A Embraer aproveitou a vitrine do Farnborough Airshow nesta semana para anunciar a venda de novas aeronaves comerciais, fortalecendo sua posição estratégica na aviação regional de três continentes. A fabricante brasileira firmou contratos — que mesclam pedidos firmes e direitos de compra — com companhias aéreas do Japão, Espanha e Luxemburgo.
A estratégia da companhia brasileira segue ancorada em uma equação cobiçada pelo mercado pós-crise: produzir aeronaves menores (entre 80 e 130 assentos) com alta tecnologia embarcada, promovendo drástica redução no consumo de combustível e emissão de ruídos, sem abrir mão do conforto em rotas curtas e médias.
Ásia: Frota 100% Embraer no Japão
No mercado asiático, a japonesa Fuji Dream Airlines (FDA) firmou o pedido para a aquisição de duas aeronaves do modelo E175, com entregas programadas para 2027 e 2028. Os novos aviões, configurados com 84 assentos em classe única, vão operar em rotas que conectam cidades afastadas dos grandes hubs japoneses.
A companhia asiática é um reduto de fidelidade à marca: sua frota é composta 100% por jatos da fabricante brasileira. Com os novos pedidos, a FDA passará a operar um total de 17 aeronaves Embraer (atualmente são 15 em operação).
“A introdução dessas novas aeronaves aumentará nossa capacidade e ajudará a fortalecer ainda mais nossa rede que conecta comunidades em todo o Japão”, afirmou Shunsuke Honda, presidente da companhia.
Europa: Expansão nas Ilhas Canárias e Luxemburgo
O desempenho no mercado europeu também impulsionou a carteira de pedidos da fabricante:
- Binter (Espanha): A companhia aérea assinou um pedido firme para a compra de cinco E195-E2 (o maior jato da família E2) e assegurou quatro direitos de compra adicionais. A empresa já utiliza esse modelo — configurado com 132 assentos na disposição 2×2, eliminando a impopular poltrona do meio — para conectar as Ilhas Canárias ao continente e a outros países;
- Luxair (Luxemburgo): A companhia converteu três opções de compra em pedidos firmes do modelo E190-E2, além de adicionar um novo direito de compra. O movimento consolida a estratégia da empresa em padronizar sua frota regional com aeronaves E2 (a Luxair já possui quatro E195-E2 em operação). O novo E190-E2 terá 100 assentos focados em rotas corporativas e compartilhará as mesmas licenças de pilotagem e manutenção do modelo maior, o que reduz custos operacionais.
Impactos na cadeia produtiva
A confirmação dos novos acordos não representa apenas uma injeção de receita para a Embraer, mas também um fôlego no médio prazo para toda a cadeia aeroespacial brasileira. As encomendas ajudarão a sustentar o ritmo das linhas de produção, garantindo empregos diretos e indiretos, além de financiar o desenvolvimento de novas tecnologias com foco em eficiência energética no setor aéreo.