Árbitro será ouvido após acusações feitas por Hugo Souza e jogadores do Corinthians

A Comissão de Arbitragem da CBF vai ouvir o árbitro Alex Gomes Stefano depois das reclamações feitas pelo goleiro Hugo Souza e por atletas do Corinthians sobre a postura adotada durante a partida contra o Internacional pela Copa do Brasil.
Redação NC News
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O goleiro Hugo Souza, do Corinthians, acusa o árbitro Alex Gomes Stéfano de ameaçar o atacante Matheus Pereira após a derrota por 2 a 0 para o Internacional, neste domingo. A denúncia, tornada pública nas últimas horas, expõe um novo foco de crise na relação entre jogadores e arbitragem no futebol brasileiro.

Acusação de ameaça e revolta no vestiário

O estopim é um suposto diálogo do árbitro com Matheus Pereira ainda no gramado. Segundo Hugo Souza, Alex Gomes Stéfano teria ultrapassado todos os limites ao convidar o atacante para brigar fora de campo, num tom entendido como intimidação direta.

“Quero ver você fazer isso lá fora. Chamando o Matheus Pereira na mão. Que porra é essa, cara? Ele não pode falar o que falou para o Matheus, não”, relata o goleiro, reproduzindo as palavras que atribui ao árbitro. O desabafo circula em áudio e vídeo e rapidamente ganha repercussão entre torcedores corintianos.

A derrota por 2 a 0 para o Internacional, por si só pesada pelo momento do Corinthians no Campeonato Brasileiro, vira detalhe diante da acusação. No vestiário, o clima é de indignação. Jogadores se dizem desrespeitados e cobram explicações públicas do árbitro e da comissão de arbitragem.

Garro pede equilíbrio, mas teme punição

O capitão Rodrigo Garro também critica a postura de Alex Gomes Stéfano, embora adote tom mais cauteloso. Em rápida declaração, o meia procura dividir responsabilidades, mas deixa implícito que se sente ultrapassado pela forma como o juiz conduz o jogo.

“A gente tem que medir como falar como juiz, e ele tem de medir também”, afirma Garro. Questionado sobre o que exatamente o árbitro teria dito em campo, o argentino recua: “Não quero ser suspenso”. A frase expõe um medo recorrente entre jogadores, que veem espaço limitado para contestar árbitros sem sofrer represálias disciplinares.

As falas de Hugo e Garro convergem em um ponto central: a percepção de que parte da arbitragem atua com postura de “otoridade”, na expressão usada nos bastidores, amparada pelo poder de distribuir cartões e pela blindagem institucional que impede questionamentos mais diretos.

Voz externa amplia pressão sobre arbitragem

A denúncia ganha ainda mais corpo quando o dublador Gustavo Machado, torcedor corintiano com grande presença nas redes, decide divulgar o relato de Hugo Souza. Ele publica o conteúdo, cobra explicações do árbitro e ajuda a transformar um problema de vestiário em debate público.

Sem acesso a entrevistas de árbitros, que tradicionalmente só se manifestam por meio das súmulas, torcedores e jogadores recorrem a figuras influentes fora de campo para amplificar suas queixas. A crítica é conhecida: o silêncio da arbitragem, defendido como proteção à categoria, hoje é visto por muitos como um escudo para erros e comportamentos inadequados.

Em campo, o Corinthians sente que perde o controle emocional do jogo diante de um apito considerado agressivo. A queixa não se limita ao lance isolado com Matheus Pereira. Jogadores relatam ameaças veladas com cartões, broncas em tom desproporcional e uma distância crescente entre quem apita e quem joga.

Crise de confiança no apito brasileiro

As acusações de Hugo Souza atingem um ponto sensível num momento de alta pressão esportiva e financeira. Cada jogo do Brasileirão envolve prêmios, metas de contrato e risco de rebaixamento. Em um ambiente assim, a confiança na arbitragem se torna questão estratégica, não apenas de fair play.

Quando um atleta afirma que um juiz o chama “na mão” para resolver fora do campo, a discussão deixa de ser apenas sobre erro de interpretação de um lance. Passa a ser sobre segurança, respeito e limites de autoridade. O árbitro deixa de ser figura de controle e vira protagonista negativo de um espetáculo que deveria pertencer aos jogadores.

Na prática, o Corinthians sai de Porto Alegre — ou de qualquer palco em que o jogo ocorra — com danos em duas frentes: o placar de 2 a 0, que complica a campanha, e a sensação de humilhação. O risco é que o episódio contamine o ambiente interno, afete a confiança dos atletas e se arraste por rodadas, minando o rendimento em campo.

O que pode mudar a partir de agora

A pressão por respostas cresce. Dentro do clube, dirigentes e comissão técnica avaliam se formalizam uma representação contra Alex Gomes Stéfano nas instâncias da liga. Um pedido de investigação obrigaria a comissão de arbitragem a analisar imagens, ouvir envolvidos e se posicionar sobre a conduta do juiz.

No curto prazo, a expectativa é por uma manifestação oficial ao menos sobre o teor da súmula. Caso o árbitro registre algum comportamento de Matheus Pereira que, na visão dele, justificasse bronca mais dura, a divergência se desloca para o campo disciplinar. Se o documento ignorar o episódio, a versão dos jogadores tende a ganhar ainda mais peso na opinião pública.

O episódio reacende um debate mais amplo sobre protocolos de conduta e comunicação em campo. Há quem defenda a adoção de regras claras para entrevistas de árbitros após partidas, com limites e perguntas mediadas, como forma de reduzir o fosso entre apito e jogadores. Outros veem risco de exposição e ainda mais pressão sobre uma categoria já contestada.

A médio e longo prazo, a forma como esse caso é tratado pode servir de precedente. Uma resposta dura da comissão de arbitragem, se comprovar excesso do juiz, tende a sinalizar tolerância zero com posturas ameaçadoras. A omissão, por outro lado, alimenta a sensação de impunidade e empurra atletas a buscar justiça nas redes sociais e não nas instâncias oficiais.

Enquanto a bola volta a rolar, Hugo Souza e seus companheiros jogam sob um peso extra: o de provar que conseguem reagir em campo sem perder de vista uma disputa paralela, menos visível, pelo respeito dentro das quatro linhas.

 

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