O primeiro debate presidencial de 2026 na Band acontece na noite deste domingo, às 20h, sem a presença de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), líderes nas pesquisas. O encontro, que abre a temporada de confrontos televisivos da campanha, vira palco principalmente para Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).

Palco esvaziado e estratégia calculada
O estúdio da Band reúne parte dos 13 candidatos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, com transmissão pela própria emissora, TV Cultura, TV Gazeta, Jovem Pan e YouTube. O cenário, porém, tem púlpitos vazios: além de Lula e Flávio, Romeu Zema (Novo) também desiste de comparecer.
A Band havia convidado seis presidenciáveis: Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema, Renan Santos e Cury. A ordem nos púlpitos é definida por sorteio: Renan à esquerda, seguido por Lula, Flávio, Caiado e Cury. Com as ausências, três posições ficam simbolicamente desocupadas diante das câmeras.
O peso político das cadeiras vazias é direto. Juntos, Lula e Flávio somam 74% das intenções de voto no primeiro turno, com 39% para o petista e 35% para o senador do PL, segundo o agregador de pesquisas da BBC. A ausência do confronto entre os dois esvazia o impacto imediato do debate na disputa principal.
A decisão de Lula é tratada pela campanha como defesa preventiva. Auxiliares afirmam que “a campanha sequer retirou as credenciais para o debate. A avaliação é que o petista seria o principal alvo dos demais candidatos elegíveis”. A justificativa oficial fala em falta de igualdade de condições para responder a ataques concentrados.
Flávio só enfrenta Lula; Zema desiste, Renan ataca
No campo oposto, a estratégia do PL também passa pelo adversário. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, deixa claro o cálculo: “Flávio só vá a debates em que tiverem a presença de Lula”. Ao condicionar a ida do candidato ao rival direto, o partido reforça a lógica do embate binário e evita exposição num palco dominado por candidaturas menores.
Romeu Zema, que inicialmente participaria, abandona o evento após a confirmação das ausências. Em nota, sua assessoria afirma: “Diante da ausência de Lula e de outros concorrentes, a alteração de data perdeu o seu propósito inicial”. O debate foi remarcado para este domingo sob a expectativa de contar com o presidente, o que não se concretiza.
Renan Santos tenta ocupar o vácuo. Em declaração dura, busca falar com o eleitor frustrado com o esvaziamento: “É obrigação dos candidatos ir ao debate, é uma vergonha o que estão fazendo. De direita a esquerda, todo mundo está descompromissado”. A crítica mira Lula, Flávio e Zema ao mesmo tempo e vira combustível para sua estratégia de ganhar tração nas redes.
O formato do encontro favorece esse tipo de embate. O regulamento prevê blocos de confronto direto entre candidatos, com perguntas e respostas sem mediação, além de questionamentos formulados por jornalistas do Grupo Bandeirantes. Uma Sala Digital do Google acompanha dados e tendências em tempo real, alimentando a disputa por cliques e cortes virais.
Vitrine rara para quem quase não aparece
Sem os protagonistas da polarização, o debate ganha novo sentido para os presentes. Para Caiado, Renan e Cury, a noite oferece exposição nacional que dificilmente se repetirá na mesma escala durante a propaganda obrigatória. O horário eleitoral em rádio e TV começa em 28 de agosto, mas o tempo de tela é desigual.
Augusto Cury terá apenas 35 segundos na propaganda em rede nacional. Zema e Renan não terão espaço nesse horário por não atenderem aos critérios de representação partidária. O encontro na Band, portanto, funciona como vitrine crítica para apresentar propostas e, principalmente, criar momentos reaproveitáveis em redes sociais e programas de opinião.
A legislação eleitoral garante presença automática em debates apenas a candidatos de partidos ou federações com pelo menos cinco representantes no Congresso, caso de PT, PL, Avante e PSD. Os demais dependem de convite das emissoras e de decisões estratégicas de campanha. Nesse contexto, a recusa dos favoritos intensifica a percepção de que o palco de hoje serve mais aos “outsiders” do que ao embate central da disputa.
O eleitor indeciso, parcela crucial neste início de campanha, sente o efeito. Sem o confronto direto entre Lula e Flávio, fica mais difícil comparar propostas, estilos e respostas a temas sensíveis como segurança pública, economia e relação com o Congresso. O debate ainda informa, mas deixa de oferecer o quadro completo.
Impacto na campanha e risco para a legitimidade
O esvaziamento do encontro testa também a credibilidade do calendário de debates. Este é o primeiro de quatro eventos televisivos previstos até o fim da campanha. A Band e as emissoras parceiras mantêm a programação, na expectativa de que os principais candidatos ajustem suas agendas e compareçam aos próximos encontros.
Entre marqueteiros e analistas eleitorais, cresce a preocupação com um efeito cascata. Se Lula e Flávio normalizam a estratégia de selecionar apenas alguns debates, outros postulantes podem seguir o movimento, reduzindo a relevância desses espaços como arena de confronto público e prestação de contas.
O Tribunal Superior Eleitoral monitora a participação e as regras de acesso, mas encontra limites claros. No caso de Pablo Marçal (PRTB), o tribunal proíbe a presença em debates enquanto seu registro de candidatura não é julgado. O político está inelegível até 2032, o que o retira não só da urna, mas também desses palcos de exposição.
O quadro escancara uma contradição da campanha de 2026. De um lado, cresce a cobrança por transparência, confronto de ideias e respeito ao eleitor. De outro, as principais campanhas tratam debates como ativo de risco, a ser usado apenas quando a balança estratégica parece favorável.
O que acontece nesta noite na Band funciona como teste de estresse para esse modelo. Se as ausências se repetirem nos três debates restantes, o processo eleitoral tende a ficar ainda mais concentrado em propagandas roteirizadas e na disputa descontrolada por atenção nas redes. Se houver recuo e maior adesão, o sinal será de que o custo político de deixar púlpitos vazios supera o cálculo tático de curto prazo.
Quem participa do debate presidencial da Band hoje?
O debate presidencial da Band marcado para as 20h deste domingo conta efetivamente com Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) no estúdio, após a ausência de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e a desistência de Romeu Zema (Novo), que deixam três púlpitos vazios no palco.
Por que Lula e Flávio Bolsonaro não foram ao debate?
Lula não comparece ao debate alegando falta de igualdade de condições para se defender de ataques concentrados, enquanto Flávio Bolsonaro condiciona desde o início sua participação à presença do petista, seguindo a orientação de Valdemar Costa Neto de que o candidato do PL só vá a encontros com Lula no palco.
O que a ausência dos líderes muda na eleição de 2026?
A ausência de Lula, com 39% das intenções de voto, e de Flávio Bolsonaro, com 35%, reduz o impacto do debate na disputa principal, frustra indecisos que esperavam confronto direto e, ao mesmo tempo, amplia a visibilidade de candidatos menores, que ganham espaço para se apresentar, testar narrativas e ocupar o debate nas redes.