Polícia investiga morte de mulher durante cirurgia de vesícula em Minas Gerais

Thaís Duarte Rodrigues Gonçalves, de 33 anos, sofreu uma lesão em um vaso arterial durante procedimento por videolaparoscopia; Polícia Civil investiga se houve falha ou erro médico
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Uma cirurgia considerada eletiva para a retirada da vesícula terminou em tragédia em Araxá, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais. Thaís Duarte Rodrigues Gonçalves, de 33 anos, morreu no bloco cirúrgico depois de sofrer uma hemorragia intensa durante o procedimento realizado na Santa Casa de Araxá.

A paciente havia sido internada no dia 5 de agosto para passar pela cirurgia, feita por videolaparoscopia, técnica considerada minimamente invasiva, realizada com o auxílio de equipamentos introduzidos por pequenas incisões no abdômen.

Segundo o boletim de ocorrência, durante a introdução de um dos instrumentos utilizados no procedimento, houve uma lesão em um vaso arterial. O cirurgião teria informado à família que o vaso atingido ficava na região da aorta abdominal.

A lesão provocou um sangramento intenso. Diante da gravidade da situação, a equipe médica precisou abandonar a técnica inicialmente prevista e abrir o abdômen da paciente na tentativa de localizar e controlar a hemorragia.

Mesmo com as medidas adotadas, Thaís perdeu uma quantidade significativa de sangue e precisou receber transfusão. O quadro evoluiu para choque hemorrágico, seguido de arritmia e uma parada cardiorrespiratória.

As equipes médicas tentaram reverter a situação, mas a paciente não resistiu e morreu ainda dentro do bloco cirúrgico.

Médicos prestaram esclarecimentos

De acordo com o boletim de ocorrência, os dois médicos que participaram da cirurgia são pai e filho, de 77 e 38 anos.

Os dois confirmaram à polícia que participaram do procedimento e relataram que houve complicações durante a cirurgia. Segundo o registro, eles afirmaram que, apesar das tentativas de intervenção, não foi possível reverter o quadro da paciente.

Depois da morte, os dois médicos acompanharam policiais militares até a delegacia e prestaram esclarecimentos ao delegado de plantão.

O caso, entretanto, não foi encerrado com os depoimentos. A Polícia Civil instaurou uma investigação para reconstruir toda a sequência do procedimento e determinar o que provocou a lesão arterial.

Polícia investiga circunstâncias da cirurgia

A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios de Araxá. Segundo o delegado Jeferson Leal, todos os profissionais que participaram da cirurgia serão ouvidos.

A polícia também determinou a realização de perícias nos materiais utilizados durante o procedimento.

“A Delegacia de Homicídios aqui de Araxá assumiu a investigação e já intimamos todos os integrantes responsáveis pela cirurgia e também determinamos que fosse realizada a perícia nos objetos utilizados para a cirurgia. Em função disso, estamos aguardando a conclusão dos laudos policiais”, explicou o delegado Jeferson Leal.

O objetivo é entender, passo a passo, como aconteceu a lesão no vaso sanguíneo e quais foram as medidas adotadas pela equipe médica imediatamente depois do sangramento.

Os investigadores também deverão analisar os prontuários médicos, ouvir os profissionais envolvidos e aguardar os resultados dos exames periciais.

Polícia ainda não fala em erro médico

Apesar da morte ter acontecido durante uma cirurgia e de uma lesão arterial ter sido registrada no procedimento, a Polícia Civil ressalta que ainda é cedo para afirmar que houve erro médico.

O delegado Jeferson Leal afirma que a investigação precisa ser concluída antes de qualquer responsabilização.

“Por hora, a gente não pode afirmar nada. A Polícia Civil quer realizar todas as diligências para só depois emitir uma opinião, se vai responsabilizar ou não os responsáveis. Por enquanto, não podemos afirmar que houve ou não erro médico. Necessariamente precisamos realizar todas as diligências”, afirmou.

A declaração é importante porque uma complicação durante uma cirurgia, por si só, não significa necessariamente que tenha ocorrido negligência, imprudência ou imperícia.

É justamente isso que a investigação pretende esclarecer: se a lesão ocorreu como uma complicação possível do procedimento ou se houve alguma conduta inadequada que possa caracterizar responsabilidade criminal.

Procedimento foi realizado na Santa Casa de Araxá, onde Thaís Duarte Rodrigues Gonçalves, de 33 anos, morreu após sofrer uma hemorragia durante uma cirurgia para retirada da vesícula. | Foto: Reprodução

Santa Casa diz que está colaborando com a investigação

Em nota, a Santa Casa de Araxá manifestou solidariedade à família de Thaís e afirmou estar colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação. A instituição informou que os médicos envolvidos no atendimento também estão colaborando com a apuração e que todas as informações e elementos solicitados estão sendo disponibilizados.

“A Santa Casa Araxá, bem como os médicos envolvidos no atendimento, está colaborando com as investigações de forma integral com as autoridades responsáveis pela apuração, fornecendo as informações e os elementos necessários à investigação.”, disse

A instituição também afirmou que não pretende transformar o caso em uma disputa de versões pela imprensa e reforçou o compromisso de respeitar o trabalho das autoridades.

“O compromisso da instituição é colaborar com a investigação, respeitar o trabalho das autoridades e assegurar que todos os fatos sejam apurados de forma técnica, responsável e imparcial.”, complementa

O que a polícia ainda precisa esclarecer

A investigação deverá responder a uma série de perguntas antes que seja possível apontar responsabilidades.

Uma delas é saber exatamente como o instrumento utilizado na videolaparoscopia provocou a lesão no vaso arterial. Também será necessário verificar se o procedimento foi realizado de acordo com os protocolos médicos e quais medidas foram tomadas imediatamente após a identificação do sangramento.

Outro ponto será analisar a rapidez com que a equipe identificou a hemorragia e decidiu pela abertura do abdômen para tentar controlar o sangramento.

Os investigadores também deverão avaliar os equipamentos utilizados, os registros do procedimento, os prontuários e os resultados da perícia médico-legal.

Tudo isso será cruzado com os depoimentos dos médicos e dos demais profissionais que estavam no bloco cirúrgico.

Somente depois dessa análise será possível determinar se a morte foi consequência de uma complicação conhecida e possível da cirurgia ou se houve alguma conduta que possa gerar responsabilização.

Thaís Duarte Rodrigues Gonçalves, de 33 anos, morreu após sofrer uma hemorragia durante uma cirurgia para retirada da vesícula, realizada na Santa Casa de Araxá.
Thaís Duarte Rodrigues Gonçalves, de 33 anos, morreu após sofrer uma hemorragia durante uma cirurgia para retirada da vesícula, realizada na Santa Casa de Araxá. | Foto: Redes Sociais

Família aguarda respostas

Thaís tinha 33 anos e havia sido internada para realizar uma cirurgia eletiva, ou seja, um procedimento previamente programado e que não tinha caráter de emergência.

A retirada da vesícula por videolaparoscopia é uma técnica utilizada em diferentes situações e, em geral, permite que o procedimento seja realizado por pequenas incisões. Neste caso, porém, segundo o boletim de ocorrência, uma complicação durante a introdução de um dos equipamentos levou à lesão de um vaso arterial e a uma hemorragia grave.

A equipe tentou controlar o sangramento, realizou a abertura do abdômen e fez transfusão de sangue. Mesmo assim, o quadro evoluiu rapidamente para choque hemorrágico, arritmia e parada cardiorrespiratória. Thaís morreu ainda no centro cirúrgico.

Agora, a Polícia Civil tenta reconstruir os últimos momentos da paciente e descobrir se tudo foi consequência de uma complicação imprevisível ou se houve alguma falha no atendimento.

Por enquanto, não há conclusão sobre eventual erro médico. A investigação continua e depende, principalmente, da análise dos materiais utilizados na cirurgia, dos laudos periciais e dos depoimentos dos profissionais envolvidos.

A Polícia Civil reforça que somente após a conclusão dessas diligências poderá avaliar se existe ou não responsabilidade criminal pela morte da paciente.

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