A indústria brasileira de carne bovina espera que o Brasil volte a ser autorizado a exportar para a União Europeia no primeiro semestre de 2027, mas considera necessário negociar um período de transição para que os embarques possam ser retomados antes do fim do ciclo exigido pelo bloco.
O pedido foi apresentado pelo setor ao governo brasileiro. A proposta busca evitar que a carne bovina permaneça por cerca de dois anos sem acesso ao mercado europeu enquanto o país comprova o cumprimento das novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.
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Entenda o que aconteceu
A situação ganhou força depois que a União Europeia passou a aplicar, em 3 de setembro de 2026, novas regras para a entrada de animais e produtos de origem animal. O bloco exige garantias de que os países exportadores cumprem normas específicas sobre o uso de antimicrobianos.
A regra determina, entre outros pontos, que os produtos destinados ao mercado europeu não sejam provenientes de animais tratados com determinados antimicrobianos proibidos pela legislação europeia. O sistema também exige garantias que cubram o ciclo de produção.
Por que a carne bovina enfrenta mais dificuldades
O principal obstáculo para a carne bovina está justamente no tempo necessário para comprovar o cumprimento das exigências.
Diferentemente de cadeias produtivas com ciclos mais curtos, o gado pode permanecer por um período muito maior em produção. Por isso, a União Europeia exige garantias relacionadas ao uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida do animal.
Em declaração nesta quinta-feira (17), o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que o setor espera que o Brasil seja novamente incluído na lista europeia no primeiro semestre de 2027.
A entidade, porém, defende que o governo negocie uma etapa de transição para permitir que frigoríficos possam voltar a vender para o bloco antes de completar todo o período de adaptação.
Setor quer evitar espera de dois anos
A relistagem do Brasil não significa, por si só, que as exportações de carne bovina serão retomadas imediatamente.
O problema é que a União Europeia quer garantias de conformidade relacionadas ao ciclo completo do animal. Na prática, isso pode exigir um período próximo de dois anos para que toda a cadeia consiga demonstrar o atendimento às novas regras.
Por isso, a proposta do setor é estabelecer um mecanismo intermediário.
A ideia é que, depois de as autoridades europeias reconhecerem a segurança dos controles adotados pelo Brasil, seja definido um prazo de transição que permita a retomada gradual do fluxo comercial.
Ainda não há missão técnica para a carne bovina
Apesar da expectativa do setor, ainda não existe uma data confirmada para uma missão técnica da União Europeia avaliar especificamente os novos protocolos brasileiros para a carne bovina.
A Comissão Europeia informou anteriormente que a auditoria realizada no Brasil em agosto e início de setembro envolveu as cadeias de frango e mel, e não a carne bovina. Segundo representantes europeus, a situação dos bovinos é mais complexa justamente pela necessidade de garantias relacionadas a todo o ciclo de vida do animal.
O Ministério da Agricultura afirma que mantém negociações técnicas com a União Europeia e já apresentou documentação sobre os mecanismos brasileiros de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação.
Carne bovina é estratégica para o mercado europeu
A União Europeia representa um mercado importante para a proteína brasileira. Embora não seja o principal destino da carne bovina em volume, o bloco tem relevância para a receita obtida com as exportações.
Em 2025, o Brasil exportou 108,6 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia, aproximadamente 3,5% do total embarcado pelo país. Em faturamento, porém, a participação chegou a cerca de 5,5%, segundo dados citados pela CNN Brasil.
Além do impacto direto sobre as vendas, existe uma preocupação estratégica. O mercado europeu costuma estabelecer padrões sanitários que também são acompanhados por outros compradores internacionais.
O presidente da Abiec afirmou que a volta à lista europeia é importante também porque o bloco funciona como referência para outros mercados que compram proteína brasileira.
O que o Brasil precisa fazer
O Brasil vem adotando medidas para ampliar os controles sobre o uso de antimicrobianos e garantir rastreabilidade dos animais e produtos destinados ao mercado europeu.
Em julho, o Ministério da Agricultura estabeleceu procedimentos para que frigoríficos e estabelecimentos exportadores mantivessem controles auditáveis, capazes de demonstrar o atendimento às exigências europeias.
O próprio governo brasileiro afirma que não busca flexibilizar as normas sanitárias da União Europeia, mas demonstrar que o sistema nacional de fiscalização e certificação consegue garantir que somente produtos em conformidade sejam exportados.
Suspensão já afeta produtos de origem animal
A restrição europeia entrou em vigor em 3 de setembro e alcança diferentes produtos de origem animal brasileiros. A União Europeia exige que os países autorizados apresentem garantias de cumprimento das regras sobre antimicrobianos.
A Comissão Europeia explica que as normas fazem parte das medidas de combate à resistência antimicrobiana e que países de fora do bloco precisam fornecer garantias de conformidade para permanecer na lista de exportadores autorizados.
O governo brasileiro mantém negociações com as autoridades europeias para tentar restabelecer o fluxo comercial.
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O que acontece agora
O próximo passo será a continuidade das negociações entre Brasil e União Europeia e a avaliação dos protocolos adotados pelo país.
Para o setor, o objetivo é conseguir a inclusão do Brasil novamente na lista europeia e, paralelamente, construir uma solução de transição que permita o retorno das exportações de carne bovina antes que todo o ciclo de adaptação esteja concluído.
Ainda não há uma data oficial para uma missão técnica europeia específica sobre a carne bovina nem uma confirmação de quando os embarques poderão ser retomados.
Entenda o contexto
A discussão ocorre em meio à implementação de uma nova etapa das regras europeias para o controle de antimicrobianos em produtos de origem animal. Desde 2022, produtores da União Europeia já estão submetidos às normas, que passaram a ter aplicação também sobre produtos importados de países de fora do bloco.
No caso brasileiro, a União Europeia retirou o país da lista de autorizados porque considerou insuficientes as garantias apresentadas para comprovar o atendimento às exigências. O Brasil, por sua vez, afirma que possui mecanismos oficiais de fiscalização e certificação e trabalha para demonstrar a capacidade do sistema nacional.
A discussão sobre a carne bovina é mais complexa porque a comprovação precisa considerar o período completo de criação do animal. Por isso, o setor defende uma solução intermediária enquanto os novos controles são implementados e avaliados.
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