A estudante de direito Lívia Berthoud, de 23 anos, foi assassinada a tiros na segunda-feira (10), em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, a jovem tinha uma medida protetiva contra o ex-companheiro, Carlos Eduardo, apontado como suspeito do feminicídio.
Lívia havia registrado um boletim de ocorrência por violência doméstica e conseguido a medida protetiva. De acordo com familiares ouvidos pelas autoridades, o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e já havia feito ameaças de morte contra a jovem.
A estudante foi encontrada morta em uma praça localizada na Rua Sebastião. Ela apresentava diversos ferimentos provocados por disparos de arma de fogo nas costas. O Samu foi acionado, mas constatou a morte ainda no local.
JOVEM TINHA MEDIDA PROTETIVA CONTRA O EX
Segundo a investigação, a medida protetiva havia sido concedida depois que Lívia procurou as autoridades para denunciar a violência doméstica.
Mesmo com a determinação judicial, familiares relataram que o ex-companheiro continuava inconformado com o término e teria feito ameaças contra a vítima.
O caso chama atenção para a violência contra mulheres que, mesmo após procurarem a polícia e obterem medidas de proteção, continuam expostas a situações de risco.
Suspeito foi encontrado ferido
Após o crime, testemunhas indicaram à polícia que Carlos Eduardo seria o responsável pelos disparos.
Os policiais foram até o endereço do suspeito e o encontraram com ferimentos na cabeça e no queixo, compatíveis, segundo a polícia, com uma tentativa de suicídio.
Depois de conversar com as autoridades, ele se rendeu e foi levado para o pronto-socorro da cidade. O homem permanece internado sob escolta policial e intubado, sem condições de prestar depoimento e sem previsão de alta.
Na residência, os policiais localizaram um revólver calibre .38 com quatro munições deflagradas.
SUSPEITO ESTÁ INTERNADO SOB ESCOLTA POLICIAL
A polícia deverá ouvir o investigado assim que ele tiver condições clínicas para prestar depoimento.
Caso é investigado como feminicídio
A Polícia Civil registrou o caso como feminicídio, e a investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Polícia de Pindamonhangaba.
Lívia foi enterrada na manhã desta terça-feira (11), no Cemitério Municipal de Pindamonhangaba.
A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do crime e verificar como o suspeito conseguiu se aproximar da vítima apesar da existência da medida protetiva.
POLÍCIA INVESTIGA COMO CRIME ACONTECEU MESMO COM PROTEÇÃO JUDICIAL
O caso volta a levantar o debate sobre os mecanismos de proteção oferecidos às mulheres vítimas de violência doméstica e sobre a necessidade de medidas capazes de impedir que ameaças evoluam para agressões mais graves.