O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) voltou ao centro das articulações da direita na terça-feira (21) ao reafirmar seu apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e, ao mesmo tempo, direcionar duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevistas, o ex-ministro do Meio Ambiente declarou manter “gratidão” e “admiração” pelo ex-chefe do Executivo, mas responsabilizou o filho mais velho do ex-presidente por omissões em disputas internas do campo conservador e afirmou que ele fazia parte do “game” político em Brasília.
As declarações ocorreram em um momento de intensificação das articulações para as eleições de 2026 e evidenciaram o aumento das tensões entre lideranças da direita, especialmente em torno da disputa por uma vaga ao Senado por São Paulo e da sucessão do bolsonarismo.
O que aconteceu?
Ricardo Salles buscou diferenciar sua relação com Jair Bolsonaro da avaliação que fazia dos filhos do ex-presidente. Durante as entrevistas, o deputado afirmou que continuava admirando Bolsonaro e reconhecia sua atuação durante o mandato presidencial. Ao mesmo tempo, ressaltou que mantinha independência política.
“Tenho grande gratidão e admiração por ele. Mas eu não sou um burrinho de presépio.”
Ao comentar o senador Flávio Bolsonaro, Salles afirmou que ele era “do game”, expressão utilizada para criticar sua disposição de dialogar com partidos do Centrão e participar de articulações políticas tradicionais em Brasília.
Segundo o deputado, o ex-presidente e seus filhos deveriam ser analisados separadamente.
“O presidente Bolsonaro é uma coisa, os filhos são outra.”
Salles também afirmou que, na sua avaliação, o deputado federal Eduardo Bolsonaro teria melhores condições de disputar a Presidência da República do que Flávio Bolsonaro e acrescentou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também seria uma opção mais competitiva.
Disputa pelo Senado aumentou tensão em São Paulo
As declarações ocorreram em meio à disputa pela única vaga ao Senado que será aberta em São Paulo nas eleições de 2026.
Ricardo Salles trabalhava para consolidar sua pré-candidatura e buscava integrar a chapa liderada pelo governador Tarcísio de Freitas.
O projeto, entretanto, perdeu força após lideranças do PL passarem a apoiar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado, como principal nome para disputar o Senado na composição governista.
Nos bastidores, a escolha contou com respaldo da direção nacional do partido e de integrantes do grupo político ligado à família Bolsonaro.
Sem espaço na chapa, Salles passou a criticar publicamente o que classificou como maior influência do Centrão nas decisões do campo conservador.
Críticas envolveram Flávio e Michelle Bolsonaro
Além da disputa pelo Senado, Ricardo Salles também criticou a postura de Flávio Bolsonaro diante de divergências envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Segundo o deputado, o senador não teria atuado para conter conflitos internos que vinham dividindo lideranças conservadoras.
Em suas declarações, Salles afirmou que caberia ao senador impedir o aprofundamento das disputas públicas.
“O Flávio poderia, na qualidade de candidato a presidente, dar um cala-boca e dizer: ‘Está todo mundo proibido de criar essas divisões dentro da direita’.”
Ele acrescentou que, em sua avaliação, Flávio permaneceu omisso diante de críticas dirigidas à ex-primeira-dama e a outros integrantes do grupo político.
O que motivou o conflito
Nos bastidores da política paulista, a principal origem do desgaste esteve ligada à definição da candidatura ao Senado.
Ricardo Salles defendia que seu nome representava a direita paulista na disputa de 2026 e esperava contar com apoio explícito da família Bolsonaro.
Com a preferência demonstrada por outro aliado do grupo político, o deputado intensificou as críticas à condução das articulações e passou a defender uma direita menos dependente de acordos com partidos do chamado Centrão.
O episódio transformou uma disputa regional em um embate de alcance nacional dentro do campo conservador.
Qual o impacto político
As declarações evidenciaram divergências entre diferentes lideranças da direita e ampliaram as especulações sobre a formação das alianças para as eleições de 2026.
Enquanto PL e Republicanos buscavam preservar a imagem de unidade em torno do governador Tarcísio de Freitas e da família Bolsonaro, integrantes do Novo passaram a defender uma atuação mais independente.
Analistas políticos avaliam que disputas internas podem influenciar a formação das chapas estaduais, a distribuição de apoios e a estratégia eleitoral dos partidos de direita nos próximos meses.
Ao mesmo tempo, eventuais divisões podem alterar o cenário político paulista, especialmente porque apenas uma vaga ao Senado estará em disputa no estado.
O que acontece agora
Com o avanço das articulações eleitorais, Ricardo Salles manteve sua intenção de disputar uma cadeira no Senado e sinalizou que continuaria defendendo maior independência em relação às negociações conduzidas por partidos aliados.
Já as lideranças do PL e dos partidos que integram a base do governador Tarcísio de Freitas seguiram trabalhando para consolidar alianças e reduzir os efeitos das divergências públicas.
As definições sobre candidaturas, coligações e apoios deverão ocorrer ao longo do calendário eleitoral, período em que novas negociações ainda poderão alterar o cenário político.
Entenda o contexto
Ricardo Salles foi ministro do Meio Ambiente durante o governo Jair Bolsonaro e atualmente exerce mandato como deputado federal pelo Novo de São Paulo.
As declarações ocorreram em meio às articulações para as eleições de 2026, quando partidos e lideranças políticas iniciaram movimentos para definir candidaturas majoritárias e alianças estaduais.
A disputa pela vaga ao Senado em São Paulo tornou-se um dos principais focos de negociação entre partidos da direita, reunindo interesses de diferentes grupos políticos. As manifestações públicas de Salles evidenciaram divergências estratégicas dentro desse campo e reforçaram que a definição dos apoios poderá influenciar tanto a eleição estadual quanto a reorganização das forças conservadoras para a sucessão presidencial.