Fuga em massa reacende crise prisional no Rio Grande do Norte

Fuga de presos na Penitenciária Rogério Coutinho Madruga aumenta a pressão sobre as forças de segurança do Rio Grande do Norte.
Redação NC News
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Onze presos fogem da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta, após cavarem um túnel sob o vaso sanitário de uma cela. Três já são recapturados; oito seguem foragidos e mobilizam uma operação policial que envolve forças estaduais e federais na região metropolitana de Natal.

Fuga pelo vaso, túnel e salto do muro

O plano começa na mesma cela, onde 14 homens dividem o espaço. Treze decidem fugir. Eles arrancam o vaso sanitário de metal e concreto, abrem passagem no buraco dos dejetos e ampliam o acesso até formar um túnel. A estrutura, segundo o governo, leva pelo menos uma semana para ficar pronta.

Os presos passam um a um pelo túnel. Treze cruzam a galeria subterrânea improvisada; dois são flagrados ainda dentro do complexo e retornam às celas. Onze conseguem chegar à área externa e pular o muro. O sistema interno da penitenciária registra o momento da escalada e aciona o alerta.

Imagens de vigilância mostram a movimentação. Policiais penais correm para a área, mas encontram apenas dois detentos na parte interna. Na cela, a cena evidencia a preparação: grande quantidade de areia espalhada e escondida sob colchões, sinal de escavação longa e não detectada nas rotinas de vistoria.

Caçada em curso e detento baleado

As primeiras recapturas se concentram na região de Nísia Floresta, município vizinho a Natal, no litoral oriental do Rio Grande do Norte. Um preso é localizado ainda na tarde de sexta-feira. Outros dois são encontrados entre a noite e a madrugada, em diferentes pontos da zona rural.

Diogo da Luz Silva, um dos fugitivos, é cercado em área de mata. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, ele resiste à abordagem, é baleado por policiais militares e levado ao Hospital Regional Deoclécio Marques, em Parnamirim. O estado de saúde é estável. Isaac Deodato Rodrigues e Julianderson Francisco Nogueira também são recapturados.

As buscas pelos oito restantes continuam com apoio de helicóptero, patrulhas em estradas e incursões em áreas de mata e sítios na região. A operação reúne Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Guarda Municipal de Parnamirim e Polícia Rodoviária Federal. Os nomes dos foragidos são divulgados para tentar obter pistas da população.

Pressão política e disputa de narrativas

A governadora Fátima Bezerra acompanha o caso desde o início da manhã e cobra respostas rápidas. Em nota, afirma: “É inadmissível o que aconteceu hoje. Tenho total confiança e respeito pelos bons profissionais, mas eventuais erros devem ser apurados e os responsáveis levados à Justiça”. Ela promete não permitir nova escalada de crises como as já vividas pelo sistema potiguar.

A unidade onde ocorre a fuga, conhecida no passado como Pavilhão 5 de Alcaçuz, fica ao lado do maior presídio do estado, cenário de uma rebelião com 26 mortos e de fugas em massa. A lembrança reforça a dimensão política do episódio num Rio Grande do Norte que tenta se afastar da imagem de caos prisional.

O secretário de Administração Penitenciária, Helton Edi Xavier, admite o caráter planejado da ação e anuncia investigação interna. “Não foi um trabalho que foi feito do dia para a noite”, diz. A pasta apura se houve negligência ou facilitação, e se os protocolos de segurança foram obedecidos em vistorias e monitoramento.

Sindicato fala em falta de investimento e afrouxamento

Entre policiais penais, o clima é de revolta e sensação de repetição de alerta ignorado. A presidente do sindicato da categoria, Vilma Batista, atribui a fuga à falta de investimentos e à gestão que teria flexibilizado regras técnicas nas unidades. “Para os policiais penais é muito triste e muito frustrante, tendo em vista que toda responsabilidade só cai em cima de quem está na ponta, na linha de frente”, afirma.

O sindicato sustenta que equipes vêm sendo deslocadas de tarefas de rotina, como revistas estruturais e inspeções em celas, para outras demandas, o que abriria brechas para escavações e manipulação de estruturas como vasos sanitários. A direção da Seap não detalha o efetivo de plantão no momento da fuga.

O episódio expõe novamente o contraste entre o discurso de controle do sistema e a prática nas unidades da Grande Natal, área mais populosa entre as cidades do Rio Grande do Norte. Também reacende o debate sobre como o estado, um dos menores do Nordeste em território, mas estratégico na rota entre capitais, enfrenta o crime organizado dentro das prisões.

Risco nas ruas e desgaste na gestão

Na prática, oito presos de alta periculosidade em liberdade significam mais pressão sobre a segurança pública em Natal, Parnamirim, Nísia Floresta e municípios vizinhos. Viaturas se revezam em pontos sensíveis, enquanto moradores relatam mais medo em áreas rurais e periferias. A fuga coloca em xeque a confiança no controle do complexo prisional de Alcaçuz.

O histórico recente pesa. O Rio Grande do Norte, estado que aparece em mapas escolares como uma faixa projetada para o mar no extremo nordeste do país, já registra episódios que entram no rol das maiores fugas carcerárias brasileiras, com 91 presos escapando por túnel na Grande Natal em outro presídio da região metropolitana.

A nova ocorrência pode forçar revisão ampla nas unidades, com reforço em estruturas físicas, checagem de vasos e tubulações, além de mudanças em rotinas de vistoria. Também tende a alimentar debates na Assembleia Legislativa e a pautar a agenda de segurança do governo potiguar, que tenta equilibrar investimento limitado e cobrança crescente.

No curto prazo, a prioridade é localizar os foragidos. No médio, a disputa será por responsabilização: se a culpa recairá sobre diretores de unidade e equipes de ponta, como teme o sindicato, ou se atingirá decisões mais altas da cadeia de comando. O desfecho da investigação e o tempo de recaptura dos oito restantes devem definir o tamanho do desgaste político.

Qual penitenciária do Rio Grande do Norte teve a fuga de onze presos em agosto de 2026?

A Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, localizada em Nísia Floresta, na região metropolitana de Natal, é a unidade do Rio Grande do Norte onde onze presos fogem por um túnel aberto a partir do vaso sanitário de uma cela, desencadeando operação conjunta das forças de segurança.

Quantos presos ainda estão foragidos após a fuga na penitenciária do Rio Grande do Norte?

Oito presos continuam foragidos após a fuga de onze detentos da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, no Rio Grande do Norte, enquanto três já são recapturados em operações realizadas entre a tarde de sexta-feira e a madrugada deste sábado, mobilizando policiamento ostensivo em Nísia Floresta e municípios vizinhos.

Quais medidas o governo do Rio Grande do Norte tomou após a fuga dos presos?

O governo do Rio Grande do Norte determina operação integrada com Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Guarda Municipal de Parnamirim e Polícia Rodoviária Federal, além de abrir procedimento administrativo para apurar negligência ou facilitação na Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, sob cobrança direta da governadora Fátima Bezerra por responsabilização.

Onde fica o Rio Grande do Norte e qual é a sua capital?

O Rio Grande do Norte é um estado da região Nordeste que aparece no mapa do Brasil na chamada esquina do continente, voltado para o Atlântico, fazendo fronteira com Ceará e Paraíba; sua capital é Natal, cidade litorânea que concentra a maior parte da população e da estrutura administrativa estadual.


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