Crianças estão no alerta dos afogamentos: 11 mortes em MG neste ano

Número faz parte das 126 mortes por afogamento registradas no estado no primeiro semestre; especialistas reforçam a importância da supervisão e da natação desde a infância
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Piscinas, rios, cachoeiras e lagos costumam ser sinônimo de diversão, principalmente durante períodos de calor e férias. Mas, por trás do lazer, existe um perigo silencioso que pode transformar poucos segundos de distração em uma tragédia. Em Minas Gerais, 126 pessoas morreram afogadas somente no primeiro semestre deste ano, segundo dados do Corpo de Bombeiros. Entre as vítimas, 11 eram crianças de até 12 anos.

Os números reforçam um alerta para pais e responsáveis sobre a importância da prevenção, da supervisão constante e do preparo das crianças para lidar com situações de risco dentro da água. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foram registradas 13 mortes por afogamento no mesmo período.

Um dos casos mais recentes aconteceu nesta semana, em Santana do Riacho, na região Central de Minas. Uma criança de cinco anos, que tinha autismo, morreu afogada em um lago usado para criação de peixes, localizado nos fundos da casa onde a família passava o fim de semana. Segundo a Polícia Militar, o menino foi encontrado pelo pai boiando na água.

A cena, que não envolve a família da Naiara Fernandes, mostra um perigo que pode acontecer em poucos segundos e serve de alerta para pais e responsáveis. Foi justamente para evitar situações como essa que a pedagoa decidiu colocar a filha Stella, de apenas três anos, nas aulas de natação.

Segundo ela, o objetivo é que a criança aprenda desde cedo a lidar com situações de emergência dentro da água.

“A gente frequenta muitos lugares com piscina, como clubes e sítios, e percebi a necessidade de colocar a Stella na natação para garantir mais segurança. A ideia é que ela aprenda a lidar com a água e tenha mais autonomia para evitar acidentes.”, conta da pedagoga

Aprender a nadar pode salvar vidas

Especialistas explicam que diversos fatores contribuem para o aumento dos casos, como falta de supervisão, desconhecimento dos riscos e excesso de confiança em ambientes aquáticos.

Para a professora de Educação Física e especialista em natação Francine Araújo, ensinar crianças a nadar desde cedo pode ser uma importante ferramenta de prevenção.

“Apesar de toda a diversão, relaxamento e gasto energético que a natação proporciona, saber nadar, na minha opinião, deveria ser um conhecimento universal. Todos deveriam saber. Infelizmente, a falta de conhecimento na prática pode desencadear acidentes graves, seja por excesso de confiança, falta de conhecimento ou outros fatores, e resultar em fatalidades”, afirma.

Segundo a especialista, a natação não deve ser vista apenas como uma atividade esportiva, mas também como uma forma de desenvolver habilidades que podem ajudar em uma situação de emergência.

Natação ajuda crianças a desenvolverem segurança na água
Além do aprendizado dos movimentos, as aulas trabalham técnicas como flutuação, controle da respiração e deslocamento até um local seguro.

Francine explica que o contato com a água desde a infância pode preparar a criança para reagir melhor diante de um imprevisto.

“Ensinar uma criança a nadar desde cedo reduz significativamente os riscos em situações de emergência dentro da água. Além do desenvolvimento da coordenação motora, do equilíbrio, do desenvolvimento cognitivo e da confiança, as aulas proporcionam noções de sobrevivência aquática, como flutuação, respiração e deslocamento até um local seguro”, explica.

Saber nadar não substitui a atenção dos pais
Apesar da importância da natação, especialistas reforçam que o aprendizado não elimina os riscos. Crianças nunca devem ficar sozinhas perto de piscinas, rios, lagos ou cachoeiras.

A recomendação é que os responsáveis mantenham supervisão constante e deixem os pequenos sempre ao alcance de um braço.

Entre as medidas de prevenção estão o uso de coletes salva-vidas quando necessário, instalação de barreiras de proteção em piscinas e atenção redobrada em locais desconhecidos.

A combinação entre informação, prevenção e educação aquática pode ser decisiva para evitar que momentos de diversão terminem em tragédia.

Confira dicas para evitar afogamentos
Especialistas orientam que alguns cuidados simples podem evitar tragédias durante passeios e momentos de lazer:

  • Nunca deixe crianças sozinhas perto da água, nem por poucos segundos;
  • Mantenha os pequenos sempre ao alcance de um braço de um adulto;
  • Prefira locais com guarda-vidas e estrutura adequada para banho;
  • Utilize coletes salva-vidas em embarcações e atividades aquáticas;
  • Evite nadar em rios, lagoas ou cachoeiras desconhecidas;
  • Respeite placas de sinalização e áreas interditadas;
  • Incentive crianças e adultos a aprenderem a nadar.

Embora o período de férias esteja terminando, o cuidado deve permanecer durante todo o ano. Afinal, basta um momento de distração para que um passeio em família termine em tragédia. Especialistas reforçam que informação, vigilância e prevenção continuam sendo as principais ferramentas para salvar vidas.

Carregar Comentários