A campanha de Pablo Marçal à Presidência da República sofreu um forte revés nesta quinta-feira (20). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, impedir o candidato do PRTB de usar recursos dos fundos Eleitoral e Partidário, participar de debates e aparecer na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
A medida é provisória e foi tomada enquanto a Corte analisa se Marçal pode, de fato, disputar a eleição de 2026. O julgamento definitivo do registro está previsto para setembro.
Até lá, o candidato continua enfrentando uma situação jurídica delicada: ele foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral de São Paulo e, segundo o Ministério Público Eleitoral, a condenação já é suficiente para impedir sua candidatura.
O que o TSE proibiu Marçal de fazer?
A decisão atinge justamente alguns dos principais instrumentos de uma campanha presidencial.
Marçal fica impedido de:

As restrições permanecem enquanto o TSE não decidir definitivamente sobre o registro da candidatura.
A decisão, portanto, não significa que Marçal foi definitivamente retirado da disputa. O registro ainda será julgado.
Por que o TSE tomou essa decisão?
A medida foi provocada pelo Ministério Público Eleitoral, que pediu não apenas o indeferimento da candidatura, mas também que Marçal fosse impedido de utilizar recursos públicos e espaços de propaganda enquanto o processo estivesse em análise.
O argumento é direto: se existe uma possibilidade concreta de a candidatura ser considerada irregular, permitir que ela utilize dinheiro público e espaços eleitorais durante esse período poderia gerar prejuízos ao processo eleitoral.
A relatora do caso, ministra Estela Aranha, entendeu que havia urgência para suspender esses benefícios antes do julgamento definitivo. A decisão foi acompanhada pelos demais ministros.
O problema começou antes da eleição
A situação de Marçal não surgiu agora. O candidato foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por irregularidades relacionadas à campanha para a Prefeitura de São Paulo em 2024. A condenação envolve abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, segundo as decisões eleitorais.

A condenação colegiada resultou em uma declaração de inelegibilidade que, segundo o Ministério Público Eleitoral, se estende até 2032.
É justamente esse ponto que coloca a candidatura presidencial em xeque.
E por que a filiação ao PRTB também virou problema?
Existe uma segunda discussão jurídica envolvendo a candidatura.
Marçal havia deixado o PRTB e se filiado ao União Brasil. Depois, voltou ao PRTB e conseguiu, por meio de uma decisão liminar, regularizar sua filiação de forma retroativa. O Ministério Público questiona justamente essa regularização e afirma que Marçal não teria comprovado a filiação ao PRTB dentro do prazo previsto pela legislação eleitoral.
Marçal, por sua vez, sustenta que houve problemas relacionados ao sistema da Justiça Eleitoral e recorre das decisões que atingem sua situação jurídica.
É essa combinação de fatores inelegibilidade e questionamento sobre a filiação partidária que está no centro do processo que chegou ao TSE.
Marçal está fora da eleição?
Ainda não. Essa é a diferença mais importante para entender a decisão desta quinta-feira.
O TSE não indeferiu definitivamente o registro da candidatura. O que os ministros fizeram foi impor restrições provisórias enquanto o processo principal é analisado.
Na prática, Marçal continua no processo eleitoral, mas sua campanha fica muito mais limitada.
Ele não poderá utilizar os fundos públicos atingidos pela decisão, nem participar dos debates ou do horário eleitoral gratuito enquanto a liminar estiver valendo.
O que acontece agora?
O próximo capítulo será o julgamento do registro da candidatura presidencial.
A análise do mérito está prevista para setembro. É nesse momento que o TSE deverá decidir se Marçal pode ou não continuar oficialmente na corrida pelo Palácio do Planalto.
Se o registro for indeferido definitivamente, a candidatura não poderá seguir normalmente. Caso a Justiça reconheça a validade do registro, as restrições impostas nesta quinta-feira poderão ser revistas.
Até lá, a campanha fica em uma espécie de limbo jurídico. Marçal quer disputar a eleição, mas a Justiça Eleitoral ainda precisa dizer se ele pode ser candidato.
O impacto na campanha presidencial
A decisão chega poucos dias depois do início oficial da campanha eleitoral de 2026.
Isso torna o momento especialmente importante. Os debates e a propaganda gratuita no rádio e na televisão são ferramentas tradicionais para candidatos ampliarem sua exposição. Para Marçal, que construiu grande parte da carreira política justamente a partir da comunicação digital, a restrição não elimina sua presença pública, mas reduz sua participação nos principais espaços institucionais da campanha.
A internet e as redes sociais continuam sendo canais relevantes para sua comunicação política. Mas há uma diferença importante: esses canais não substituem os espaços eleitorais que foram bloqueados pela decisão do TSE.
ENTENDA O CONTEXTO
A situação de Pablo Marçal envolve duas questões diferentes. A primeira é eleitoral: o candidato está sob efeito de condenações que resultaram em inelegibilidade até 2032.
A segunda é formal: o Ministério Público também questiona a validade da filiação ao PRTB usada para sustentar sua candidatura presidencial.
Mesmo com esses obstáculos, Marçal conseguiu registrar sua candidatura dentro do prazo. Agora, porém, o TSE decidiu restringir o acesso aos recursos públicos e aos principais espaços de propaganda enquanto analisa o caso. A Corte deve julgar definitivamente a situação em setembro.
Por isso, o cenário ainda pode mudar. O ponto central é que Marçal não foi definitivamente excluído da eleição nesta quinta-feira, mas sofreu uma das mais importantes restrições possíveis para uma candidatura presidencial enquanto aguarda a decisão sobre seu registro.