O Governo de São Paulo decidiu ampliar a campanha estadual de multivacinação após a confirmação do 15º caso de sarampo no estado em 2026. A mobilização, que começa na próxima segunda-feira (3), continuará com foco na atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes, mas também reforçará a proteção contra o sarampo em municípios considerados estratégicos diante do cenário epidemiológico.
A campanha será realizada simultaneamente nos 645 municípios paulistas. Além da vacinação contra a poliomielite e das demais doenças previstas no Calendário Nacional de Vacinação, haverá uma estratégia ampliada contra o sarampo na capital paulista, em Guarulhos e em São Bernardo do Campo.
O que muda na vacinação?
A principal novidade é a ampliação da oferta da vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a imunização será disponibilizada para pessoas entre 6 meses e 59 anos, independentemente da situação vacinal.
Para bebês entre 6 e 11 meses, será aplicada a chamada “dose zero”, uma proteção extra recomendada em situações de maior circulação do vírus. Essa aplicação não substitui as duas doses previstas no calendário infantil, que continuam obrigatórias aos 12 e aos 15 meses.
Quem pode se vacinar contra o sarampo?
Bebês de 6 a 11 meses: dose zero (em áreas contempladas).
Crianças: conforme o Calendário Nacional de Vacinação.
Pessoas de até 59 anos: estratégia ampliada nos municípios definidos.
Por que o governo decidiu ampliar a campanha?
A decisão foi tomada após a confirmação do 15º caso de sarampo no estado neste ano.
Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), o caso mais recente envolve uma criança de Guarulhos que não havia sido vacinada contra a doença. O aumento dos registros acendeu um alerta nas autoridades sanitárias, principalmente porque o sarampo é altamente contagioso e pode provocar complicações graves, sobretudo em crianças pequenas e pessoas com baixa imunidade.
Cobertura vacinal ainda preocupa
Apesar de o Brasil oferecer vacinação gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a cobertura vacinal permanece abaixo da meta considerada ideal.
Dados preliminares de 2026 mostram que São Paulo alcançou cerca de 77,5% de cobertura na primeira dose da tríplice viral e 65,5% na segunda. O objetivo do Ministério da Saúde é atingir 95% em cada etapa para reduzir o risco de transmissão da doença.
Especialistas alertam que a queda na vacinação facilita a reintrodução de doenças que já estavam controladas no país.
Quais vacinas estarão disponíveis?
Durante a campanha de multivacinação, os postos oferecerão todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação, conforme a idade e o histórico de cada pessoa.
Entre elas estão imunizantes contra:
- Poliomielite;
- Sarampo, caxumba e rubéola;
- Hepatite A e B;
- HPV;
- Febre amarela;
- Influenza;
- Covid-19;
- Meningites;
- Pneumonia;
- Rotavírus;
- Varicela, entre outras.
Por que a vacinação contra a pólio continua sendo importante?
Embora o Brasil não registre casos de poliomielite causada pelo vírus selvagem há décadas, a doença continua circulando em alguns países e pode voltar a representar risco caso a cobertura vacinal diminua.
A poliomielite pode provocar paralisia permanente, principalmente em crianças, e a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção. A campanha de multivacinação busca justamente evitar que doenças já controladas voltem a ameaçar a população.
O que os pais precisam fazer?
A orientação da Secretaria de Estado da Saúde é que pais e responsáveis levem crianças e adolescentes até uma Unidade Básica de Saúde com a caderneta de vacinação.
Os profissionais verificarão quais doses estão pendentes e aplicarão apenas as vacinas necessárias para manter a proteção em dia. Os horários de funcionamento dos postos são definidos por cada município.
Entenda o contexto
O Estado de São Paulo intensificou a campanha de vacinação após registrar aumento dos casos de sarampo em 2026. A confirmação do 15º caso reforçou a preocupação das autoridades de saúde com a queda da cobertura vacinal, que permanece abaixo da meta nacional.
Além de atualizar a imunização de crianças e adolescentes, a estratégia busca ampliar rapidamente a proteção contra o sarampo em áreas com maior risco de transmissão. A expectativa é aumentar a cobertura vacinal e reduzir a possibilidade de novos casos nos próximos meses.