“Meu Deus”: peça estrelada por Bianca Bin e Sérgio Guizé estreia hoje em São Paulo

Com direção de Elias Andreato, montagem transforma Deus em paciente de uma psicóloga e mistura humor, emoção e reflexões sobre fé, saúde mental e a condição humana
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O que aconteceria se Deus resolvesse procurar uma psicóloga? Essa é a provocação de “Meu Deus!”, espetáculo estrelado por Bianca Bin e Sérgio Guizé, que estreia hoje (24) no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado, em São Paulo. Com direção de Elias Andreato, a peça transforma um encontro improvável em uma comédia inteligente, sensível e repleta de reflexões sobre culpa, esperança, empatia e saúde mental.

Escrita pela dramaturga israelense Anat Gov, a montagem permanece em cartaz até 1º de novembro e apresenta um Deus fragilizado, que decide procurar ajuda psicológica após mergulhar em uma profunda depressão diante dos rumos da humanidade.

Uma sessão de terapia que pode mudar tudo

Na história, Ana, interpretada por Bianca Bin, é uma psicóloga respeitada que enfrenta uma rotina intensa. Mãe solo de um filho adulto com autismo, ela também convive com as marcas de um casamento fracassado e do desgaste emocional provocado pelos desafios da vida.

Tudo muda quando ela recebe um telefonema urgente de um paciente identificado apenas como “D”. Ao chegar ao consultório, o homem revela sua verdadeira identidade: é Deus.

Vivido por Sérgio Guizé, o Criador admite estar profundamente deprimido. Sentindo-se responsável por uma criação que acredita ter saído do controle, ele confessa que perdeu a esperança e considera desistir da própria existência.

Ana tem apenas uma sessão para convencê-lo de que ainda vale a pena acreditar na humanidade. A partir desse encontro improvável, o público acompanha uma história que equilibra humor ácido, emoção e reflexões sobre fé, responsabilidade, culpa, abandono e esperança.

Para Bianca Bin, interpretar Ana significou mergulhar em uma personagem marcada pela força e pela vulnerabilidade. Apesar de ser uma terapeuta extremamente competente, ela também enfrenta os próprios conflitos, resultado da sobrecarga emocional, da maternidade solo e das dificuldades da vida.

Segundo a atriz, esse conjunto faz de Ana um reflexo da sociedade atual. “A minha personagem é uma terapeuta e ela recebe simplesmente o personagem mais inusitado para uma sessão de terapia, que é Deus em depressão. Acho que esse é o maior desafio da carreira da Ana, que é uma terapeuta excelente, muito competente e, ao mesmo tempo, mãe solo, uma mulher sobrecarregada, exausta emocionalmente, ferida, descrente, mas que ainda assim escolhe acreditar no afeto, escolhe seguir, resistir”, completa

Bianca afirma ainda que a peça aborda questões universais sem defender qualquer religião ou crença específica, convidando o público à reflexão. “Para mim, ela simboliza a humanidade contemporânea, a resiliência humana. Nossa peça trata muito de compaixão e esperança, sem ser panfletária, sem defender nenhuma religião e sem desrespeitar o Deus de ninguém.”

Personagem de Sérgio Guizé 

Dar vida a Deus foi justamente o motivo que levou Sérgio Guizé a aceitar o desafio da montagem. O ator conta que buscou construir um personagem distante da figura onipotente normalmente associada ao Criador, aproximando-o das fragilidades humanas.

Segundo ele, essa versão de Deus representa sentimentos compartilhados por qualquer pessoa. “Esse é o grande desafio, mas também é o que me instiga e que me trouxe para o projeto. É uma alegria encontrar Deus dentro de mim, porque acredito que cada um tem o seu.” Guizé destaca que a peça propõe um Deus que deixa o altar para ocupar o divã de uma psicóloga, discutindo temas extremamente atuais.

“É muito bom poder fazer um Deus que não é o todo-poderoso, e sim um homem fragilizado que, na verdade, nos representa. É alguém que sai do altar e chega ao divã para discutir temas tão comuns e urgentes hoje em dia, como fé, religião, empatia e saúde mental.”
Para o ator, a construção do personagem nasce justamente da identificação com essas questões.

À frente da direção, Elias Andreato destaca que o humor de Meu Deus! nasce da própria situação vivida pelos personagens, sem recorrer a exageros ou caricaturas.

Durante os ensaios, o diretor deu liberdade para que Bianca Bin e Sérgio Guizé construíssem seus personagens de forma natural, explorando a química que o casal já possui fora dos palcos.

Para Andreato, o espetáculo trata de temas extremamente contemporâneos ao colocar Deus diante de questões como saúde mental, responsabilidade, intolerância e esperança.

O diretor também acredita que a peça convida o público a refletir sobre um tempo em que muitas pessoas se sentem donas da verdade, principalmente nas redes sociais, e lembra que reconhecer a própria vulnerabilidade talvez seja o primeiro passo para recuperar a empatia.

Humor para discutir temas profundos

Apesar do tema delicado, Meu Deus! aposta na comédia para provocar reflexão.

Ao colocar Deus em uma sessão de terapia, a dramaturga Anat Gov humaniza uma figura normalmente vista como inalcançável e aproxima o público de discussões sobre culpa, fé, responsabilidade e saúde mental.

Sem defender religiões ou levantar bandeiras, a montagem convida os espectadores a imaginar como seria um encontro entre o Criador e uma terapeuta que também enfrenta suas próprias dores.

Entre risos e momentos de emoção, o espetáculo propõe uma reflexão sobre o mundo contemporâneo e sobre a importância da escuta, da compaixão e da esperança.

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