Uma ocorrência que começou com o furto de um celular terminou com duas prisões e uma sucessão de crimes em Ji-Paraná, em Rondônia. Segundo a Polícia Militar, uma mulher confessou ter furtado um aparelho em um comércio da cidade e, já dentro da viatura, tentou subornar os policiais oferecendo R$ 300 para ser liberada. De acordo com o boletim de ocorrência, ela afirmou que o dinheiro era proveniente do Bolsa Família.
O homem que estava com ela também foi preso após, segundo a PM, reagir à abordagem com chutes e empurrões contra os militares. Durante a confusão, a mulher ainda teria tentado alcançar a arma de um dos policiais.
Como o furto aconteceu
O caso foi registrado na tarde de sábado (25), em um estabelecimento comercial de Ji-Paraná.
Segundo a Polícia Militar, um casal entrou no local e, após uma discussão, seguiu para o banheiro masculino. Poucos minutos depois, um celular que estava sobre o balcão desapareceu.
Desconfiados da movimentação, os proprietários foram até o banheiro e encontraram apenas a capa do aparelho, além da descarga quebrada. A situação levantou suspeitas de que o telefone teria sido escondido ou que os envolvidos tentaram se desfazer de parte do objeto.
Um familiar da vítima passou a acompanhar o casal pelas ruas enquanto acionava a Polícia Militar.
Mulher confessa o furto durante abordagem
Os policiais localizaram os suspeitos pouco tempo depois.
Ainda conforme a ocorrência, a mulher demonstrou nervosismo durante a abordagem e acabou admitindo o furto. Em seguida, retirou o celular que estava escondido sob a roupa e devolveu o aparelho aos policiais.
Apesar da recuperação do telefone, a ocorrência ganhou novos desdobramentos.
Homem reage e agride policiais
Quando recebeu voz de prisão, o homem que acompanhava a suspeita passou a resistir à ação policial.
Segundo a PM, ele desferiu chutes e empurrões contra os militares, obrigando a equipe a utilizar spray de pimenta e algemas para conter a agressão.
Durante a confusão, a mulher também teria tentado pegar a arma de um dos policiais, situação considerada de alto risco pelas equipes de segurança.
Após serem controlados, os dois foram colocados na viatura e levados para a Unidade Integrada de Segurança Pública (Unisp) de Ji-Paraná.
[INSERIR VÍDEO DA OCORRÊNCIA, SE HOUVER]
Tentativa de suborno dentro da viatura
Foi durante o deslocamento até a delegacia que a ocorrência ganhou um novo capítulo.
De acordo com o boletim de ocorrência, a mulher retirou da bolsa seis notas de R$ 50, totalizando R$ 300, e ofereceu o dinheiro aos policiais para que fosse colocada em liberdade.
Ainda segundo o registro policial, ela afirmou que a quantia era proveniente do Bolsa Família, programa federal de transferência de renda destinado a famílias em situação de vulnerabilidade social.
Os policiais recusaram imediatamente a oferta.
A tentativa também foi registrada oficialmente.
Segundo a Polícia Militar de Rondônia, a mulher foi autuada pelo crime de corrupção ativa.
O que é corrupção ativa?
A corrupção ativa ocorre quando uma pessoa oferece, promete ou entrega vantagem indevida a um agente público para influenciar sua atuação.
Mesmo que o servidor recuse a proposta, a simples oferta pode caracterizar o crime, cuja pena prevista no Código Penal é de dois a doze anos de prisão, além de multa.
O Bolsa Família tem relação com o crime?
Não.
O Bolsa Família é um programa federal destinado ao atendimento de famílias em situação de pobreza e extrema pobreza.
Segundo o boletim de ocorrência, a própria suspeita afirmou que o dinheiro oferecido aos policiais era proveniente do benefício social.
Até o momento, não há qualquer informação indicando irregularidade no recebimento do Bolsa Família nem qualquer relação entre o programa e a prática dos crimes investigados.
As autoridades também não informaram se haverá análise sobre eventual uso indevido dos recursos do benefício.
O que acontece agora?
O caso será investigado pela Polícia Civil.
A mulher poderá responder pelo furto do celular e pela acusação de corrupção ativa.
Já o homem deverá responder pelos atos de resistência, agressão aos policiais e por outros crimes que eventualmente sejam confirmados durante a investigação.
Também serão apuradas as circunstâncias da tentativa de alcançar a arma de um dos militares durante a abordagem.
A Justiça decidirá, nas próximas etapas do processo, sobre a responsabilização de cada um dos envolvidos.
- Casal entra em comércio.
- Celular desaparece.
- Proprietários encontram apenas a capa do aparelho.
- Familiar segue os suspeitos e aciona a PM.
- Mulher confessa o furto e devolve o celular.
- Homem reage à prisão e agride policiais.
- Mulher tenta pegar a arma de um policial.
- Dentro da viatura, suspeita oferece R$ 300 para ser liberada.
- PM recusa a oferta e registra o crime de corrupção ativa.
- Casal é encaminhado para a Unisp de Ji-Paraná.
ENTENDA O CONTEXTO
A ocorrência registrada em Ji-Paraná começou como um caso de furto de celular, mas terminou envolvendo uma série de crimes que ampliaram a gravidade da situação. Segundo a Polícia Militar, além da subtração do aparelho, houve resistência à prisão, agressões contra os policiais, tentativa de alcançar a arma de um militar e, posteriormente, a oferta de dinheiro para evitar a prisão.
O caso chama atenção pela rápida escalada da violência durante uma ocorrência inicialmente considerada simples. Agora, caberá à Polícia Civil concluir a investigação e à Justiça analisar as acusações apresentadas contra os dois suspeitos, com base nas provas reunidas ao longo do inquérito.