Depois de semanas de incerteza, recuos e negociações internas, a candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo de Minas Gerais está formalmente definida. O Republicanos registrou nesta sexta-feira (14) a chapa encabeçada pelo senador, encerrando um dos principais impasses da eleição mineira. Luís Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), será o candidato a vice-governador.
A definição reorganiza a corrida pelo Palácio Tiradentes justamente no início da campanha. Além de Cleitinho e Falcão, o acordo político envolve uma aliança com o Podemos e o apoio a Marcelo Aro (PP) na disputa pelo Senado.
Como ficou a chapa de Cleitinho?
A composição registrada pelo Republicanos ficou assim:

O acordo também confirmou formalmente a aliança com o Podemos, comandado em Minas pela deputada federal Nely Aquino.
Por que a confirmação de Cleitinho virou uma novela?
A candidatura passou por uma sequência de reviravoltas.
Cleitinho enfrentou meses de indefinição sobre a entrada ou não na disputa pelo governo estadual. Em determinado momento, a direção nacional do Republicanos adotou uma posição contrária à candidatura do senador.
Com o impasse, Luís Eduardo Falcão chegou a ser considerado uma alternativa para assumir a cabeça de chapa. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, confirmou que o nome do ex-prefeito estava entre as possibilidades analisadas pelo partido.
Cleitinho, porém, passou a trabalhar para reverter a decisão e convencer a direção nacional a permitir sua candidatura.
O acordo final colocou justamente Falcão como seu vice.
Quem é Luís Eduardo Falcão?
Falcão tem sua trajetória política fortemente ligada ao interior mineiro.
Ele foi prefeito de Patos de Minas e presidiu a Associação Mineira de Municípios, entidade que representa as prefeituras do estado e participa de debates sobre temas como repasses de recursos, dívidas municipais e relações entre cidades, governo estadual e União.
Antes da definição final, Falcão chegou a ser tratado como possível candidato do Republicanos ao próprio governo estadual caso Cleitinho não entrasse na disputa.
Agora, assume a função de vice e acrescenta à chapa uma ligação direta com prefeitos e lideranças municipais.
Republicanos também definiu posição para o Senado
A montagem da chapa envolveu outra negociação importante.
O Republicanos chegou a considerar nomes próprios para a disputa pelo Senado, entre eles o deputado federal Euclydes Pettersen e Gleidson Azevedo, prefeito de Divinópolis e irmão de Cleitinho.
O entendimento final, porém, foi apoiar Marcelo Aro (PP), ex-secretário de Governo de Minas Gerais.
A decisão mostra que a montagem da candidatura de Cleitinho envolveu mais do que a escolha de um vice. Foi necessário reorganizar diferentes interesses dentro do grupo político para fechar a composição eleitoral.
Podemos entra oficialmente na aliança
Outro ponto definido no registro foi a entrada do Podemos na coligação.
A sigla é presidida no estado pela deputada federal Nely Aquino e passa a integrar formalmente o grupo que sustentará a candidatura de Cleitinho.
A coligação recebeu o nome de “Minas é do Povo”.
A aliança amplia o tempo político e a estrutura partidária disponível para a campanha, além de aproximar Cleitinho do grupo de Marcelo Aro.
Indefinição custou alianças a Cleitinho
O próprio senador reconheceu que a demora para decidir seu futuro político teve consequências.
Nesta semana, Cleitinho afirmou que sua indefinição fez com que perdesse espaço e palanques em Minas. Durante esse período, outros partidos avançaram na montagem de suas próprias candidaturas.
Um dos principais efeitos aconteceu no campo da direita.
O PL decidiu lançar Flávio Roscoe ao governo de Minas e montou uma chapa própria. A vereadora Ellen Miziara foi escolhida para disputar a vice.
Isso significa que Cleitinho entra oficialmente na campanha sem a concentração de apoios que poderia ter construído caso sua candidatura tivesse sido definida anteriormente.
Cleitinho promete campanha independente
A configuração também chama atenção pela disputa presidencial.
Cleitinho afirmou que pretende manter um palanque independente em Minas Gerais e indicou disposição para dialogar com quem vencer a eleição presidencial.
Essa estratégia diferencia sua campanha tanto do PT quanto do PL, que possuem candidaturas estaduais diretamente ligadas às respectivas disputas nacionais.
O posicionamento pode permitir ao senador buscar votos entre eleitores de diferentes candidatos à Presidência, mas também reduz a possibilidade de contar com uma única estrutura presidencial claramente associada à sua campanha.
Minas terá disputa fragmentada pelo governo
A confirmação de Cleitinho deixa ainda mais definido um cenário com diversos candidatos competitivos.
Além dele, estão na disputa nomes como Alexandre Kalil (PDT), Patrus Ananias (PT), Mateus Simões (PSD), Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL).
A fragmentação aumenta a importância das alianças partidárias, do desempenho durante a campanha e da capacidade de cada candidato de ampliar seu eleitorado além da própria base política.
Minas Gerais possui um dos maiores eleitorados do Brasil e tradicionalmente ocupa posição estratégica nas disputas nacionais.
O que acontece agora?
Superado o impasse interno, Cleitinho entra em uma nova fase: transformar a candidatura formalizada em campanha nas ruas.
O lançamento está previsto para domingo (16), em Medina, no interior de Minas Gerais. A programação coincide com o primeiro debate entre candidatos ao governo mineiro, do qual Cleitinho não deve participar.
A partir de agora, a atenção também estará voltada para o efeito da divisão das forças políticas no estado.
Cleitinho precisará consolidar a chapa com Falcão, ampliar alianças e enfrentar adversários que aproveitaram seu período de indefinição para estruturar suas próprias campanhas.
ENTENDA O CONTEXTO
A candidatura de Cleitinho ao governo de Minas passou por uma das maiores reviravoltas da pré-campanha estadual.
O senador oscilou sobre entrar na disputa, enquanto o próprio Republicanos chegou a resistir à ideia de lançá-lo. Nesse cenário, Luís Eduardo Falcão apareceu como possível alternativa para concorrer ao Palácio Tiradentes.
Depois de novas negociações, o partido mudou de posição: Cleitinho permaneceu como candidato e Falcão passou para a vaga de vice.
A demora teve consequências. O PL avançou com uma candidatura própria de Flávio Roscoe, enquanto outros grupos também fecharam suas chapas.
Agora, com o registro apresentado nesta sexta-feira, Cleitinho finalmente encerra a discussão sobre se estaria ou não na urna.