A morte do gari Diêgo Rafael da Silva, de 19 anos, atropelado enquanto trabalhava na coleta de lixo na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo, provocou forte comoção entre os colegas de profissão e repercutiu na coleta de resíduos em parte da capital. Em entrevista exclusiva ao NC News Acontece, o presidente do SIEMACO-SP, André Santos Filho, esclareceu que a interrupção parcial do serviço não foi uma greve, mas um protesto motivado pelo impacto emocional da tragédia.
Segundo o dirigente sindical, muitos trabalhadores da garagem da empresa Loga, na Vila Maria, não tinham condições psicológicas de iniciar a jornada poucas horas após a morte do colega.
“Não foi uma greve. Os trabalhadores estavam profundamente abalados, sem condições psicológicas de sair para fazer a coleta. Foi um protesto diante de uma tragédia que atingiu toda a categoria”, afirmou.
Categoria pede justiça após morte de jovem gari
Diêgo Rafael da Silva trabalhava havia apenas dois meses como gari. Ele morreu na noite de domingo (26), aos 19 anos, depois de ser atingido por um carro enquanto realizava a coleta de lixo na Rua do Bosque, na Barra Funda.
O motorista apontado como responsável pelo atropelamento é o empresário Guofang Huang, de 53 anos. Segundo a investigação, ele apresentava índice de álcool superior ao dobro do limite legal e deixou o local antes de ser detido.
A vítima deixa uma filha de 1 ano e 3 meses, além da esposa, que está grávida de oito meses.
“É muito triste. Acabei de sair do cemitério. Toda a categoria está perplexa e abatida com a forma como tudo aconteceu”, disse André Santos Filho.
Sindicato nega paralisação geral
Durante a entrevista, o presidente do SIEMACO-SP fez questão de desmentir informações de que haveria uma greve da categoria.
Segundo ele, a cidade de São Paulo conta com cerca de 20 mil trabalhadores da limpeza urbana, distribuídos entre duas concessionárias responsáveis pela coleta domiciliar.
No caso da Loga, empresa onde Diêgo trabalhava, parte das equipes da garagem da Vila Maria decidiu não sair para as ruas porque os funcionários ainda estavam emocionalmente abalados após a morte do colega.
“Não existiu greve. Alguns caminhões não saíram porque os trabalhadores não tinham condições psicológicas de trabalhar naquele momento”, explicou.
Pressão para que o caso não fique impune
O sindicato também realizou um ato em frente ao 7º Distrito Policial, na Lapa, cobrando rigor nas investigações e punição ao motorista envolvido.
Durante a entrevista, André Santos Filho afirmou que a mobilização pretende evitar que o caso termine sem responsabilização.
“Nós não vamos deixar esse caso impune. Vamos fazer toda a pressão necessária para que haja justiça.”
Categoria pede mais segurança para os garis
Além da cobrança por justiça, o presidente do SIEMACO-SP destacou a necessidade de ampliar a segurança dos profissionais da limpeza urbana, que trabalham diariamente expostos ao trânsito intenso da capital.
Segundo ele, acidentes graves envolvendo garis reforçam a necessidade de maior conscientização dos motoristas e de políticas voltadas à proteção desses trabalhadores.
Reconhecimento aos profissionais da limpeza
Ao encerrar a entrevista, André Santos Filho agradeceu o espaço concedido pelo NC News Acontece e destacou que os garis costumam ser lembrados apenas quando o serviço deixa de ser realizado.
“A população percebe quando o caminhão não passa, mas muitas vezes esses trabalhadores são invisíveis no dia a dia. Esperamos que essa tragédia também sirva para conscientizar sobre a importância da nossa categoria.”