórter é vista por executivos como rosto em ascensão na cobertura internacional da plataforma; o ataque público expõe uma fratura dentro da própria equipe.
Reação rápida da Amazon e versões em conflito
Pressionada pela repercussão e pela revolta de parte dos fãs de basquete, a Amazon afasta a dupla das finais da NBA enquanto apura o caso. Os dois voltam ao próprio podcast para pedir desculpas públicas a Alana. Mesmo assim, a direção da empresa decide agir com mais dureza.
Em comunicado distribuído à imprensa, o Prime Video adota tom direto: “O Prime Video confirma que Rômulo Mendonça e Ricardo Bulgarelli não fazem mais parte da equipe de transmissão do Prime Video BR Sports. Agradecemos suas contribuições e desejamos sucesso em seus futuros projetos.”
A nota encerra, de forma oficial, a passagem de uma das vozes mais reconhecidas da transmissão de basquete no país pela plataforma. Rômulo construiu fama com bordões, humor e referências à cultura pop, que o tornaram figura quase autoral nas transmissões. Bulgarelli, menos midiático, também se firmou como rosto constante nas jornadas da NBA.
O comunicado, porém, abre uma disputa de narrativa. Nas redes sociais, Bulgarelli reage ao modo como a saída é noticiada e contesta que tenha sido demitido. Em resposta a um jornalista, escreve: “Se você fosse bom jornalista, poderia ter ligado para eu te dar a informação correta. Sigo no Prime até Outubro. Não fui demitido. Fui avisado que não terei o contrato renovado. Como nem da primeira vez você fez questão de saber a verdade, não ia ser agora que me ligaria né.”
O comentarista fala em permanência até outubro de 2026, o que indica um período de transição contratual. A versão diverge frontalmente da leitura pública de desligamento imediato feita pela Amazon, que reafirma à imprensa que ambos não fazem mais parte da equipe de transmissão. A discrepância expõe um desgaste adicional na forma como o caso é comunicado ao público e aos próprios profissionais envolvidos.
Cultura corporativa em campo e efeito na cobertura esportiva
O episódio chega em um momento em que plataformas de streaming disputam relevância na transmissão de grandes eventos, da NBA ao Mundial de Seleções e demais ligas internacionais. A imagem institucional pesa tanto quanto os direitos esportivos. A decisão de romper com dois nomes conhecidos sinaliza uma mudança de eixo: o humor agressivo, que por anos ocupou espaço confortável na mídia esportiva, passa a ser risco de reputação.
Na prática, o Prime Video Sports BR perde um narrador com estilo próprio e reconhecibilidade instantânea, algo raro em um mercado em que vozes marcantes ajudam a fidelizar audiência. A saída de Rômulo deixa um vazio narrativo nas transmissões de basquete da plataforma. A contribuição de Bulgarelli, embora menos central, também compunha o pacote de familiaridade com o público.
Do outro lado, ganham força profissionais e setores que defendem códigos de conduta mais rígidos na cobertura esportiva. A reação rápida a comentários vistos como desrespeitosos com uma colega envia um recado interno e externo: relações pessoais e piadas de bastidor não estão acima da linha editorial da empresa. O episódio também ecoa em outras emissoras e canais digitais, que observam o caso como alerta para revisar políticas internas e treinamentos sobre assédio moral, linguagem e uso de redes.
A pressão vem não só de grupos organizados, mas da base da audiência. As críticas nas redes sociais ao “jornalismo de cama de hotel” funcionam como termômetro de tolerância do público, hoje mais atento a dinâmicas de gênero e hierarquia no ambiente de trabalho. A própria equipe interna, segundo relatos, manifesta desconforto com a exposição da repórter e com o tom usado pelos colegas.
Próximos passos para a Amazon e para os envolvidos
A Amazon se vê agora diante da tarefa de remontar, em pouco tempo, uma equipe de transmissão capaz de sustentar o interesse pela NBA no Brasil. A busca é por narradores e comentaristas que combinem repertório esportivo, carisma e, principalmente, alinhamento às novas balizas de comportamento impostas pela empresa.
Os efeitos vão além da temporada atual. O caso tende a servir de precedente interno para futuras decisões envolvendo conduta pública de talentos, sobretudo em períodos de visibilidade ampliada, como o Mundial de Seleções e competições continentais. Empresas rivais observam o movimento e podem adotar, em cascata, critérios semelhantes na avaliação de contratos e renovações.
Para Rômulo Mendonça e Ricardo Bulgarelli, o desafio imediato é reconstruir imagem em um ambiente em que a fronteira entre espontaneidade e desrespeito se torna mais estreita. A dupla volta ao mercado com a marca de uma polêmica que extrapola a divergência editorial e entra no campo da ética profissional e da convivência entre colegas. Eventuais novos projetos, em TV, streaming ou canais próprios, terão de lidar com esse histórico e com uma audiência que, hoje, não hesita em cobrar posicionamento de empresas e comunicadores.
O desfecho definitivo ainda está em aberto. A forma como cada um vai narrar, daqui em diante, a própria história pode ser tão determinante quanto qualquer bordão usado ao microfone.
O que aconteceu com Rômulo Mendonça na NBA?
Ele perde o posto de narrador do Prime Video Sports BR após ironizar, em um podcast, um vídeo da repórter Alana Ambrósio, o que gera forte reação negativa.
Por que Rômulo Mendonça foi demitido do Prime Video?
A Amazon decide desligá-lo depois de comentários considerados desrespeitosos e debochados sobre Alana Ambrósio, feitos no podcast “Jararacas” durante as finais da NBA.
Quem é Ricardo Bulgarelli e qual foi seu envolvimento na polêmica com Rômulo Mendonça?
Bulgarelli é comentarista de basquete e coapresentador do podcast. Ele participa do tom irônico sobre o vídeo de Alana e também é afastado pela Amazon.
Rômulo Mendonça e Bulgarelli vão voltar a narrar a NBA?
Não há anúncio de retorno. A Amazon confirma que eles não fazem mais parte da equipe de transmissão do Prime Video Sports BR e busca reestruturar o time.
Qual foi a reação de Rômulo Mendonça após a demissão?
Ele pede desculpas publicamente a Alana Ambrósio no próprio podcast. Depois do comunicado da Amazon, mantém silêncio público sobre detalhes contratuais.
Onde Rômulo Mendonça trabalha atualmente?
Até o momento, não há anúncio oficial de novo vínculo fixo de Rômulo Mendonça com outra emissora ou plataforma após a saída do Prime Video Sports BR.