Bayern aposta em jovens, reduz elenco e assume risco na temporada

Clube alemão aposta em jovens talentos e enfrenta desafios com elenco reduzido para a nova temporada.
Redação NC News
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O Bayern de Munique entra na segunda metade de julho com duas grandes apostas para a nova temporada: Nathaniel Brown e Ismael Saibari, contratados por 50 milhões de euros cada. Enquanto reforça o elenco com jovens versáteis, o clube tenta acelerar a saída de jogadores em baixa e busca um meio-campista central para evitar que o grupo fique curto demais.

Renovação cara e calculada em Munique

As manobras de mercado têm a assinatura do diretor esportivo Max Eberl, que tenta, ao mesmo tempo, montar um elenco funcional e garantir sua própria renovação de contrato. Ele se mostra satisfeito com o andamento da janela. “Até o momento, a janela de transferências de verão tem sido excelente do ponto de vista do FC Bayern”, afirma.

Brown, de 23 anos, e Saibari, de 25, chegam como símbolos de uma renovação planejada. A diretoria, liderada por Eberl e por Christoph Freund, antecipa as negociações e fecha ambos antes do Mundial de Seleções, quando os dois se destacam nos Estados Unidos. A leitura interna é clara: se o clube esperasse, enfrentaria mais concorrência e preços ainda mais altos.

O custo total de transferências do Bayern neste verão já atinge 101,5 milhões de euros, somando as duas grandes compras e a recompra de Noel Aseko. Em contrapartida, as vendas chegam a 26,25 milhões de euros, principalmente com jogadores que retornam de empréstimo, como os goleiros Daniel Peretz e Alexander Nübel, além de Jonathan Asp Jensen e Jonah Kusi-Asare.

Brown e Saibari pressionam Musiala e Davies

No vestiário, ninguém duvida de que Brown e Saibari vão jogar muito. Ainda não chegam como titulares indiscutíveis, mas o plano é que assumam papéis centrais no médio prazo. A avaliação da cúpula esportiva é direta: “Saibari deve, inicialmente, representar uma ameaça principalmente para o meia Jamal Musiala”.

O marroquino, que brilha pelo PSV Eindhoven, é visto como um coringa ofensivo. Pode atuar como segundo atacante, falso nove ou meia central, mas rende melhor nessa última função. Brown, lateral-esquerdo com capacidade para atuar em mais de uma faixa do campo, mira o espaço de Alphonso Davies. A mensagem interna é de competição acirrada por vagas, inclusive para nomes consolidados.

As duas contratações se encaixam no discurso de um Bayern que quer se manter competitivo agora e, ao mesmo tempo, se proteger para o futuro, diante da inflação de preços no mercado, turbinada pelo Mundial. A aposta é que esses 100 milhões de euros em jovens em ascensão sejam recuperados em desempenho esportivo e, potencialmente, em valor de revenda.

Vendas, encaixes e um elenco reduzido

Do outro lado da balança, o clube tenta transformar em dinheiro jogadores que perderam espaço. A prioridade é encontrar compradores para atletas de alto nível que não se firmam em Munique. João Palhinha desperta interesse de Benfica, Juventus e Aston Villa, e o Bayern trabalha com a cifra de 25 milhões de euros. Noel Aseko está a um passo do Eintracht Frankfurt, por 13 milhões.

Os casos de Bryan Zaragoza e Sacha Boey são menos avançados, mas a tendência é de saída, assim como de Lovro Zvonarek e Armindo Sieb. Se todas essas negociações forem concluídas, o elenco ficaria com apenas 18 jogadores de linha com experiência no mais alto nível.

Para o técnico Vincent Kompany, isso abre espaço para jovens e cria um elenco flexível, com atletas capazes de atuar em mais de uma posição. Também desperta um alerta conhecido: bastam duas ou três lesões em sequência para repetir o cenário da temporada passada, quando o time chega ao limite físico em momentos decisivos.

Meio-campo em reconstrução e aposta em Bischof

O setor mais sensível é o meio-campo central. As saídas de Leon Goretzka e Raphael Guerreiro mudam o desenho da equipe. A comissão técnica é taxativa ao redesenhar a hierarquia da posição: “Após as saídas de Leon Goretzka e Raphael Guerreiro, Tom Bischof é a primeira alternativa à dupla titular formada por Joshua Kimmich e Aleksandar Pavlovic”.

Bischof, utilizado com frequência como lateral-direito improvisado na temporada passada, enfim ganha a chance de atuar na função em que se formou. Outras cartas na manga são Konrad Laimer e o próprio Brown, planejados para as laterais, além de Bara Sapoko Ndiaye, senegalês de 18 anos que participa do Mundial e hoje é tratado como o talento mais promissor do clube.

A diretoria admite a necessidade de mais um meio-campista, mas esbarra nos valores. Ayyoub Bouaddi é cogitado, porém as atuações de destaque no Mundial inflacionam o preço. O marroquino passa a ser avaliado em 100 milhões de euros, patamar considerado alto demais para o orçamento atual, já pressionado pelos 101,5 milhões de euros em despesas.

Incerteza sobre Kane e futuro do ataque

No ataque, a maior preocupação tem nome e sobrenome. “O maior golpe para as chances de sucesso seria, sem dúvida, a ausência do atacante titular Harry Kane”, avalia Vincent Kompany, em conversas internas. A permanência do inglês é tratada como prioridade, assim como a renovação do contrato, válido até 2027.

Sem Kane, a engenharia ofensiva fica frágil. Saibari e Serge Gnabry podem atuar como centroavantes, mas nenhum deles é especialista na função. Saibari brilha uma linha atrás, como meia agressivo, e o Bayern sente na prática o preço da aposta que não deu certo no passado recente. No verão passado, Nicolas Jackson chega às pressas, no fim da janela, como reserva de Kane, decepciona e não tem contrato renovado.

A direção admite que um centroavante adicional ajudaria, assim como um ponta-esquerda em desenvolvimento para servir de sombra a Luis Díaz. Por ora, porém, a prioridade recai sobre o meio-campo central. Isso aumenta a chance de o ataque ser complementado internamente, com Saibari e jovens como Arijon Ibrahimovic, que retorna de empréstimo e começa a pré-temporada nos planos de Kompany.

Balanço de poder e pressão por resultados

Enquanto mexe nas peças, o Bayern também discute o futuro de quem comanda o tabuleiro. Os contratos de Max Eberl e Christoph Freund terminam no próximo verão europeu. O Conselho Fiscal deve tratar do tema em agosto, ou, no mais tardar, em novembro. Uma eventual prorrogação dos vínculos passa diretamente pela avaliação da janela atual e do desempenho nas competições, da Bundesliga aos duelos contra gigantes como Real Madrid e Paris Saint-Germain.

Se o plano de renovação funcionar, Brown, Saibari, Bischof e Bara Ndiaye podem liderar uma nova espinha dorsal em Munique, enquanto o clube mantém o equilíbrio financeiro e responde à pressão de um mercado inflado pelo Mundial. Se as lesões voltarem a assombrar um elenco reduzido e a incerteza sobre Kane se prolongar, o verão de 2024 pode ser lembrado como o momento em que o Bayern apostou alto demais na versatilidade e de menos na profundidade.

As próximas semanas, com vendas, possíveis chegadas pontuais e a definição do futuro de Kane, vão determinar se o Bayern entra na temporada pronto para disputar todos os títulos ou condenado a administrar riscos desde o primeiro jogo.

 

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