Apesar da troca pública de acenos e vídeos nas redes sociais da última semana, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda não sentaram para conversar pessoalmente. O atrito, que ganhou contornos públicos recentemente, segue com arestas a serem aparadas nos bastidores.
A reaproximação entre os dois foi costurada de forma indireta, negociada por meio de aliados políticos e figuras centrais do partido, que atuaram para estancar a crise familiar e partidária. Segundo reportou a jornalista Raquel Landim, o primeiro encontro presencial para alinhar os rumos da campanha deve acontecer na convenção do Partido Liberal (PL) no Distrito Federal, marcada para o dia 5 de agosto.
Distância física e trégua virtual
O distanciamento entre as partes ficou evidente durante o último fim de semana. Michelle não compareceu presencialmente à convenção do PL em São Paulo, realizada no sábado (25), evento que oficializou a pré-candidatura de Flávio ao Planalto. A ex-primeira-dama participou apenas por meio de um vídeo gravado, frustrando a expectativa de uma ala do partido que chegou a reservar um voo para garantir sua presença no palco.
A crise tomou grandes proporções no fim de junho, quando Michelle expôs descontentamento com o enteado, relatando ter sido destratada em discussões políticas. Nos últimos dias, o clima caminhou para uma trégua digital:
- O recuo do senador: Flávio Bolsonaro publicou um vídeo reconhecendo os desgastes, afirmando que “ninguém é perfeito” e convidando a ex-primeira-dama para caminharem juntos pelo bem do país e da base conservadora.
- A resposta de Michelle: Horas depois, a ex-primeira-dama divulgou um vídeo aceitando as desculpas. Ela destacou a importância de unir forças, agradeceu a intermediação de aliadas (como a governadora do DF, Celina Leão, e a senadora Damares Alves) e afirmou publicamente: “Eu te desculpo. Vamos sentar, conversar e ajustar os detalhes”.
Apesar do tom apaziguador nas redes ter aliviado a tensão imediata sobre a cúpula do PL, a ausência de um diálogo direto confirma que a reconstrução da confiança mútua ainda dependerá do encontro presencial em Brasília.