Após dias de calor intenso, o Rio Grande do Sul volta a enfrentar uma mudança no tempo com a chegada de áreas de instabilidade. Nuvens carregadas avançam pelo estado nesta semana, trazendo previsão de chuva irregular, raios, trovoadas e possibilidade de granizo isolado em algumas regiões.
O cenário muda depois de uma sequência de dias marcados por temperaturas elevadas, com máximas próximas dos 34ºC em algumas cidades, além de episódios de vento forte, com rajadas que chegaram a 110 km/h. A passagem de uma frente fria trouxe uma breve queda nas temperaturas, mas o ar frio perdeu força rapidamente e abriu espaço novamente para a combinação entre calor e umidade.
Segundo a MetSul Meteorologia, a instabilidade deve atingir principalmente as regiões Oeste, Centro, Campanha e Sul do estado. A previsão indica chuva localizada, sem expectativa de temporais generalizados como os registrados em outros períodos recentes.
O meteorologista Luiz Fernando Nachtigall explica que o cenário atual exige atenção, mas apresenta menor potencial de severidade. “A chuva deve vir acompanhada de raios e trovoadas em diferentes localidades, porém o risco de temporais é muito menor que nos recentes episódios de instabilidades que atingiram o Rio Grande do Sul”, afirmou.
Granizo vira principal ponto de atenção
Apesar da redução no risco de vendavais, a possibilidade de granizo isolado permanece como o principal alerta. De acordo com a MetSul, a instabilidade ocorre em um ambiente de ar quente em altitude, condição que pode favorecer a formação de núcleos de tempestade em pontos específicos.
“Uma vez que a instabilidade estará quente em altitude, não se pode afastar que ponto ou outro possam ter temporais, mas localizados. O risco é maior de queda de granizo do que de vendaval”, explicou Nachtigall.
O padrão de chuva também deve ser irregular. Enquanto algumas cidades podem registrar pancadas fortes em pouco tempo, municípios próximos podem passar o dia apenas com aumento de nebulosidade. Por isso, o acompanhamento de radares meteorológicos se torna essencial para quem precisa se deslocar ou trabalha em áreas expostas.
Guaíba segue baixando, mas ainda exige monitoramento
Enquanto a instabilidade retorna ao interior do estado, a situação do Guaíba continua sendo acompanhada de perto na Região Metropolitana de Porto Alegre.
O lago atingiu recentemente um pico de 2,53 metros, ultrapassando a cota de alerta de 2,50 metros. Depois de um breve repique provocado pela influência do vento Sul na Lagoa dos Patos, o nível voltou a recuar.
Na manhã deste domingo, a medição no Cais Central, na Avenida Mauá, apontava 2,38 metros. Apesar da redução, o volume ainda permanece acima do normal e abaixo da cota de inundação, estabelecida em 3 metros.
A tendência de queda está relacionada ao comportamento dos principais rios que alimentam o sistema. Segundo a MetSul, os rios Taquari e Caí já passaram pelos maiores picos de vazão, enquanto Jacuí e Sinos ainda influenciam o volume que chega ao lago.
O vento continua sendo uma variável importante. Rajadas do quadrante Sul podem dificultar o escoamento da água para a Lagoa dos Patos e provocar elevações temporárias no nível do Guaíba. Já ventos do Norte costumam favorecer a saída da água.
Semana começa com alerta, mas sem cenário de nova grande enchente
Para a Defesa Civil e municípios atingidos por cheias recentes, o momento é de cautela. A previsão de volumes menores reduz o risco de uma nova elevação expressiva dos rios, mas o solo ainda encharcado e o Guaíba elevado mantêm possibilidade de alagamentos pontuais.
A MetSul destaca que prever o comportamento do Guaíba é uma tarefa complexa, já que envolve diferentes fatores, como vazão de vários rios, volume acumulado e influência dos ventos na Lagoa dos Patos.
Nos próximos dias, a tendência é de alternância entre períodos de chuva e momentos de melhoria no tempo. Sem a previsão de uma nova sequência de temporais intensos, o cenário é considerado mais estável, mas ainda exige acompanhamento.
A orientação é que moradores acompanhem atualizações meteorológicas antes de viagens, atividades ao ar livre e decisões relacionadas a áreas próximas de rios e regiões vulneráveis a alagamentos.
O Rio Grande do Sul entra na semana com um cenário de atenção moderada: menos risco de extremos, mas ainda sob influência de uma atmosfera instável e com o Guaíba seguindo como um dos principais pontos de monitorament