Moraes revoga tornozeleira de Márcio Canella e muda cenário da disputa ao Senado no Rio

Decisão de Alexandre de Moraes altera cenário eleitoral no Rio após revisão de medidas contra policiais.
Redação NC News
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (24) revogar as medidas cautelares impostas ao ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella e ao policial militar Antônio Gomes da Silva Neto. A decisão determina a retirada imediata das tornozeleiras eletrônicas e devolve aos dois investigados a liberdade de circulação.

A medida altera o cenário político do Rio de Janeiro porque Canella é pré-candidato ao Senado pelo União Brasil e vinha enfrentando desgaste público após ser preso em flagrante e passar a ser monitorado judicialmente.

Apesar da retirada das restrições, o inquérito continua aberto. O caso segue sob análise e agora será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá avaliar se pede o arquivamento de parte das investigações ou se recomenda a continuidade das apurações.

O que decidiu Alexandre de Moraes?

A decisão de Moraes suspende todas as medidas cautelares determinadas anteriormente contra Márcio Canella e Antônio Gomes.

Com isso, deixam de valer:

  • uso de tornozeleira eletrônica;
  • recolhimento domiciliar noturno;
  • entrega de passaportes;
  • suspensão do porte de armas.
  • Segundo o ministro, documentos enviados pela Polícia Militar do Rio de Janeiro indicaram que as armas apreendidas durante a operação possuem registros oficiais e estavam vinculadas a integrantes da corporação.

A avaliação é que, diante dessas novas informações, perdeu força a justificativa inicial para manter as restrições de liberdade.

Por que a decisão muda o cenário político no Rio?

A retirada da tornozeleira representa um alívio político para Márcio Canella, que tenta consolidar sua candidatura ao Senado nas próximas eleições. O monitoramento eletrônico havia se transformado em um elemento negativo para sua imagem pública, principalmente por ocorrer em meio a uma investigação envolvendo suspeitas relacionadas a grupos criminosos e milícias no Rio de Janeiro.

Com a decisão do STF, aliados do político passam a defender que o episódio envolvendo as armas não deve ser tratado como impedimento para sua atuação eleitoral.

O inquérito, porém, continua sendo um fator de atenção porque outras linhas de investigação ainda permanecem abertas.

Como as armas apreendidas entraram no caso?

A investigação começou após uma operação da Polícia Federal que apurava possíveis conexões entre organizações criminosas, lavagem de dinheiro e agentes públicos no Rio de Janeiro.

Durante a ação, os investigadores encontraram um fuzil Colt M16 calibre 5,56 dentro da caminhonete blindada de Márcio Canella.

Também foi apreendida uma pistola Glock calibre .40 com o policial militar Antônio Gomes da Silva Neto. Inicialmente, os armamentos levantaram suspeitas sobre possível irregularidade no porte e na origem das armas.

Após análise da documentação apresentada pela Polícia Militar, o cenário jurídico mudou.

O que a Polícia Militar informou ao STF?

A Polícia Militar do Rio informou que o fuzil encontrado no veículo de Canella estava regularmente acautelado a um policial militar.

No caso de Antônio Gomes, a corporação confirmou que a pistola Glock estava registrada em nome do próprio policial, conforme os documentos internos apresentados.

Com essas informações, Moraes afirmou que os esclarecimentos apresentados pelas defesas passaram a ter respaldo documental.

Segundo a decisão, a discussão sobre eventuais falhas no controle, uso ou transferência dos equipamentos pode ser analisada na esfera administrativa, sem necessariamente configurar crime.

Da prisão em flagrante à retirada da tornozeleira

Márcio Canella foi preso em flagrante durante uma fase da Operação Unha e Carne, que investigava estruturas ligadas a milícias e grupos criminosos no estado.

Dias depois, Moraes concedeu liberdade provisória, mas determinou uma série de restrições, incluindo monitoramento eletrônico.

A justificativa naquele momento era a necessidade de preservar a investigação diante da gravidade dos fatos apurados.

Com a apresentação dos documentos da PM, o ministro entendeu que os fundamentos que sustentavam as medidas cautelares deixaram de existir.

O próximo passo depende da manifestação da Procuradoria-Geral da República.

Caso a PGR entenda que não existem elementos suficientes, poderá pedir o arquivamento de parte da investigação.

Se considerar que ainda há pontos a esclarecer, poderá solicitar novas medidas e manter o andamento do inquérito.

Enquanto isso, Márcio Canella volta ao cenário político sem as restrições judiciais, mas continua sendo investigado até uma decisão definitiva sobre o caso.

A Operação Unha e Carne faz parte de uma série de investigações voltadas ao combate à atuação de grupos criminosos no Rio de Janeiro e suas possíveis conexões com agentes públicos.

Casos envolvendo políticos, policiais e suspeitas de ligação com organizações criminosas costumam gerar forte impacto político porque misturam investigações judiciais, segurança pública e disputas eleitorais.

A decisão de Moraes recoloca no centro do debate a diferença entre uma suspeita criminal, uma irregularidade administrativa e uma condenação definitiva.

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