A chegada de uma nova onda de frio na Região Sul fez o Ministério da Saúde reforçar as orientações para proteger a população contra os efeitos das baixas temperaturas. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná estão entre os estados que devem receber atenção especial dos serviços de saúde.
Em São José dos Ausentes, no Rio Grande do Sul, os termômetros chegaram a -6,8 °C, a menor temperatura registrada no país neste ano até o momento. A previsão indica novas mudanças nas condições do tempo nos próximos dias.
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Entenda o que aconteceu
O Ministério da Saúde informou que uma nota técnica será encaminhada aos serviços de saúde do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com orientações para a assistência à população durante períodos de frio intenso e instabilidade climática.
A recomendação é que as equipes reforcem a vigilância e o acompanhamento, principalmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades.
O frio pode provocar impactos que vão além do desconforto. A exposição prolongada às baixas temperaturas pode agravar doenças cardiovasculares e aumentar o risco de problemas como hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Frio também aumenta risco de doenças respiratórias
As temperaturas mais baixas favorecem a circulação de vírus respiratórios, aumentando a ocorrência de síndromes gripais e infecções que podem evoluir para quadros mais graves.
Entre os vírus que exigem atenção estão influenza, vírus sincicial respiratório (VSR) e Covid-19.
O Ministério da Saúde reforça que o SUS oferece gratuitamente vacinas contra essas doenças, de acordo com os públicos definidos no Calendário Nacional de Vacinação.
No caso das gestantes, a vacinação contra o VSR também contribui para proteger os bebês nos primeiros meses de vida contra a bronquiolite.
População em situação de rua recebe atenção especial
A população em situação de rua está entre os grupos mais vulneráveis durante episódios de frio extremo.
As equipes do Consultório na Rua realizam busca ativa, vacinação e acompanhamento diretamente nos territórios, com o objetivo de ampliar o acesso dessas pessoas aos serviços do SUS.
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Quais sintomas exigem atendimento médico
A orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) quando os sintomas forem persistentes ou estiverem se agravando.
Entre os sinais de alerta estão:
tontura;
fraqueza;
dor de cabeça;
náuseas;
cãibras;
diarreia;
falta de ar;
tosse;
piora de uma doença crônica.
Nas UBSs, as equipes podem avaliar o paciente, acompanhar doenças crônicas, orientar sobre hidratação e prevenção, atualizar a vacinação e identificar sinais de agravamento.
Em situações mais graves, como confusão mental, desmaio, convulsões, perda de consciência ou dificuldade intensa para respirar, a recomendação é procurar atendimento de urgência em uma UPA do SUS.
Veja as principais recomendações do Ministério da Saúde
Para reduzir os riscos provocados pelo frio, o Ministério da Saúde recomenda:
Manter a vacinação atualizada, principalmente contra influenza e Covid-19;
usar máscara quando estiver com sintomas gripais ou em locais fechados, pouco ventilados e com aglomeração;
utilizar roupas e agasalhos adequados;
trocar rapidamente roupas úmidas ou molhadas;
evitar o consumo de álcool durante dias frios, devido ao risco de hipotermia;
manter uma boa hidratação mesmo com temperaturas baixas;
procurar atendimento médico diante de confusão mental, calafrios intensos ou dificuldade para respirar.
Entenda o contexto
Além das orientações à população, o Ministério da Saúde mantém estruturas voltadas à resposta a eventos climáticos extremos.
A Força Nacional do SUS (FN-SUS) pode ser acionada para apoiar estados e municípios em ações de assistência, conforme a necessidade e a avaliação técnica de cada ocorrência.
Atualmente, há bases regionais da Força Nacional do SUS em Porto Alegre (RS), Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ). Outras seis bases estão previstas até o fim de 2026.
As estruturas contam com equipamentos como posto médico avançado, comunicação via satélite e drones, permitindo o deslocamento de equipes para localidades da região de referência em situações de emergência.
O trabalho também é integrado aos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), que reúnem dados climáticos e epidemiológicos para identificar riscos e ajudar o SUS a se preparar para eventos extremos.
As medidas fazem parte do AdaptaSUS, plano nacional de adaptação do setor de saúde às mudanças climáticas. O programa prevê 27 metas e 93 ações até 2035, com previsão de R$ 9,8 bilhões em investimentos para adaptação estrutural.