Comunidades ribeirinhas que realizam o manejo sustentável do pirarucu no Amazonas passam a contar com um novo incentivo financeiro para fortalecer a conservação da espécie e gerar renda. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), abriu o chamamento público do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Pirarucu, voltado à habilitação de organizações comunitárias interessadas em aderir à iniciativa.
O programa reconhece financeiramente comunidades que contribuem para a conservação dos ecossistemas amazônicos por meio do manejo comunitário sustentável do pirarucu (Arapaima gigas), espécie considerada um símbolo da biodiversidade brasileira e de grande importância econômica para populações tradicionais da região.
Pagamento reconhece quem protege os recursos naturais da Amazônia
O edital prevê investimento aproximado de R$ 7 milhões em 2026. Os recursos são provenientes do Projeto Floresta+ Amazônia, financiado pelo Fundo Verde para o Clima (Green Climate Fund – GCF), dentro da estratégia brasileira de valorização dos serviços ambientais prestados por comunidades tradicionais.
Na prática, o programa remunera organizações comunitárias pelo trabalho de conservação realizado durante o manejo sustentável do pirarucu, reconhecendo que a proteção dos lagos e o uso responsável dos recursos pesqueiros geram benefícios ambientais para toda a sociedade.
Quem pode participar do programa
Podem aderir ao PSA Pirarucu associações, cooperativas e colônias de pescadores envolvidas no manejo comunitário sustentável da espécie no estado do Amazonas.
A adesão é voluntária e ocorre por meio de chamamento público conduzido pelo MMA e pela Conab. As organizações habilitadas poderão receber pagamentos referentes aos serviços ambientais prestados durante o manejo realizado em 2025, conforme os critérios estabelecidos no edital.
Conservação ambiental também gera desenvolvimento econômico
Além de contribuir para a recuperação dos estoques naturais do pirarucu, o programa fortalece a bioeconomia amazônica ao criar uma fonte adicional de renda para comunidades que conciliam conservação e produção.
A expectativa é ampliar a valorização do manejo sustentável, reduzir a pressão sobre a pesca ilegal e incentivar que mais organizações comunitárias adotem práticas reconhecidas de monitoramento e preservação dos ambientes aquáticos.
Para o setor, a iniciativa representa um avanço ao transformar a conservação ambiental em oportunidade econômica, fortalecendo um modelo de desenvolvimento baseado no uso sustentável da biodiversidade amazônica.
Próximo passo será ampliar o alcance do programa
Após a etapa de habilitação, o desafio passa a ser ampliar a participação das organizações comunitárias e consolidar o pagamento por serviços ambientais como instrumento permanente de incentivo à conservação da biodiversidade.
Especialistas avaliam que iniciativas como essa podem fortalecer cadeias produtivas sustentáveis e ampliar a geração de renda em comunidades tradicionais da Amazônia, ao mesmo tempo em que contribuem para a proteção dos recursos naturais.
Fontes:
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); Companhia Nacional de Abastecimento (Conab); Projeto Floresta+ Amazônia.