GREVE: Paralisação causa transtornos no trânsito; entenda as medidas

Suspensão do rodízio em SP devido à greve da CPTM impacta o trânsito e mobilidade na cidade.
Redação NC News
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A greve de ferroviários da CPTM paralisa parcialmente as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade nesta terça-feira e força a Prefeitura de São Paulo a suspender o rodízio municipal de veículos. A paralisação atinge diretamente a rotina de milhares de passageiros da zona leste e do eixo que liga a capital ao Aeroporto de Guarulhos.

A suspensão do rodízio vale ao longo do dia para todos os finais de placa e busca reduzir o impacto imediato da redução da oferta de trens. A medida, porém, tende a aumentar o número de carros nas ruas e o risco de congestionamentos prolongados nos principais corredores de acesso ao centro.

Trens parados, rodízio suspenso e ônibus extras nas ruas

A Linha 11-Coral opera em regime reduzido entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases, enquanto a Linha 12-Safira circula apenas entre Brás e Engenheiro Goulart. A Linha 13-Jade e o Expresso Aeroporto permanecem totalmente paralisados, o que compromete o deslocamento de passageiros que vão ou voltam do terminal internacional.

Para compensar parte da demanda, o governo estadual aciona o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), coordenado pela Artesp, com 128 ônibus extras. São 58 veículos para atender a Linha 11-Coral, 60 para a Linha 12-Safira e 10 na Linha 13-Jade, em rotas que ligam, por exemplo, Estudantes a Corinthians-Itaquera e Aeroporto-Guarulhos a Engenheiro Goulart.

O Metrô abre as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata a partir das 4h e reforça a operação. A Linha 3-Vermelha recebe trens extras e passa a fazer manobras intermediárias para ampliar a oferta nos trechos de maior demanda, sobretudo nas integrações com as linhas da CPTM afetadas. As linhas concedidas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda também ampliam equipes, segurança e monitoramento para absorver parte do fluxo deslocado.

Protesto contra concessão e disputa na Justiça do Trabalho

A paralisação é aprovada em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil na noite de ontem. A categoria protesta contra o processo de concessão das linhas 11, 12 e 13 à concessionária Trivia Trens e cobra garantias de manutenção dos empregos, em meio à reconfiguração do modelo de operação dos trens metropolitanos.

O movimento ocorre após o governo estadual determinar que a CPTM reassuma temporariamente, por 90 dias, a operação das linhas concedidas, depois de uma sequência de falhas e de um incêndio em composição da Trivia Trens. A medida é apresentada como intervenção emergencial, enquanto a Artesp apura o cumprimento das obrigações contratuais da concessionária.

O Tribunal Regional do Trabalho atende a um pedido da CPTM e determina que, mesmo em greve, os ferroviários mantenham 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos. A decisão fixa multa diária de R$ 400 mil ao sindicato em caso de descumprimento. Apesar da pressão judicial e das negociações com o governo, a categoria mantém a paralisação.

Segurança reforçada, monitoramento em tempo real e disputa de narrativas

A Polícia Militar reforça o policiamento preventivo no entorno de estações ferroviárias, terminais de ônibus e áreas de grande circulação, além de intensificar o controle de trânsito em vias críticas da capital e da Grande São Paulo. O objetivo é lidar com o aumento de fluxo de pedestres e veículos e reduzir o risco de conflitos em plataformas e pontos de ônibus lotados.

No Centro Integrado de Comando e Controle, o Centro Integrado de Operações Coordenadas acompanha em tempo real a situação das linhas, o desempenho do Paese, o trânsito e o nível de lotação das estações. O governo afirma que pode ajustar gradualmente o número de ônibus, o reforço no Metrô e a própria política de trânsito, conforme o comportamento da demanda ao longo do dia.

O diretor-presidente da CPTM, Michael Cerqueira, destaca o esforço para ampliar o quadro de funcionários em operação durante a greve. “Nosso foco é atender a população e nosso esforço está concentrado para garantir que a população possa ter mobilidade diante desta paralisação. Nossa expectativa é que ao longo do dia tenhamos mais colaboradores entrando na escala para que no pico da tarde tenhamos contingente maior”, afirma.

O governo estadual diz ter apresentado propostas para preservar os postos de trabalho dos ferroviários, incluindo alternativas como remanejamento para outros órgãos públicos, incorporação de estruturas ferroviárias à CPTM e inclusão dos trabalhadores em programas de assistência médica do funcionalismo. Mesmo assim, critica a manutenção da greve, que considera prejudicial a milhares de passageiros.

Impacto imediato na economia e incerteza para os próximos dias

A suspensão do rodízio hoje altera a lógica de deslocamento de quem depende de carro em São Paulo e interfere no planejamento de empresas que organizam turnos e entregas com base nas restrições de placas. A medida reduz parte da pressão sobre quem não tem alternativa ao transporte individual, mas também pode empurrar o sistema viário para o limite.

No transporte coletivo, os passageiros enfrentam um cenário instável: ônibus do Paese lotados, filas nas integrações com o Metrô e incerteza sobre a regularidade dos trens nos próximos dias. Trabalhadores de baixa renda, que moram longe do centro e dependem das linhas 11, 12 e 13, são os mais vulneráveis a atrasos, perda de jornadas e desconto salarial.

As negociações entre governo e sindicato seguem em clima tenso, sob a sombra da multa diária de R$ 400 mil e da possibilidade de novas decisões judiciais para endurecer ou flexibilizar as exigências de efetivo mínimo. A duração da greve e a resposta das autoridades podem influenciar a percepção da população sobre o modelo de concessões ferroviárias e a confiança no sistema de transporte público.

Se a paralisação se prolongar, novas rodadas de medidas emergenciais tendem a ser adotadas, com ajustes no rodízio, expansão temporária de linhas de ônibus e pressão adicional sobre o Metrô. A população acompanha, em tempo real, um impasse que coloca em jogo não apenas o trajeto diário, mas o desenho futuro da mobilidade na maior metrópole do país.

 

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