Xuxa Meneghel rompe o silêncio sobre o afastamento de uma ex-Paquita por homofobia e se prepara para estrear em São Paulo a turnê “O Último Voo da Nave”, com 13 ex-assistentes de palco.
Declaração explícita contra a homofobia
Em entrevista ao canal de Hugo Gloss no YouTube, Xuxa deixa claro que diferenças políticas não rompem suas amizades, mas preconceito, sim. A apresentadora, que hoje revisita a própria carreira e segue como referência para várias gerações, crava um limite público.
“Eu só deixo de falar com Paquita se é homofóbica. Para mim, eu não suporto isso. Homofobia não dá para mim”, afirma. A frase circula entre fãs, ex-Paquitas e colegas do meio artístico, reacendendo debates sobre tolerância e respeito à comunidade LGBTQIA+.
O recado atinge em cheio um episódio já conhecido do público, envolvendo a ex-Paquita Andréa Sorvetão. Xuxa evita citar nomes, mas o histórico de desentendimentos, alimentado por declarações públicas da ex-assistente de palco, sustenta a leitura de um distanciamento consolidado.
Política não é o eixo, diz apresentadora
A fala de Xuxa ganha força num ambiente em que artistas frequentemente se veem pressionados a declarar posições políticas. Ela faz o movimento inverso: afirma que não corta laços por divergência ideológica, e sim quando identifica intolerância.
Ao separar política e preconceito, Xuxa procura blindar o debate de simplificações. O foco, insiste, é a defesa de pessoas LGBTQIA+. A postura ecoa entre fãs que cresceram com a “Rainha dos Baixinhos” e hoje veem a ídola assumir um papel mais abertamente engajado.
Para a imagem de Xuxa Meneghel hoje, já associada a causas sociais e à defesa de minorias, a declaração funciona como reafirmação de marca. A artista não apenas se posiciona, como condiciona proximidade pessoal e profissional a um critério de respeito básico.
O Último Voo da Nave: celebração e despedida
Enquanto a entrevista repercute, Xuxa concentra as energias na estreia de “O Último Voo da Nave”, marcada para este sábado (25) em São Paulo. O espetáculo é anunciado como uma grande celebração de sua trajetória, com clima de despedida simbólica dos palcos.
O show reúne 13 ex-Paquitas, entre elas Ana Paula Guimarães (Catú), Roberta Cipriani, Priscilla Couto, Tatiana Maranhão, Cátia Paganote (Miúxa), Juliana Baroni e Bianca Rinaldi. A volta desse time histórico ao palco reacende a memória afetiva de quem acompanhou a boneca Xuxa Estrela, os discos, programas diários e especiais de fim de ano.
No roteiro, Xuxa promete revisitar sucessos que a consagraram desde a fase de Xuxa Meneghel jovem até a artista madura, hoje vista mais como ícone pop do que apenas apresentadora infantil. A turnê se apresenta como um “último voo” da nave que marcou a TV aberta e lotou estádios pelo país.
Os ingressos já estão à venda, com diferentes faixas de preço. A estratégia mira famílias e fãs de diferentes faixas etárias, dos adultos que cresceram ao som dos hits aos filhos e netos que conhecem Xuxa pelas redes sociais, documentários e reprises.
Impacto no entretenimento e na marca Xuxa
A movimentação em torno da turnê mexe com o mercado de entretenimento em São Paulo. Casas de show, produção de eventos, rede hoteleira e comércio local se beneficiam do fluxo de público atraído por uma artista que ainda mobiliza fãs de várias regiões do país.
O espetáculo também consolida uma nova fase da carreira. Depois de anos fora da televisão aberta, Xuxa encontra em projetos especiais, documentários e homenagens um caminho para manter a relevância. A presença recente em plataformas de streaming e programas de auditório reaproxima diferentes gerações.
Ao mesmo tempo, a decisão de excluir de seu círculo ex-Paquitas que expressem homofobia comunica um padrão para futuros parceiros de palco e de negócios. Quem sobe na nave hoje sabe que a artista não tolera discursos de ódio, mesmo quando partem de nomes ligados à própria história.
Para ex-Paquitas que participam do novo show, o reencontro funciona como chancela. A mensagem é a de que o legado construído com Xuxa permanece vivo, mas alinhado a valores de diversidade e inclusão. O que era apenas nostalgia ganha contorno político, mesmo sem bandeiras partidárias.
Legado em disputa e próximos passos
Aos olhos de quem acompanha Xuxa Meneghel hoje, a combinação entre turnê comemorativa e posicionamento firme contra a homofobia redesenha o lugar da artista no debate público. Ela passa de símbolo de infância a voz que se arrisca em pautas sensíveis, num país ainda dividido em torno de costumes.
O “Último Voo da Nave” tende a render imagens fortes: ex-Paquitas lado a lado, coreografias clássicas, plateias cantando em coro. Por trás do espetáculo, segue aberta a discussão sobre até que ponto artistas devem se afastar de antigos parceiros por discordâncias de valores.
Se a turnê corresponder à expectativa de público e crítica, Xuxa fortalece a própria marca como sinônimo de entretenimento popular associado a causas sociais. O movimento pode abrir espaço para novos projetos culturais voltados à diversidade e incentivar outros artistas a definirem com clareza seus limites éticos em relações pessoais e profissionais.
Enquanto a nave se prepara para decolar novamente, a pergunta que fica é menos sobre nostalgia e mais sobre futuro: que tipo de mundo a geração que cresceu com Xuxa quer ver representado nos palcos e nas telas daqui para frente.