A morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michelle Leão Azevedo está cercada de mistérios e é alvo de uma investigação da Polícia Civil de Minas Gerais. A oficial deu entrada já sem vida no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite desta segunda-feira (20). O marido dela, um sargento da corporação, foi preso em flagrante por suspeita de envolvimento no caso.
A investigação ganhou força após a médica responsável pelo atendimento identificar diversos ferimentos incompatíveis com uma morte por causas naturais. Além disso, novos elementos encontrados durante a perícia aumentaram as suspeitas sobre o que realmente aconteceu dentro do apartamento onde o casal morava.
Capitã da PM chegou ao hospital com múltiplas lesões
Segundo o boletim de ocorrência, Michelle foi levada ao Hospital Odilon Behrens por volta das 21h35, mas já estava sem sinais vitais. Durante o exame inicial, a equipe médica encontrou traumatismo craniano, um profundo ferimento na região frontal da cabeça, hematomas espalhados pelo corpo, lesões nos membros inferiores e marcas lineares que, conforme o relato médico, seriam compatíveis com chicoteamento.
Os profissionais também estimaram que a morte teria ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada da vítima à unidade de saúde, o que passou a ser um dos principais pontos investigados pela Polícia Civil.
Marido diz que casal consumiu drogas e praticava “spanking”
Em depoimento, o sargento afirmou que ele e a esposa participaram de uma confraternização na residência na noite anterior. Segundo ele, ambos consumiram bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy.
O militar declarou ainda que, após a saída dos convidados, o casal manteve relações sexuais consensuais envolvendo práticas de dominação conhecidas como “spanking”, caracterizadas por agressões físicas consentidas. Ele afirmou que esse tipo de prática fazia parte do relacionamento dos dois havia aproximadamente oito anos.
Ainda conforme sua versão, Michelle teria sofrido uma queda da escada por volta do meio-dia, batido a cabeça e reclamado de tontura. O sargento disse que fez um curativo, colocou a esposa para descansar e ambos dormiram. Somente às 21h, ao acordar, percebeu que ela não respondia mais e decidiu levá-la ao hospital.
Médica acionou a polícia e droga foi apreendida
Enquanto Michelle era atendida, a médica acionou a Polícia Militar ao perceber que os ferimentos apresentados pela vítima levantavam suspeitas de violência.
Ainda durante a permanência no hospital, segundo o registro policial, o sargento pediu para ir ao banheiro acompanhado por um policial. No local, ele teria descartado uma pequena caixa metálica contendo comprimidos com características semelhantes ao ecstasy. O material foi apreendido e será submetido à perícia.
Mãe afirma que filha vivia relacionamento abusivo
A versão apresentada pelo marido foi contestada pela mãe da capitã durante depoimento prestado aos investigadores.
Ela afirmou que Michelle vivia um relacionamento marcado por abuso psicológico, manipulação emocional e constantes humilhações. Segundo a testemunha, a filha teria tentado colocar fim ao casamento em diversas ocasiões, mas o companheiro não aceitava a separação.
A mãe também declarou que a família passou a desconfiar de que o consumo de drogas pela policial começou somente após o início do relacionamento com o sargento.
Perícia encontrou cabo quebrado e roupas lavadas
Durante os trabalhos no apartamento do casal, peritos localizaram um cabo de madeira quebrado descartado no lixo externo do prédio. O objeto foi apreendido porque pode ter sido utilizado para provocar as agressões sofridas pela vítima.
Outro detalhe chamou a atenção dos investigadores: as roupas de cama haviam sido retiradas da cama e estavam lavadas, ainda molhadas, dentro da máquina de lavar. O carro utilizado para transportar Michelle até o hospital também passou por perícia em busca de vestígios.
Além disso, o celular do sargento foi apreendido para análise e poderá ajudar a esclarecer a dinâmica dos acontecimentos.
Polícia Civil investiga circunstâncias da morte
Com os elementos reunidos durante as primeiras diligências, o sargento recebeu voz de prisão em flagrante e foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde permanece à disposição da Justiça.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que laudos periciais, exames toxicológicos e demais provas serão fundamentais para esclarecer as circunstâncias da morte da capitã Michelle Leão Azevedo. Até a conclusão do inquérito, todas as hipóteses seguem sendo analisadas pelas autoridades.