Coalizão lança estratégia para ampliar presença de candidatos negros nas eleições de 2026

Quilombo nos Parlamentos reúne mais de 100 pré-candidaturas e apresenta manifesto com propostas para aumentar a representação política e combater desigualdades raciais
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Uma articulação do movimento negro lançou nesta quarta-feira (29), em São Paulo, uma estratégia para ampliar a participação de candidatos negros nas eleições de 2026. Batizada de Quilombo nos Parlamentos, a iniciativa reúne pré-candidaturas de diferentes estados, pretende atrair novos participantes ao longo da campanha e apresentou um manifesto com propostas voltadas à representação política da população negra.

Criado pela Coalizão Negra por Direitos em 2022, o projeto busca reunir candidatos de diferentes partidos em torno de uma agenda comum de combate ao racismo e de promoção da igualdade racial. Durante o lançamento, a organização também defendeu mudanças nas regras eleitorais e criticou o cenário político atual.

 

O que é o Quilombo nos Parlamentos?

O projeto foi criado em 2022 pela Coalizão Negra por Direitos com o objetivo de apoiar candidaturas negras comprometidas com pautas relacionadas à igualdade racial, à democracia e à ampliação de direitos.

Segundo a organização, a primeira edição reuniu mais de 100 candidaturas em todo o país. A Coalizão afirma que os participantes receberam mais de 4 milhões de votos e que 26 candidatos foram eleitos para o Congresso Nacional e Assembleias Legislativas.

Para as eleições de 2026, a entidade afirma que o projeto volta a ser organizado em escala nacional e já reúne mais de 100 pré-candidaturas. No entanto, outro trecho do material distribuído à imprensa menciona mais de 45 pré-candidaturas. A divergência ainda precisa ser esclarecida pela organização.

Críticas ao cenário político
Durante o evento, representantes da Coalizão Negra por Direitos defenderam o aumento da participação da população negra nos espaços de decisão e fizeram críticas ao cenário político brasileiro.

Entre as declarações, integrantes do movimento afirmaram que o país enfrenta um crescimento do militarismo e criticaram o que classificaram como falta de compromisso do Senado com os interesses da classe trabalhadora. Também defenderam o enfrentamento ao racismo estrutural, denunciaram episódios de intolerância contra religiões de matriz africana e sustentaram que ampliar a presença de parlamentares negros é uma forma de fortalecer a democracia.

O que prevê o manifesto?


O manifesto apresentado pela Coalizão estabelece uma série de compromissos para candidatos que aderirem ao projeto.

Entre as propostas estão:

cumprimento das cotas eleitorais de raça e gênero, combate às fraudes na autodeclaração racial, enfrentamento da violência política racial e de gênero, maior transparência na distribuição de recursos públicos destinados às candidaturas negras, fortalecimento de políticas de promoção da igualdade racial.

Os interessados assinaram uma Carta Compromisso, documento em que assumem publicamente o compromisso de defender essas diretrizes caso sejam eleitos.

Por que a representação negra está no centro do debate?

A Coalizão Negra por Direitos argumenta que a baixa presença de pessoas negras nos espaços de poder influencia a formulação de políticas públicas e dificulta o enfrentamento das desigualdades raciais.

Como parte dessa argumentação, a entidade cita o Ranking Igualdade Racial 2025, que, segundo a organização, aponta maior atuação de parlamentares negros e mulheres em iniciativas relacionadas à promoção da igualdade racial.

Quem pode participar?

Segundo a organização, o Quilombo nos Parlamentos é uma iniciativa suprapartidária e permite a adesão de candidatos de diferentes legendas, desde que concordem com os princípios estabelecidos no manifesto.

De acordo com a Coalizão, novas pré-candidaturas poderão aderir ao movimento durante o processo eleitoral de 2026.

O que acontece agora?

Com o lançamento do manifesto e da Carta Compromisso, a Coalizão inicia a etapa de mobilização de candidatos para as eleições de 2026. A expectativa da entidade é ampliar o número de participantes e acompanhar a campanha eleitoral.

A iniciativa também pretende colocar em evidência debates sobre financiamento eleitoral, violência política e representatividade racial durante a disputa por vagas no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas.

Entenda o contexto

A discussão sobre a representação da população negra na política brasileira envolve tanto o número de candidatos eleitos quanto as condições de disputa durante as campanhas eleitorais. Nos últimos anos, temas como distribuição dos recursos eleitorais, cumprimento das cotas raciais e combate à violência política passaram a ocupar espaço crescente no debate público.

Criado em 2022, o Quilombo nos Parlamentos busca articular candidaturas negras de diferentes partidos em torno de uma agenda comum. Segundo a Coalizão Negra por Direitos, a primeira edição contribuiu para a eleição de 26 parlamentares. Em 2026, a organização pretende ampliar essa articulação e fortalecer a participação de candidatos negros no processo eleitoral.

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