Como a negociação de Danilo expõe crise no Palmeiras

Presidente do Palmeiras enfrenta impasse com Botafogo e cria tensão interna após oferta por Danilo.
Redação NC News
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Leila Pereira confirma que o Palmeiras tenta contratar Danilo, do Botafogo, mas o negócio trava na recusa do clube carioca e escancara divergências internas no clube paulista.

Investida bilionária barrada pelo Botafogo

A presidente do Palmeiras decide ir ao ataque no mercado e mira Danilo, meio-campista revelado na base alviverde e hoje peça central do Botafogo. A investida envolve um esforço estimado entre 150 e 160 milhões de reais, parcelados em três anos, mas não sai do papel.

Em nota divulgada pelo clube, Leila admite a tentativa e a frustração.

“Tínhamos interesse no Danilo, fizemos um grande esforço financeiro para tentar contratá-lo, mas o Botafogo não quis negociá-lo conosco, e vida que segue. Confiamos plenamente no nosso elenco, que é muito forte, e no trabalho da nossa comissão técnica. Já ganhamos um título neste ano, o Campeonato Paulista, e continuamos focados em busca de novas conquistas. Desejo o melhor ao Danilo, que é uma Cria da Academia e certamente vai voltar à sua casa no futuro”, afirma.

O Botafogo, por sua vez, opta por segurar o jogador. Na partida pelo Campeonato Brasileiro contra o Vitória, no Estádio Nilton Santos, Danilo entra aos 25 minutos do segundo tempo e atinge o limite de jogos que permite uma transferência para outro clube da mesma competição nesta temporada. Na prática, o movimento fecha a porta do Brasileirão para qualquer novo destino interno do meia.

Divergência com Abel e pressão no orçamento

Nos bastidores, a investida por Danilo não nasce do campo. Nos bastidores do Palmeiras, é revelado um racha interno. O treinador do Palmeiras, Abel Ferreira, não pediu o Danilo. O que ele pediu para a direção foi muito claro: que o clube não vendesse jogadores nesta janela importantes nessa janela de transferências. Segundo fontes, a negociação por Danilo é de desejo de Leila Pereira, e apenas dela.

A avaliação de Massini expõe uma fratura na lógica de decisões do futebol palmeirense. De um lado, uma presidente que assume a linha de frente e aposta em um reforço de peso com forte apelo emocional para a torcida. De outro, uma comissão técnica que prega estabilidade, teme saídas e evita mexidas profundas no elenco durante a temporada.

A negociação de Danilo também representa um grande impacto financeiro, calculada entre 150 e 160 milhões de reais em seis parcelas ao longo de três anos, não quebraria o clube, mas apertaria o orçamento justamente em 2027, último ano de mandato de Leila. Mas o alerta que acende é que esta operação só seria viável se o clube tiver projeção financeira positiva, seja com publicidade ou vendas – este último que o Abel não quer.

Botafogo reage e técnico ataca cobertura da imprensa

Enquanto o Palmeiras tenta avançar nos bastidores, o Botafogo endurece a postura em público. Após o empate com o Vitória, o técnico Franclim Carvalho transforma a sala de entrevistas em palanque para defender o clube e o jogador.

“Eu disse antes do jogo que vocês, jornalistas — vou dizer ‘vocês’ porque é todo mundo — não têm respeitado o Botafogo, não têm respeitado o Danilo e não têm respeitado o futebol brasileiro. Acho uma falta de respeito as notícias que têm saído nos últimos dias. Sinceramente, não entra na minha cabeça o que vocês têm feito”, dispara.

O treinador português devolve o foco da novela para o Palmeiras e para Leila. “Essas notícias sobre o Palmeiras… Tem que perguntar à presidente do Palmeiras, porque foi ela quem falou do Danilo. Não fui eu, nem ninguém do Botafogo”, afirma, antes de elogiar o comportamento do atleta na reapresentação. “Como encontrei o Danilo na segunda-feira, na reapresentação após as férias? Espetacular. Sorridente, alegre e disponível para trabalhar com a camisa que veste, que é a do Botafogo.”

A escolha do clube carioca de usar Danilo no Brasileirão, mesmo com forte assédio, reforça o recado de que o jogador segue como peça central do elenco. Também valoriza o ativo esportivo do Botafogo e mostra uma postura menos reativa a propostas de gigantes nacionais.

Danilo pede para ficar no Brasil e expõe impasse

No meio do fogo cruzado entre Palmeiras e Botafogo, Danilo tenta retomar algum controle sobre o próprio futuro. Nas redes sociais, o volante se manifesta sobre a negociação com o clube paulista e sobre o interesse do Zenit, da Rússia.

“Feliz por estar de volta. Respeitei a decisão do Botafogo de não ser vendido para o Brasil. Espero que o Botafogo agora respeite a minha decisão de não ir para a Rússia neste momento”, escreve o jogador.

A declaração confirma duas camadas do impasse. A primeira é esportiva e emocional: o meio-campista explicita a preferência por continuar em solo brasileiro, mesmo diante de um mercado europeu disposto a investir. A segunda é contratual e política: ao aceitar que o Botafogo o barra em um retorno ao Palmeiras, Danilo cobra que o clube devolva o gesto e não o empurre para uma transferência internacional que ele não deseja agora.

A repercussão da mensagem amplia a pressão sobre a diretoria alvinegra, que precisa equilibrar interesses esportivos, eventual oferta europeia e vontade do atleta. Ao mesmo tempo, reforça a imagem de um jogador que se posiciona publicamente e conversa diretamente com a torcida.

O que muda para Palmeiras, Botafogo e mercado

O desfecho da novela, por ora, deixa tudo no mesmo lugar, mas altera o tabuleiro. O Palmeiras permanece sem Danilo e com um elenco elogiado internamente, mas expõe uma fissura entre a presidente e a comissão técnica. A decisão de Leila de se colocar na linha de frente das contratações reforça seu peso político no futebol, mas abre espaço para questionamentos sobre o grau de autonomia de Abel.

No campo financeiro, o clube precisa recalibrar o planejamento para 2027. Mesmo sem fechar o negócio agora, a disposição de assumir um compromisso de até 160 milhões de reais em três anos revela o tamanho do apetite da gestão e alimenta o debate sobre o limite saudável entre ambição esportiva e prudência orçamentária.

Para o Botafogo, a recusa consolida Danilo como pilar do projeto esportivo imediato. O clube mostra ao mercado que não pretende funcionar apenas como vitrine para rivais nacionais, mesmo diante de cifras tentadoras. A postura também sinaliza a torcedores e investidores que a prioridade é competitiva, não apenas contábil.

Danilo, por fim, emerge fortalecido junto à opinião pública ao defender abertamente sua permanência no Brasil. Ao mesmo tempo, mantém em aberto a possibilidade de uma transferência futura, seja de volta ao Palmeiras, seja para a Europa, dependendo de como clube e jogador vão administrar o relacionamento daqui para frente.

Nas próximas semanas, o Palmeiras deve revisar a estratégia de reforços e a alocação de recursos até 2027, enquanto o Botafogo administra a pressão por novas propostas e o desejo do atleta. O caso tende a seguir como referência recente na discussão sobre quem, afinal, decide o rumo das grandes negociações no futebol brasileiro: presidentes, treinadores, conselhos ou os próprios jogadores.

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