O presidente Lula afirmou que pretende ampliar os investimentos em defesa, tecnologia e exploração de recursos estratégicos caso seja eleito para um novo mandato. Durante o discurso na convenção que oficializou sua candidatura à reeleição, Lula disse que o Brasil precisa fortalecer sua capacidade de proteger o território e garantir que suas riquezas naturais permaneçam sob controle nacional.
Ao falar sobre o tamanho e o potencial do país, o presidente destacou a extensão das fronteiras brasileiras, a Amazônia e a chamada Amazônia Azul, área marítima sob responsabilidade do Brasil.
“Esse país tem a maior floresta tropical do planeta, esse país tem 12% da água doce do mundo, esse país tem uma riqueza mineral que a gente não sabe ainda quanto temos”, afirmou.
Segundo Lula, o fortalecimento da defesa nacional não significa uma preparação para conflitos, mas uma forma de garantir autonomia e impedir ameaças à soberania brasileira.
“Eu quero estar preparado para a paz. Quero estar preparado para a paz, para a guerra. Quero estar preparado para ninguém ousar fazer diversão conosco”, declarou.
Defesa, tecnologia e indústria nacional
Durante o discurso, Lula defendeu uma política de fortalecimento da indústria de defesa brasileira e citou países como Alemanha, Japão e Inglaterra, que ampliaram investimentos no setor após a guerra entre Rússia e Ucrânia.
O presidente relembrou o início de seu primeiro mandato, em 2003, e criticou as limitações orçamentárias enfrentadas pelas Forças Armadas naquele período.
“Quando eu cheguei na Presidência da República em 2003, você sabia que o soldado brasileiro era liberado às 11 horas da manhã porque não tinha dinheiro para o almoço?”, questionou, ao se dirigir ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Lula afirmou que o Brasil precisa desenvolver sua própria tecnologia para reduzir dependências externas. Como exemplo, citou a necessidade de produção nacional de drones para auxiliar no monitoramento das fronteiras.
“Por que um país do tamanho do Brasil não tem uma fábrica de drone? Como é que a gente vai controlar 16 milhões de quilômetros de fronteira a pé? Se você não tiver drone, você não controla a fronteira”, afirmou.
A fala ocorre em meio ao debate sobre segurança nas regiões de fronteira, combate ao crime organizado e uso de novas tecnologias para fiscalização territorial.
Minerais estratégicos e disputa global
Outro tema abordado pelo presidente foi a exploração das chamadas terras raras, minerais considerados fundamentais para setores como tecnologia, energia renovável, eletrônicos e indústria de defesa.
Lula afirmou que o Brasil precisa garantir que esses recursos sejam utilizados para gerar desenvolvimento interno e criticou a possibilidade de controle estrangeiro sobre essas riquezas.
“Nem chinês, nem americano, nem francês vão meter o dedo na nossa terra rara”, disse.
O presidente defendeu uma estratégia que una exploração mineral, investimento em ciência e formação de profissionais especializados.
Durante o discurso, também citou a necessidade de preparar o país para a disputa tecnológica internacional, especialmente no avanço da inteligência artificial.
“Esse mundo digital é uma loucura. Então nós temos que induzir a meninada a estudar matemática, muito mais em inteligência artificial”, declarou.
Lula afirmou ainda que o Brasil precisa ampliar a formação em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico e tecnológico.
“Se a gente ficar só formando advogado, cientista político, nós temos que formar cientista, especialista naquilo que o nosso país precisa”, afirmou.
Energia e papel do Brasil no cenário internacional
Na parte final da fala, Lula destacou o potencial brasileiro na transição energética e defendeu o uso de fontes renováveis, como os biocombustíveis.
O presidente afirmou que a matriz energética brasileira e os recursos naturais colocam o país em uma posição privilegiada diante das mudanças globais relacionadas ao clima e à busca por alternativas aos combustíveis fósseis.
Para Lula, o próximo mandato deve combinar investimentos em defesa, inovação tecnológica, desenvolvimento industrial e aproveitamento das riquezas nacionais.
“Esse é o país que nós vamos fortalecer”, afirmou.
O discurso marcou uma das primeiras falas de Lula após a oficialização da candidatura e apresentou uma linha de campanha baseada em soberania nacional, reindustrialização e maior presença do Estado em áreas consideradas estratégicas.