Ex-paquitas revelam racha no show Último Voo da Nave

Andréa Sorvetão e Bárbara Borges falam sobre os conflitos que as afastaram do espetáculo de Xuxa em São Paulo.
Redação NC News
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O show “O Último Voo da Nave”, que reúne paquitas no Nubank Parque, em São Paulo, acontece sem duas figuras marcantes da turma original: Andréa Sorvetão e Bárbara Borges. As duas ex-assistentes de Xuxa Meneghel usam as redes sociais nesta semana para explicar por que não recebem convite para a celebração.

Show comemorativo vira termômetro de relações

A ausência de Andréa e Bárbara rompe a imagem de reunião completa em torno do legado das paquitas. O espetáculo, realizado neste sábado, 25 de julho, marca um reencontro que mexe com a memória afetiva de várias gerações, mas também escancara um racha político e pessoal em torno de Xuxa.

Enquanto a apresentadora celebra décadas de TV e de cultura pop, duas ex-integrantes associam a exclusão de hoje a disputas que se arrastam desde o documentário recente sobre a trajetória de Xuxa e suas assistentes de palco. O caso ganha dimensão maior porque envolve temas sensíveis como homofobia, conservadorismo religioso e lealdade à antiga diretora Marlene Mattos.

O desabafo de Andréa Sorvetão

Em vídeo publicado em suas redes, Andréa Sorvetão diz claramente que não é convidada para o show. Ela reage a uma fala atribuída a Xuxa, segundo a qual estariam no palco as paquitas “que quisessem e pudessem” participar.

“Na verdade, quem convida para a festa é a anfitriã. Você não vai se você quer, tem que ter um convite. E mais uma vez eu fui cortada de todas as homenagens que houve para as paquitas desde o documentário”, afirma Andréa.

No mesmo vídeo, ela exibe um trecho em que Xuxa comenta que nunca rompe com paquitas por divergência política, mas por homofobia. “Eu deixo de falar com paquita por ser homofóbica, não suporto isso. Homofobia não dá para mim”, diz a apresentadora no registro mostrado pela ex-assistente.

Andréa rebate e associa o estremecimento à sua guinada pública conservadora, ao lado do marido, o cantor Conrado. “O seu desentendimento comigo é político, sim, desde que a gente fez um vídeo falando que era hétero, cristão e tradicional. Desde então você vem querendo colocar essa faixa [de homofobia] em mim e no Conrado. Mas continuamos firmes no que a gente pensa e defende”, afirma.

Ela ainda tenta esvaziar qualquer disputa jurídica ou de imagem em torno da celebração. Diz que, mesmo fora do palco, não impede o uso de seu rosto em imagens de arquivo. “Está autorizada. Vocês podem usar”, afirma no fim do desabafo.

Bárbara Borges aceita exclusão, mas aponta motivo

Bárbara Borges, atriz e ex-vencedora de reality show, também recorre às redes para justificar por que não aparece no “Último Voo da Nave”. Ela evita confronto direto, mas deixa claro que a ausência não é uma escolha sua.

“O show é da Xuxa! A celebração é dela e ela tem o direito legítimo de convidar quem ela quiser”, escreve. Em outro trecho, liga a falta de convite à postura que adota em relação a Marlene Mattos, diretora que trabalha com Xuxa por quase duas décadas e volta ao centro do debate após críticas duras da apresentadora em seu documentário.

Bárbara se notabiliza por defender publicamente Marlene, enquanto parte do grupo se afasta da ex-diretora. Hoje ela lê a exclusão como consequência direta dessa posição. “Já falei e repito que compreendo sem ressentimento eu não ter sido convidada e pela rejeição que sofri por ter furado a bolha e expressado o que eu sentia. Pago um preço alto por isso, mas foi o preço dos meus sentimentos, que são valiosos demais”, diz.

Assim como Andréa, Bárbara informa que autoriza o uso de sua imagem no projeto, mesmo de fora do elenco presencial. A mensagem tenta separar a memória profissional do embate pessoal que se instala nos bastidores.

Política, fé e lealdade no centro do racha

Os relatos de Andréa e Bárbara expõem duas frentes de crise. De um lado, o embate em torno de temas políticos e morais. Andréa se coloca como alvo por ser hoje uma figura ligada ao conservadorismo, à defesa de valores cristãos tradicionais e a posições alinhadas ao discurso de direita. Ela rejeita o rótulo de homofobia e enxerga nessa acusação uma tentativa de desqualificar sua atuação pública.

De outro lado, a disputa em torno de Marlene Mattos ancora a narrativa de Bárbara. A antiga diretora, que constrói ao lado de Xuxa parte da estética e da máquina de sucesso do programa infantil, vira personagem controversa. Bárbara escolhe defendê-la, numa leitura de gratidão pessoal e profissional, e entende que paga esse preço no presente.

Os dois vetos, ainda que não confirmados publicamente por Xuxa, revelam como divergências ideológicas e afetivas atravessam hoje o campo da cultura pop. Reencontros que deveriam apenas celebrar a nostalgia passam a funcionar como mostruário de quem está dentro ou fora de um círculo de afinidade política, religiosa e emocional.

Impacto sobre fãs, legado e próximos capítulos

Entre fãs das paquitas, o assunto domina comentários e rodas de conversa digitais. Parte do público cobra a presença de todas as ex-integrantes em um show que se vende como encerramento de um ciclo histórico. Outra parcela apoia o direito de Xuxa de escolher a dedo quem sobe ao palco ao seu lado.

Para Andréa Sorvetão, a perda é de visibilidade em um evento que resgata justamente a fase em que ela se torna conhecida nacionalmente. Fica fora de um momento que reconta sua própria biografia diante de milhares de pessoas. Para Bárbara Borges, o preço é semelhante: sua imagem, associada à memória afetiva de quem cresceu com a “nave”, não aparece no palco no momento de maior exposição recente do grupo.

Para Xuxa, o episódio reforça um movimento de controle estrito da narrativa sobre seu passado. Ao centralizar a curadoria de quem participa ou não do espetáculo, ela assume também o ônus das críticas por exclusões motivadas, na percepção das ausentes, por alinhamentos políticos e afetivos.

No mercado de eventos e entretenimento, o caso serve de alerta. Produções nostálgicas que reúnem elencos históricos passam a lidar com fissuras internas e cobranças externas por coerência, pluralidade e transparência. Se por um lado há interesse comercial em explorar memórias felizes, por outro cresce a pressão para que conflitos e cancelamentos não sejam varridos para baixo do tapete.

A partir de agora, a tendência é que novas entrevistas, lives e postagens prolonguem o assunto. A manutenção ou não desse bloqueio a Andréa Sorvetão e Bárbara Borges em futuros projetos ligados às paquitas vai indicar se o racha se cristaliza ou se abre espaço para algum tipo de mediação. Enquanto isso, o “Último Voo da Nave” entra para o histórico do grupo não apenas como festa de despedida, mas como o show que revela, em plena celebração, quem está fora da foto oficial.

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