Petrobras confirma descoberta de petróleo na Foz do Amazonas e prevê bilhões para a região

Perfuração do poço Morpho, a 175 km da costa do Amapá, custa US$ 1 milhão por dia. Estatal agora corre para descobrir o real tamanho da reserva na polêmica Margem Equatorial.
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A aposta bilionária da Petrobras no extremo norte do país começou a dar resultados oficiais. Nesta segunda-feira (17), a presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou a tão aguardada descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado na bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 km da costa do Amapá.

O anúncio foi feito em tom de celebração durante uma coletiva de imprensa em Oiapoque (AP), que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de ministros do governo. Na última sexta-feira (14), a empresa havia divulgado apenas os primeiros “indícios” da presença de hidrocarbonetos na região, mas agora a descoberta do óleo foi sacramentada.

O tamanho do tesouro e a corrida contra o tempo

Apesar da confirmação, a Petrobras ainda não sabe exatamente o tamanho da riqueza que encontrou. Segundo Magda Chambriard, a perfuração ainda deve durar entre 15 e 20 dias.

“Nesse momento, temos a descoberta. O que vai dizer quando e quanto é a continuidade dessa exploração. Ainda precisamos delimitar a descoberta, saber quanto petróleo de fato existe nessa área”, explicou a executiva, detalhando que a operação é cara: o aluguel e o funcionamento do navio-sonda custam em média US$ 1 milhão por dia (com mais de US$ 300 milhões já investidos no bloco).

O movimento faz parte de uma campanha gigantesca prevista no Plano de Negócios da empresa, que deve injetar US$ 2,5 bilhões apenas na perfuração de 15 poços em toda a extensão da chamada Margem Equatorial.
A Petrobras deve investir US$ 2,5 bilhões para perfurar 15 poços em toda a extensão da chamada Margem Equatorial. Foto: Distribuição

Para ter a dimensão exata do potencial da região, a estatal vai acelerar o passo. Estão previstas as perfurações de mais três poços na mesma área e outros cinco em blocos vizinhos.

O movimento faz parte de uma campanha gigantesca prevista no Plano de Negócios da empresa, que deve injetar US$ 2,5 bilhões apenas na perfuração de 15 poços em toda a extensão da chamada Margem Equatorial.

“Mais que Brent”: O entusiasmo de Lula

Antes do anúncio em solo, o presidente Lula fez questão de visitar de perto o navio-sonda em alto-mar, acompanhando a perfuração em águas profundas (a 2.886 metros de profundidade).

Lula não escondeu a empolgação com a qualidade do óleo encontrado. Em tom bem-humorado, relatou uma conversa com a presidente da estatal: “Perguntei a Magda se era óleo tipo Brent [referência mundial de alta qualidade]. Ela me respondeu: ‘É mais que Brent, é Brent com louvor'”.

O presidente também aproveitou a oportunidade para criticar o passado recente da empresa e exaltar o novo projeto de exploração na costa brasileira:

“O Amapá tem uma chance extraordinária, e quem governa o estado precisa tomar cuidado com a especulação imobiliária. Vocês sabem que, há pouco tempo, o objetivo era tentar destruir a Petrobras. Mas isso aqui vai ser riqueza para o povo brasileiro e para o Amapá.”

Um respiro para a segurança energética

A confirmação da descoberta em uma área de “nova fronteira” foi recebida com alívio pelo setor petrolífero. O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) divulgou nota afirmando que a reserva na Foz do Amazonas é crucial para garantir a segurança energética nacional no médio e longo prazo, indicando que o Brasil pode manter seu forte papel como exportador de energia mesmo com o eventual declínio futuro das reservas do Pré-Sal no Sudeste.

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