Anitta decide proibir a venda de bebidas alcoólicas durante as atividades de bem-estar de sua nova turnê, que estreia neste fim de semana no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. A cantora explica a medida nesta sexta-feira, 7, em entrevista ao programa Mais Você, e abre uma frente de debate sobre álcool em grandes eventos.
Bem-estar no centro do novo projeto
A turnê chega ao público com uma proposta que vai além do show tradicional. Antes e ao redor das apresentações musicais, Anitta oferece meditações guiadas, massagens terapêuticas, rodas de dança circular, leitura de mapa astral e práticas de “liberação e conexão”.
Essas atividades, que ocupam um espaço próprio na programação, viram o foco da polêmica. Nelas, não haverá venda de bebidas alcoólicas, nem consumo estimulado. O restante da estrutura de entretenimento segue com oferta normal de álcool, dentro das regras habituais de um grande festival.
Anitta sustenta que a decisão nasce de sua própria trajetória recente. Ela atribui a essas práticas parte do equilíbrio que diz ter alcançado na vida pessoal e profissional e quer reproduzir esse ambiente para o público. “O objetivo é permitir que o público vivencie plenamente a experiência proposta pelo evento”, afirma.
‘Tem um momento para cada coisa’, diz cantora
A repercussão da regra explode nas redes sociais e chega a programas de TV. No Mais Você, com Ana Maria Braga, Anitta enfrenta diretamente as críticas e tenta separar o que chama de “mal-entendido” da proposta real.
“Isso deu polêmica, falaram que eu estou proibindo álcool. Claro que não, gente. Eu tenho uma marca de álcool. Eu também gosto de beber, mas tem um momento para cada coisa”, diz a artista, em tom didático. A frase resume sua linha de defesa: a restrição é pontual, não moralista.
A cantora insiste que não quer transformar a turnê em um retiro rígido, mas preservar contextos específicos. A presença de álcool durante meditações e massagens, avalia, poderia esvaziar a profundidade das experiências. “Se a pessoa está ali para se conectar, se olhar, se sentir, o álcool atrapalha essa conexão”, explica, em referência às atividades de bem-estar.
Impacto no evento e no mercado de bebidas
Nos bastidores da produção, a medida obriga ajustes finos. As áreas dedicadas ao bem-estar passam a exigir sinalização clara, equipes de controle de acesso e orientação explícita a ambulantes e bares. Organizadores estudam rotas separadas para evitar que o público entre nas tendas com copos na mão.
Para o setor de bebidas alcoólicas dentro do evento, a restrição representa uma limitação temporal do faturamento. Em vez de vender de forma contínua, os pontos comerciais ficam parcialmente esvaziados nos períodos de maior adesão às meditações, massagens e rodas de dança, concentrando o consumo em outros horários e espaços.
O time de Anitta aposta que essa perda localizada se compensa com um ganho de imagem e com a criação de um produto diferenciado. A lógica é simples: quem busca apenas o show continua com acesso ao ambiente tradicional; quem procura algo mais integrado encontra um espaço protegido de exageros, inclusive do álcool.
Polêmica nas redes e disputa de narrativas
Desde que a decisão vem a público, fãs e detratores travam uma batalha de opiniões nas redes sociais. Parte do público acusa a cantora de “controlar” o comportamento de quem paga ingresso e questiona se cabe ao artista definir quando o público pode ou não beber.
Outra parcela, porém, enxerga coerência na mudança. Comentários que circulam em perfis de fãs e em buscadores ligados a “Anitta hoje”, “Fotos de Anitta hoje” e “Músicas de Anitta” veem a medida como um passo alinhado à fase mais espiritualizada da artista, que fala abertamente de autoconhecimento e equilíbrio emocional.
A entrevista desta sexta-feira, 7, tenta justamente reduzir o desgaste com o público mais resistente. Ao lembrar que é dona de uma marca de bebidas alcoólicas e admitir que gosta de beber, Anitta busca afastar a ideia de que virou uma espécie de fiscal de costumes. Reforça que a regra vale só para um recorte do evento, não para a noite inteira.
O que muda para o público da turnê
Na prática, quem for ao Parque Villa-Lobos neste fim de semana encontra uma experiência híbrida. Em uma parte do dia, o ambiente se aproxima de um festival de bem-estar, com meditações, rodas de dança e atendimentos terapêuticos sem álcool circulando. Em outra, a energia volta ao formato de grande show pop, com bar liberado.
Esse desenho tende a segmentar o público por momentos, não por perfis. Fãs que acompanham o “Anitta instagram”, curiosos por “Anitta rosto” ou pela performance de palco podem se surpreender com a alternância entre introspecção e festa. Quem se interessa por mapa astral e conexão emocional encontra um palco improvável em um megashow.
Produtores de outros artistas observam. Se a resposta do público for positiva e o engajamento nas atividades de bem-estar crescer, a estratégia abre caminho para formatos semelhantes em turnês de grande porte, com áreas “sobriedade obrigatória” dentro de eventos em que o álcool continua protagonista em outros espaços.
Os próximos capítulos dependem do que acontece nas primeiras apresentações em São Paulo. A equipe de Anitta deve monitorar adesão às atividades, vendas de bebidas fora das áreas restritas e reação nas redes. A continuidade da proibição parcial, reforça a cantora, passa pelo retorno do público, não por um dogma pessoal.