Câmeras de SP e RJ passam a ajudar na localização de desaparecidos; entenda como funciona o sistema

Integração entre redes de reconhecimento facial e banco nacional do Ministério Público amplia a busca por pessoas desaparecidas em todo o país; São Paulo e Rio concentram a maioria dos registros.
Redação NC News
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Encontrar uma pessoa desaparecida pode ficar mais rápido com o uso da tecnologia. As câmeras de reconhecimento facial da cidade de São Paulo e do estado do Rio de Janeiro passaram a ser integradas ao sistema nacional de localização de desaparecidos do Ministério Público de São Paulo (MPSP), ampliando a capacidade de identificação de pessoas procuradas em todo o Brasil.

A iniciativa resulta de um acordo entre o Ministério Público de São Paulo (MPSP), o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Secretaria Municipal de Segurança Urbana da capital paulista. A expectativa é aumentar as chances de localizar pessoas desaparecidas por meio das imagens captadas pelas redes de videomonitoramento.

Como a nova integração vai funcionar?

Com a parceria, familiares que registrarem um desaparecimento poderão autorizar a inclusão da fotografia da pessoa no Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (Sinalid).

A partir daí, a imagem poderá ser comparada automaticamente com os registros das câmeras de reconhecimento facial do Smart Sampa, na capital paulista, e do Centro Integrado de Comando e Controle, no estado do Rio de Janeiro.

Na prática, se uma pessoa cadastrada for identificada por uma dessas câmeras, as autoridades poderão ser acionadas para verificar a ocorrência e dar andamento às buscas.

O que é o Sinalid?

Criado em 2017 pelo Ministério Público de São Paulo, o Sinalid reúne informações sobre pessoas desaparecidas em todo o país.

O sistema integra dados compartilhados por órgãos do Ministério Público, forças de segurança, serviços de saúde, assistência social e organizações não governamentais.

Segundo o Ministério Público, a ferramenta já contribuiu para solucionar 33.236 casos de desaparecimentos e situações relacionadas desde sua criação.

Por que São Paulo e Rio são estratégicos?

Os dois estados concentram a maior parte dos registros nacionais.

Dos aproximadamente 115,4 mil casos cadastrados no sistema, cerca de 42,8 mil são do Rio de Janeiro e 38,8 mil pertencem a São Paulo.

Juntos, os dois estados representam 71% de todos os desaparecimentos registrados na plataforma, tornando a integração das redes de monitoramento um passo considerado estratégico pelas autoridades.

Como cadastrar uma pessoa desaparecida?

O Ministério Público orienta que familiares ou responsáveis procurem o órgão o mais rapidamente possível após constatarem o desaparecimento.

Para que os dados sejam incluídos no sistema, é necessário o consentimento da família ou do responsável legal pela pessoa desaparecida.

Quanto antes o cadastro for realizado, maiores são as chances de que a tecnologia contribua para a localização.

O que revelam os dados sobre desaparecimentos?

Além de auxiliar nas buscas, o Sinalid também ajuda a compreender o perfil dos desaparecimentos no Brasil.

Segundo os dados do sistema:

  • 59,2% dos casos não apresentam uma causa aparente;
  • 14,6% estão relacionados à dependência química;
  • 11,8% envolvem perda voluntária de contato;
  • 10,3% têm relação com problemas psiquiátricos.

Esses números mostram que o desaparecimento de pessoas é um fenômeno complexo e pode ter diferentes origens.

Casos recentes reforçam a importância da ferramenta

Dois desaparecimentos registrados nas últimas semanas ilustram os desafios enfrentados pelas famílias.

O maratonista Daniel Nascimento, de 28 anos, desapareceu no dia 19 de junho em Paraguaçu Paulista, no interior de São Paulo. Segundo familiares, ele saiu de casa levando uma mochila preta e não retornou. Posteriormente, foi visto caminhando às margens de uma rodovia em Boituva.

Outro caso é o de Bruno Fernando Rego, também de 28 anos e natural de Capivari (SP), desaparecido desde 5 de julho em Paris, na França. Segundo a família, ele trabalhava como motorista de aplicativo no país europeu para custear o tratamento de saúde da filha.

Até o momento, nenhum dos dois foi localizado.

O que muda agora?

Com a integração entre as plataformas de reconhecimento facial e o banco nacional de desaparecidos, as autoridades esperam acelerar a localização de pessoas desaparecidas e ampliar o alcance das buscas.

Embora a tecnologia represente um avanço importante, especialistas destacam que ela funciona como ferramenta de apoio às investigações e depende do cadastramento correto das informações e da atuação das forças de segurança.

Entenda o contexto

O Brasil registra milhares de desaparecimentos todos os anos. Muitas famílias enfrentam longos períodos sem informações sobre parentes desaparecidos, o que dificulta as investigações e prolonga a angústia.

A integração das câmeras de reconhecimento facial de São Paulo e do Rio de Janeiro ao Sinalid busca justamente ampliar a capacidade de identificação dessas pessoas em locais públicos. Como os dois estados concentram mais de 70% dos registros nacionais, a expectativa é que a iniciativa aumente significativamente as chances de localização e reduza o tempo de resposta das autoridades.

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