Greve da CPTM hoje suspende rodízio SP e causa caos no transporte

Paralisação dos ferroviários impacta linhas essenciais e altera medidas de controle de veículos na capital paulista.
Redação NC News
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Ferroviários da CPTM paralisam nesta terça-feira parte das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade em São Paulo, em protesto contra a privatização e por reivindicações trabalhistas, e obrigam governo e Prefeitura a montar operação de guerra para manter a cidade em movimento.

Greve começa no pico e trava eixo leste da capital

A paralisação atinge o coração do deslocamento diário da zona leste e de cidades vizinhas. A Linha 13-Jade e o Expresso Aeroporto param totalmente, enquanto as linhas 11 e 12 funcionam de forma limitada, com trechos reduzidos e maior intervalo entre trens. Passageiros enfrentam filas, plataformas cheias e viagens mais demoradas.

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil decide manter a greve mesmo após rodadas de negociação com o governo estadual. “O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil decidiu manter a paralisação”, registra comunicado citado pelo g1 São Paulo. Não há prazo para o fim do movimento.

A categoria reage à concessão das linhas para a concessionária Trivia Trens e cobra garantias de emprego, incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM e inclusão dos ferroviários no Iamspe. O conflito ocorre em meio à reestatização temporária da operação, determinada após um incêndio em vagão no mês passado, que devolve à estatal o controle das linhas concedidas por 90 dias.

Plano emergencial reforça metrô, ônibus e trens privados

O governo estadual aciona logo cedo um plano de contingência para tentar conter o caos. As linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata do Metrô passam a abrir às 4h, uma hora antes do habitual, e a Linha 3-Vermelha ganha trens extras e manobras intermediárias para absorver a sobrecública da zona leste.

Segundo a administração Tarcísio de Freitas, as linhas 11 e 12 operam parcialmente: a 11-Coral entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases; a 12-Safira entre Brás e Engenheiro Goulart. A Linha 13-Jade segue sem circulação, assim como o Expresso Aeroporto. A CPTM afirma que “priorizou o atendimento dos trechos com maior demanda das linhas afetadas”.

O reforço não se limita aos trilhos. “A CPTM acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), mobilizando 128 ônibus”, informa a companhia. Eles cobrem os trechos Estudantes–Corinthians-Itaquera (Linha 11), São Miguel Paulista–Calmon Viana (Linha 12) e Aeroporto-Guarulhos–Engenheiro Goulart (Linha 13), em uma tentativa de recompor a oferta de transporte.

As linhas 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda, já sob concessão, e a 10-Turquesa seguem em operação regular. A estratégia do governo é drenar parte da demanda das áreas afetadas para essa malha, somada ao metrô reforçado e ao sistema de ônibus comum.

Rodízio suspenso, polícia nas ruas e Justiça em cena

Na outra ponta da crise, a Prefeitura de São Paulo suspende o rodízio municipal de veículos. A medida busca aliviar a lotação no transporte coletivo, mas transfere a pressão para o trânsito de carros. O objetivo é permitir que quem tem automóvel opte pela rua, e não se some às filas nas estações.

A Polícia Militar intensifica a presença nas áreas críticas. “O policiamento também foi reforçado nos entornos das estações ferroviárias, dos terminais de ônibus e nas regiões com maior circulação de pessoas”, informa a corporação. Equipes de trânsito também são deslocadas para corredores estratégicos, onde o risco de engarrafamentos aumenta com a suspensão do rodízio.

O Centro Integrado de Operações Coordenadas, instalado no Centro Integrado de Comando e Controle, acompanha em tempo real o fluxo de trens, ônibus e carros, além de possíveis tumultos. A cena nas estações da Linha 3-Vermelha, como Corinthians-Itaquera, Tatuapé, Brás e Palmeiras-Barra Funda, é de plataformas cheias e embarque lento.

O impasse chega rapidamente à Justiça trabalhista. A pedido da CPTM, o Tribunal Regional do Trabalho determina a manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos. O tribunal fixa punição pesada: “Em caso de descumprimento o TRT aplicará uma multa diária de R$ 400 mil ao sindicato”.

Privatização sob pressão e risco de desgaste prolongado

A greve expõe o desgaste do programa de concessões do transporte sobre trilhos em São Paulo. Ferroviários apontam risco de perda de direitos, piora nas condições de trabalho e fragilidade na segurança, potencializados pelo incêndio recente em vagão sob gestão da Trivia Trens. O governo sustenta que o modelo traz investimentos e eficiência, e tenta demonstrar controle ao retomar a operação por 90 dias.

O Tribunal de Contas do Estado entra na disputa e exige explicações do governo e da concessionária sobre planos de contingência, manutenção e condições da infraestrutura. O órgão também quer detalhes sobre falhas em dispositivos de emergência no episódio do incêndio, o que aumenta a pressão por transparência sobre contratos e fiscalização.

Em nota, o Palácio dos Bandeirantes afirma que “o Governo de São Paulo reafirmou o compromisso de preservar os postos de trabalho e discutir reivindicações da categoria” e “lamentou a manutenção da greve e afirmou que a paralisação compromete o deslocamento de milhares de trabalhadores, estudantes e demais passageiros”. Passageiros sentem esse impacto de forma direta, com atrasos para chegar ao trabalho, consultas e aulas.

Se a paralisação se prolonga, o custo tende a se espalhar pela economia da região metropolitana, com perda de horas produtivas e pressão sobre o já congestionado sistema viário. O episódio alimenta o debate sobre o equilíbrio entre iniciativa privada e controle público no transporte, e força governo, CPTM, sindicato e Trivia Trens a buscar, nas próximas horas, uma saída que devolva previsibilidade à rotina de quem depende do trem para viver a cidade.

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