Trabalhadores da CPTM cruzam os braços nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade desde a meia-noite, e a Prefeitura de São Paulo suspende o rodízio de veículos nesta terça-feira. A paralisação atinge especialmente a Zona Leste e municípios da Grande São Paulo e não tem prazo para terminar.
Greve mira privatização e empregos dos ferroviários
A greve é articulada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, que decide pela paralisação em assembleia realizada na sede da entidade, no Brás. A categoria protesta contra a privatização das três linhas para a concessionária Trivia Trens e cobra garantias formais de manutenção dos empregos.
“É contra a privatização [das linhas], mas também pela garantia de emprego”, afirma o diretor-executivo do sindicato, Luiz Barbosa Neto Júnior. Segundo ele, a proposta do governo estadual de estender as negociações por mais 60 dias não satisfaz a categoria. “Na negociação que teve hoje, o que o governo fez? ‘Ah, vamos ter mais 60 dias para conversar para garantia do emprego.’ E a turma não quer aceitar isso.”
A tensão aumenta porque as linhas 11, 12 e 13 voltam a ser operadas diretamente pela CPTM por 90 dias, por determinação do governo paulista, após uma sequência de falhas graves sob gestão da Trivia Trens. O retorno temporário, em vigor desde 24 de julho, não resolve a incerteza sobre o futuro dos ferroviários, que temem demissões quando a concessionária reassumir plenamente o serviço.
Rodízio suspenso e plano de contingência em ação
Diante da paralisação, o prefeito Ricardo Nunes anuncia, na noite de ontem, a suspensão do rodízio de veículos no centro expandido nesta terça-feira. A medida libera a circulação dos carros com placas finais 3 e 4, que normalmente ficariam proibidos das 7h às 10h e das 17h às 20h, sob pena de multa de R$ 130,16 e 4 pontos na CNH.
O objetivo é aliviar a vida de quem depende do trem para ir ao trabalho ou à escola e busca alternativas de deslocamento. A decisão, porém, deve aumentar o volume de carros nas ruas, com risco de congestionamentos mais longos e impacto na qualidade do ar. A Zona Leste, principal área atendida pelas linhas 11 e 12, tende a concentrar os maiores transtornos.
Em paralelo, o governo estadual aciona um plano de contingência para tentar segurar o caos. A CPTM prioriza trechos com maior demanda e coloca ônibus para atender todas as estações da Linha 11-Coral entre Estudantes e Corinthians-Itaquera. Na Linha 12-Safira, o atendimento é feito entre São Miguel Paulista e Calmon Viana, e, na Linha 13-Jade, entre Aeroporto-Guarulhos e Engenheiro Goulart, onde o trem está totalmente parado, inclusive o Expresso Aeroporto.
TRT impõe operação mínima e multa milionária ao sindicato
Pressionado pela paralisação, o governo de São Paulo recorre ao Tribunal Regional do Trabalho. A corte determina que a CPTM mantenha 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, o sindicato fica sujeito a multa diária de R$ 400 mil.
Em nota conjunta, CPTM e governo afirmam lamentar a decisão de manter a greve e dizem ter apresentado “compromissos concretos”. “O estado reiterou o compromisso com a preservação dos postos de trabalho e com a análise de projetos de lei de interesse da categoria, como a absorção dos empregados por outros órgãos públicos estaduais, a discussão sobre incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM, e a inclusão dos trabalhadores no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe)”, diz o texto.
A companhia também ressalta que as Linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda e 10-Turquesa seguem em operação regular, assim como todo o sistema de metrô, incluindo as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha, 4-Amarela e 5-Lilás, e o monotrilho nas linhas 15-Prata e 17-Ouro. Essas redes absorvem parte da demanda das linhas paralisadas, mas não eliminam a superlotação e o aumento do tempo de viagem.
Metrô antecipa operação e trânsito sente efeito imediato
Para enfrentar o pico da manhã, o Metrô antecipa o início da operação das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata para as 4h. A oferta de trens cresce em estações estratégicas para a integração com a CPTM, como Corinthians-Itaquera, Tatuapé, Brás e Palmeiras-Barra Funda, onde o embarque fica mais lento e as plataformas, cheias desde cedo.
O governo aciona ainda o sistema Paese, que mobiliza ônibus extras em situações de emergência para substituir ou reforçar o transporte sobre trilhos. O policiamento é ampliado nos entornos de estações ferroviárias, terminais de ônibus e pontos de maior circulação para tentar evitar tumultos e garantir segurança.
No trânsito, os efeitos aparecem ao longo da manhã, com tendência de aumento de carros vindo da Zona Leste e dos municípios de Guarulhos, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Itaquaquecetuba, Suzano e Mogi das Cruzes, todos fortemente dependentes das linhas em greve. Comerciantes e empresas dessas regiões relatam atrasos de funcionários e dificuldade maior para atender clientes no horário de abertura.
Pressão política e incerteza para usuários
O impasse amplia a pressão sobre o Palácio dos Bandeirantes e a própria Prefeitura de São Paulo. O governo estadual tenta defender sua política de concessões, enquanto promete preservar empregos e benefícios dos ferroviários. O sindicato, por sua vez, usa a paralisação como instrumento para forçar garantias legais antes de qualquer retomada plena da operação pela Trivia Trens.
Usuários vivem no meio desse embate, sem clareza sobre quando o serviço será normalizado. A greve, por tempo indeterminado, afeta a rotina de centenas de milhares de pessoas e acende novo debate sobre a forma de gestão do transporte metropolitano sobre trilhos. O desempenho do plano de contingência, do reforço do metrô e da suspensão temporária do rodízio vai pesar na avaliação pública das autoridades.
Os próximos dias devem ser marcados por novas rodadas de negociação entre sindicato, governo e concessionária, com possibilidade de mediação judicial. A rapidez na costura de um acordo definirá não só o fim da greve, mas também o rumo da privatização das linhas 11, 12 e 13 e a confiança do passageiro em um sistema já abalado por falhas recentes.
Por que o rodízio de veículos foi suspenso em São Paulo nesta terça-feira?
O rodízio de veículos em São Paulo está suspenso nesta terça-feira por causa da greve dos trabalhadores da CPTM nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que paralisa parte do sistema ferroviário e leva a Prefeitura a liberar todos os carros para reduzir o impacto sobre quem busca alternativa ao trem.
Quais linhas da CPTM estão em greve que causaram a suspensão do rodízio em SP?
As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM, incluindo o Expresso Aeroporto, estão em greve desde a meia-noite desta terça-feira, afetando principalmente a Zona Leste da capital e cidades como Guarulhos e Suzano, e motivando a decisão da Prefeitura de suspender o rodízio de veículos no centro expandido.
Até quando o rodízio de veículos ficará suspenso devido à greve da CPTM?
O rodízio de veículos em São Paulo está suspenso apenas nesta terça-feira, segundo a Prefeitura, que não anuncia extensão automática da medida; a continuidade da paralisação dos ferroviários, porém, deve ser avaliada dia a dia pelo governo municipal, que pode adotar novas suspensões conforme a situação do transporte público.
Como a greve dos ferroviários da CPTM impacta o trânsito e o transporte em São Paulo?
A greve nas linhas 11, 12 e 13 da CPTM afeta principalmente a Zona Leste e cidades da Grande São Paulo, aumenta a lotação no metrô e em terminais de ônibus, obriga o acionamento de ônibus substitutos e tende a elevar o número de carros nas ruas, mesmo com o rodízio suspenso, prolongando trajetos e congestionamentos.
Quais medidas a Prefeitura de SP tomou em resposta à greve da CPTM?
A Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio de veículos no centro expandido nesta terça-feira, reforçou o policiamento em estações e terminais, integrou-se ao plano de contingência com ônibus extras e articulou com o metrô a antecipação da operação para as 4h, tentando reduzir filas, superlotação e atrasos no deslocamento diário.
O rodízio será retomado normalmente após o fim da greve dos ferroviários?
O rodízio de veículos em São Paulo tende a ser retomado normalmente após o fim da greve dos ferroviários, já que a suspensão anunciada pela Prefeitura vale apenas para esta terça-feira; qualquer extensão ou nova liberação dependerá da evolução da paralisação e de avaliações diárias sobre o impacto na mobilidade urbana.