Quilos Mortais hoje: veja casos extremos e horário

Conheça histórias impactantes de obesidade extrema no retorno do programa à Record, mostrando os desafios físicos e emocionais.
Redação NC News
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O reality ‘Quilos Mortais’ volta à tela da Record nesta sexta, às 22h30, e recoloca no centro do entretenimento um drama real: a vida em corpo de mais de 270 quilos.

O programa exibe hoje a trajetória de Samantha Mason, que chega a 426 quilos, e recupera o drama de Leneatha, técnica farmacêutica de 274 quilos. As duas encaram o limite do próprio corpo sob a orientação do médico Dr. Now, símbolo da tentativa de virada contra a obesidade extrema.

Drama real em horário nobre

A volta de ‘Quilos Mortais’ à programação da Record insere, em pleno horário nobre, um retrato cru de uma doença tratada muitas vezes como piada ou falha de caráter. A atração, apresentada por Celso Zucatelli, com direção-geral de Bruno Gomes e direção artística de Cesar Barreto, aposta em histórias longas, feitas de internações, cirurgias e recaídas.

A emissora vende o episódio de hoje como “um dos casos mais dramáticos da história do programa: a luta de Samantha Mason contra o sobrepeso extremo”, segundo o portal R7. A estratégia é clara: usar o impacto visual do antes e depois para fisgar o público, mas também para falar de risco de morte, depressão e isolamento social.

Em paralelo, o caso de Leneatha, exibido na nova temporada, amplia o foco para os efeitos da violência doméstica, do abandono afetivo e da precariedade de apoio psicológico sobre o ganho de peso.

Samantha: da internet ao hospital

Samantha Mason se torna conhecida nas redes ao ganhar dinheiro gravando vídeos em que ingere grandes quantidades de comida. A exposição rende seguidores, paga contas e oferece uma forma distorcida de autoestima. Enquanto as visualizações crescem, a saúde desaba.

Quando procura Dr. Now, Samantha já passou dos 400 quilos. Vive praticamente confinada, depende de ajuda para tarefas básicas e recebe raras visitas da família e da filha, hoje adulta. A produção do programa acompanha a internação em hospital, a bateria de exames e a dieta rígida que antecedem a cirurgia bariátrica.

Depois de meses em ambiente controlado, ela consegue ser operada. O resultado inicial impressiona: o peso cai para 289 quilos, “o menor dos últimos 15 anos”, como destaca a Record nos materiais de divulgação. Ainda é muito, mas suficiente para que ela volte a sonhar com pequenas autonomias, como caminhar alguns metros sem colapso.

O pós-reality, porém, mostra que a TV captura apenas um recorte. Em vídeo recente, Samantha relata que mora em uma casa de repouso e se recupera de uma cirurgia reparadora no quadril. Precisa de novas intervenções para retirar excesso de pele e corrigir danos articulares, mas esbarra em limites do sistema de saúde. “É difícil achar médicos que aceitem operar por seu estado de saúde, e são necessários seis meses entre cada cirurgia”, afirma.

Entre uma operação e outra, ela convive com a incerteza: o corpo ainda é frágil, o risco cirúrgico permanece alto e o risco de reganho de peso está sempre à espreita.

Leneatha: peso, abuso e culpa

A história de Leneatha expõe outra face da mesma doença. Técnica farmacêutica, ela trabalha em hospital para sustentar sozinha a filha de 2 anos, deixada aos cuidados de uma tia enquanto a mãe enfrenta longos plantões. O corpo de 274 quilos é resultado de uma sequência de gatilhos: complicações depois de uma cirurgia, um relacionamento abusivo e, mais tarde, o abandono do pai da criança.

Quando chega ao consultório de Dr. Now, Leneatha verbaliza o medo de morrer e deixar a filha órfã. Ao mesmo tempo, luta contra a dificuldade de assumir o próprio papel no tratamento. A Record resume seu dilema: “Ela precisa emagrecer para ter a chance de fazer uma cirurgia que pode lhe devolver a qualidade de vida”, mas encontra barreiras para seguir as orientações médicas.

Na tela, a balança desmente o discurso de disciplina. O médico insiste em dietas de baixas calorias, na redução drástica de alimentos ultraprocessados e no monitoramento constante. O roteiro se constrói no confronto entre o que ela diz fazer e o que os números mostram, expondo um conflito comum a quem convive com obesidade grave: a culpa por cada grama a mais.

Entre serviço público e espetáculo

‘Quilos Mortais’ se apoia em um formato que mistura consulta médica, bastidor familiar e espetáculo visual. Ao mostrar ambulâncias adaptadas, macas reforçadas e cirurgias bariátricas de alto risco, o programa escancara a logística cara e complexa exigida por pacientes acima dos 250 quilos.

Na prática, o reality funciona como vitrine para a medicina bariátrica, a psicologia e a assistência social. Expõe o papel da equipe multidisciplinar, o acompanhamento psicológico para compulsão alimentar, o suporte nutricional e a necessidade de fisioterapia longa para recuperar mobilidade. Para famílias que vivem dramas semelhantes longe das câmeras, a atração oferece referências de tratamento e, em alguns casos, incentivo para buscar ajuda.

O outro lado vem na forma de críticas recorrentes à exploração da vulnerabilidade dos participantes. Ao transformar a dor em narrativa de superação com cortes rápidos e trilha dramática, o programa corre o risco de reduzir uma doença multifatorial a uma questão de força de vontade. Profissionais de saúde também relatam pressão de pacientes que, após verem casos extremos operados na TV, passam a cobrar o mesmo tipo de intervenção, mesmo sem indicação clínica.

O que pode mudar fora da tela

O retorno de ‘Quilos Mortais’ à grade da Record tende a reaquecer o debate sobre obesidade como problema de saúde pública. Estimativas recentes de autoridades sanitárias apontam crescimento contínuo do número de pessoas com obesidade grave no país, ao mesmo tempo em que as filas para cirurgia bariátrica no sistema público se alongam.

Ao acompanhar a dificuldade de Samantha para encontrar médicos que aceitem operar e o medo de Leneatha de deixar a filha sozinha, o público se confronta com perguntas incômodas: quem tem direito a cirurgia? Quem paga essa conta? Que tipo de apoio emocional e social existe depois do bisturi?

Para a Record, o sucesso da temporada pode consolidar ‘Quilos Mortais’ como peça fixa nas noites de sexta. Para médicos e pacientes, a exposição tende a forçar conversas sobre ampliação de acesso a tratamento, prevenção e combate ao preconceito contra pessoas gordas. O saldo final vai depender de como as próximas histórias serão contadas: como números na balança ou como vidas inteiras em disputa.

 

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